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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Árbitros catarinenses falam sobre uso do replay no basquete

Uso da tecnologia para auxiliar árbitros entra em discussão no Brasil

Liana Coelho
Florianópolis
Débora Klempous/ND
Guilherme Locatelli (E), árbitro, e Oscar Archer, presidente da Federação Catarinense

 

Últimos segundos da partida e o jogador lança a bola em direção à cesta. O arremesso certeiro desempata o jogo e classifica apenas uma equipe para a próxima fase da Liga Nacional de Basquete. Essa jogada é comum no mundo do basquete, se não estivesse errada. A bola só entrou na cesta depois que o cronômetro foi zerado e não poderia valer os pontos que desempataram a partida. A situação já foi vivenciada pelo árbitro catarinense Guilherme Locatelli, 30 anos, e ele conta que tomou a decisão pela opinião momentânea. Depois, ao ver as imagens, percebeu que tinha cometido um erro.

Para que esse tipo de dúvida não aconteça mais, uma nova tecnologia está sendo discutida entre as entidades do basquete, tanto no Brasil quanto mundialmente. Em jogos que acontecem pelos campeonatos internacionais, as novas regras do replay já estão valendo e os árbitros recorrem aos equipamentos eletrônicos para tirar dúvidas. “O objetivo principal de colocar equipamentos eletrônicos nas modalidades esportivas é para que uma equipe não comemore uma vitória devido ao erro do árbitro. Em jogos muito rápidos, você pode cometer um erro e decidir o fim numa fração de segundos”, explicou Locatelli.

Há um ano e meio atuando como árbitro internacional, ele afirma que a utilização dos monitores é válida, mas ressalta que o uso não é durante toda a partida. “Os equipamentos eletrônicos são válidos apenas em situações específicas e apenas ao fim da partida. A maior vantagem é impedir que um erro humano decida o jogo. Mas deve-ser ter alguns cuidados com a aplicação”, disse o árbitro de Florianópolis. Ao que tudo indica, os recursos de imagem ainda vão demorar para aparecerem no Brasil.

Sem chance no Brasil

Testados na Olimpíada de Pequim em 2008 e no Mundial da Turquia em 2010, os equipamentos eletrônicos ainda causam polêmica. Segundo o árbitro Enaldo Batista de Souza, carioca radicado em Blumenau, não se pode atribuir esse recurso em todo o jogo, pois atrapalharia o andamento da partida. “Se em todo lance, os jogadores e técnicos reclamarem, o jogo vai ficar parado e a função do árbitro vai deixar de existir, já que a partida será acompanhada pelas câmeras”, evidenciou.

Souza salientou também que no Brasil ainda falta muito para que esse tipo de recurso entre em funcionamento. “Dentro de dois ou três anos, pode ser que sim. Mas os ginásios teriam que ser reformados, contar com câmeras especiais e muito investimento. Nem o NBB (Novo Basquete Brasil), que é mais estruturado, não vai adotar”.

Falta de estrutura

Conforme Oscar Archer, presidente da FCB (Federação Catarinense de Basketball), a maior dificuldade é a estrutura dos ginásios, pois colocar diversas câmeras capazes de pegar todos os ângulos não é tão viável, por exemplo, em uma Liga Nacional. “Não são todos os ginásios brasileiros que vão conseguir ter essa estrutura, nem todas as equipes que vão conseguir se enquadrar no padrão. Então, acredito que ainda vai demorar para que isso entre em vigor no basquete brasileiro”, comentou.

Para ele, é preciso ter pensamento positivo e torcer para que os investimentos cheguem até o basquete catarinense e nacional. “Já é uma dificuldade tremenda para que os clubes participem, temos apenas 14 equipes na Liga Nacional. Estamos aquém dos investimentos necessários, mas num futuro próximo vamos esperar que a tecnologia venha em benefício do esporte”, finalizou.

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