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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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As lições deixadas pela eliminação do Brasil na Copa para a Bélgica

Após um primeiro tempo muito ruim, Seleção volta a cair nas quartas de final para a promissora geração e volta com a bagagem recheada de ensinamentos da Rússia

LANCE!
Enviado especial a Kazan (RUS)

 Brasil x Belgica  -  AFP
Brasil x Belgica - AFP


Aprende-se muita, muita coisa com a Copa do Mundo. A cada quatro anos, ela nos traz lições de futebol, de vida. Algumas são definitivas. A da Rússia, a Copa dos "Haters", não foi diferente. Acabou para a Seleção Brasileira com a derrota de 2 a 1 para a Bélgica nesta sexta-feira na Arena Kazan, mas as lições são inúmeras de um Mundial em que campeãs enfileiram-se na queda. Seguem os belgas comandados por De Bruyne, Hazard e Lukaku para nas semifinais encarar a França, que eliminou o bicampeão Uruguai.

A PROMISSORA GERAÇÃO BELGA
O Brasil é um país acostumado a ver tudo como ou preto ou branco. A dicotomia dorme, acorda, toma café e almoça na casa de cada um. E há anos divide os críticos com relação ao rótulo que a seleção de futebol da Bélgica ganhou por unir seus melhores jogadores dos últimos anos, talvez da história. Um erro. A dicotomia impede o aprofundamento. A eliminação da Seleção para o time belga é um tiro no peito de quem prefere desdenhar a conhecer. Evidente que eles sabem jogar. Mas também não pode ser trampolim para o oportunista: o "eu avisei!" também tem pouco a acrescentar. Até porque a vitória belga veio pelo talento de seus valores, mas também muito por erros brasileiros e casualidades.

O PERIGO DO RÓTULO
​Na Copa da Rússia aprendemos que rótulos podem cair com a mesma velocidade com que são colocados. Ou vai me dizer que você não se surpreendeu com a atuação impecável de Thiago Silva depois de anos com a cena do choro de 2014 martelando na cabeça de cada um? Mas e Fernandinho? O que será desse rapaz?

De novo, o volante tem atuação desastrosa no jogo da eliminação, como foi em 2014 no 7 a 1 contra a Alemanha. O gol contra, os sucessivos erros de passes e a derrota evidente nos embates com Lukaku, que começou a jogada do segundo e determinante gol, formam ingredientes de sobra para torná-lo novamente vilão. Mas até que ponto isso é justo e, mais, inteligente? A Seleção perdeu muito sem Casemiro, seu ponto de equilíbrio, Tite bancou e insistiu com o camisa 17 até o fim da partida. Fernandinho teve uma jornada extremamente infeliz, mas talvez pouco seria lembrada no futuro caso a bola de Renato Augusto nos minutos finais tivesse entrado ou Courtois não impedisse o gol de Neymar nos acréscimos.

Porém, outra coisa que a Copa ensina é que a história, no futebol e principalmente no Brasil, é escrita pelos vencedores. Fernandinho não pode ser coitado. Mas talvez mudar essa necessidade de caça às bruxas nos faça evoluir mais do que conseguimos em quatro anos.

UM TEMPO ACACHAPANTE
​Em 2010, na África do Sul, na queda para a Holanda, aprendemos que bastam 45 minutos ruins para que um projeto inteiro vá por água abaixo. Em 2018, a história se repete. O Brasil tomou um baile da Bélgica no primeiro tempo e foi para o intervalo com seu sonho destruído. Tite tentou reerguer acionando o plano B, de passar do 4-1-4-1 para o 4-4-2, mas não foi suficiente. O gol de Renato Augusto deu esperança, reacendeu a torcida brasileira, mas não deu.

Foi a terceira vez que a Seleção no comando de Tite saiu atrás no placar em 25 jogos. Tinha virado contra o Uruguai (4 a 1) e perdido para a Argentina (1 a 0). E assim perdeu a Copa. Lição de que, mesmo com as coisas sendo bem feitas, como Tite fez, não é garantia de vitória, nunca será. E por isso é sempre bom o cuidado com a exaltação exacerbada. O que houve com a Alemanha?

A TORCIDA, UM CASO À PARTE
​A Rússia ensinou que o brasileiro também sabe torcer em Copa. Os jogadores não podem reclamar do apoio contra a Bélgica e em nenhum momento no Mundial. Enterraram o "Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor", e foram criativos. Ainda é algo novo, e portanto pode melhorar muito, mas fica a lição de que é possível se organizar melhor. Fica para o Catar.

A VERGONHA
A Rússia ensinou que torcer fora de seu país não pode ser pretexto para falta de respeito e outros excessos, como nos inúmeros casos de assédio a mulheres, sejam russas ou de qualquer lugar que seja. A prudência sempre ajuda.

BRASIL 1 X 2 BÉLGICA
Local: Arena Kazan (Kazan)
Árbitro: Milorad Mazic (SRB)
Assistentes: Milovan Ristic (SRB) e Dalibor Djurdjevic (SRB)
Cartões amarelos: Alderweireld (BEL); Meunier (BEL), Fernandinho (BRA), Fagner (BRA)
Cartões vermelhos: -
Público: 42.873 pagantes
Gol: Fernandinho (contra - 13'/1ºT); De Bruyne (31'/1ºT), Renato Augusto (31'/2ºT)

BRASIL: Alisson; Fagner, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Fernandinho; Willian (Firmino - intervalo), Paulinho (Renato Augusto 27'/2ºT), Philippe Coutinho e Neymar; Gabriel Jesus (Douglas Costa 12'/2ºT). Técnico: Tite.

BÉLGICA: Courtois; Alderweireld, Kompany e Vertonghen; Meunier, Fellaini, Witsel e Chadli (Vermaelen 37'/2ºT); Kevin de Bruyne, Eden Hazard e Lukaku (Tielemans 41'/2ºT).Técnico: Roberto Martínez.

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