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Ativista russa cria abaixo-assinado exigindo desculpas de brasileiros após vídeo

Petição será encaminhada às autoridades russas e à embaixada do Brasil em Moscou, segundo Alena Popova; PM catarinense faz parte do grupo que aparece nas imagens

Folha de São Paulo
Moscou (Rússia)
20/06/2018 às 15H00

SILAS MARTÍ

MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS) - No rastro da polêmica detonada pelo vídeo de torcedores brasileiros cercando uma mulher com gritos obscenos em Moscou, o primeiro episódio de mau comportamento de fãs a viralizar nesta Copa, uma ativista russa acaba de criar um abaixo-assinado denunciando os homens vistos nas imagens. Entre eles está um policial militar de Santa Catarina.

>> PM catarinense está em grupo que gravou vídeo assediando mulher na Copa na Rússia

Episódio mais comentado de assédio na Rússia envolve policial militar catarinense - Reprodução
Episódio mais comentado de assédio na Rússia envolve policial militar catarinense - Reprodução

A petição registrada no site Change.org por Alena Popova, jurista e ativista que atua numa série de causas, entre elas a da defesa da mulher, já reuniu quase 300 assinaturas.

Em seu documento, Popova exige um pedido de desculpas dos torcedores que gritavam “essa é bem rosinha” em alusão à cor do sexo de uma jovem loira, lembrando que o comportamento viola leis russas como questões de ordem pública e respeito ao próximo.

Três dos torcedores que aparecem no vídeo já foram identificados —o pernambucano Diego Valença Jatobá, advogado e político, e o piauíense Luciano Gil Mendes Coelho, um engenheiro civil, além do policial catarinense Eduardo Nunes.

Um quarto rapaz que aparece nas imagens deu entrevista à Folha de S.Paulo, mas não se identificou e era chamado por seus amigos em Moscou de Josué.

Popova quer encaminhar seu abaixo-assinado às autoridades russas e à embaixada do Brasil em Moscou. O caso dos torcedores brasileiros também já foi noticiado pela imprensa russa e começa a despertar debates nas redes sociais do país sede da Copa.

Diplomatas da embaixada brasileira na Rússia afirmam, no entanto, não terem recebido nenhum documento até o momento. Qualquer ação por parte das autoridades russas também dependeria do registro formal de uma queixa da vítima, o que não ocorreu.

Na visão de diplomatas que acompanham o caso, é pouco provável que o governo russo decida punir esses torcedores.

Desde o início da Copa, policiais do país conhecidos pela atitude linha-dura vêm fazendo vista grossa para flagrantes violações da lei, como beber em público, por exemplo, e qualquer repreensão mais enérgica dos torcedores poderia ir na contramão de interesses do governo de criar um clima de paz com os estrangeiros durante o evento.

Há outro vídeo machista circulando na internet que mostra o brasileiro Felipe Wilson com russas durante a Copa. A companhia aérea Latam confirmou a identidade do rapaz e seu desligamento do quadro de funcionários da empresa.

>> MPSC pede investigação sobre policial que aparece em vídeo assediando mulher na Copa

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