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Aos 14 anos, Gustavo Carvalhais Ribeiro, atleta do Clube Doze, é nova promessa da natação

Nascido em Portugal, atleta acumula resultados surpreendentes e aparece como uma das grandes promessas da modalidade no Brasil

Diogo de Souza
Florianópolis
27/12/2017 às 10H49

Passava das 14h30 da tarde quando um guri franzino soltou a mochila no degrau de uma arquibancada de frente para a piscina aquecida de 25m. Com as duas mãos, abriu o compartimento e ergueu dois punhados de medalhas de todas as cores, tipos e jeitos. Em uma rápida contagem com os olhos foi possível projetar cerca de 30 objetos.

Essa é a história de Gustavo Carvalhais Ribeiro, 14, nadador há dez anos e atleta do Clube Doze de Agosto, em Coqueiros, Florianópolis. Natural da cidade portuguesa de Aveiro, o jovem ainda escorrega no sotaque lusitano ao contar sobre uma paixão descoberta, indiretamente, aos três anos de idade, quando, ainda em Portugal, praticava o esporte uma vez por semana a partir da grade curricular.

“Com o passar do tempo os treinadores viram aptidão e eu comecei a gostar. Hoje a natação é minha vida e o meu sonho. Por mais que eu estude e seja aluno é lá [apontando para a piscina] que me sinto bem”, disse o garoto.

Gustavo Carvalhais Ribeiro, 14 anos, dezenas de medalhas e um futuro próspero - Marco Santiago/divulgação/nd
Gustavo Carvalhais Ribeiro, 14 anos, dezenas de medalhas e um futuro próspero - Marco Santiago/divulgação/ND

Em razão da mudança profissional do pai, também nascido em Aveiro (a mãe é brasileira de São Paulo), viu no Clube Doze, na capital catarinense, a melhor estrutura e a possibilidade de aprimorar seu talento. Esse sonho de criança, no entanto, custa “caro”. Gustavo revela que seu tempo é escasso e sua rotina é contada em três dedos: “Acordar, estudar e treinar”. Ele estuda no turno da manhã e treina, por cinco horas, ao longo de seis dias da semana.

Para o seu pai, Ricardo Ribeiro, o amor pela natação explica a persistência do jovem. Com uma câmera na mão e presente no dia a dia do filho, ele se emociona e revela uma curiosidade repetida há mais de dez anos. “Todos os dias, quando venho buscar na natação, eu pergunto e ele me fala do treino: ‘foi espetacular’. Eu confesso que sempre me pergunto como é possível, numa piscina de 25m, de um lado para outro, depois de quatro cinco horas de treino! É para quem gosta mesmo”.

Ricardo revela que o Brasil, no incentivo e na prática da natação, é mais desenvolvido que Portugal. Conta ainda que concorda que o esporte é preterido em relação ao futebol, mas que, mesmo diante de pouca “propaganda”, o amor pelas piscinas supera isso. “Quem está dentro, ama. É um mundo completamente a parte daquilo que se passa com o futebol, mas é amor. Ponto final. Isso é o que mais importa”.

Logo depois de recolher a coleção de medalhas e dar um abraço de 'até logo' no pai, Gustavo teve tempo e bom-humor para falar sobre o futuro como profissional e um eventual dilema entre as bandeiras do Brasil e Portugal. “Meu sonho é ir para Olimpíada representando o meu país. Gosto demais do Brasil por todo apoio que me deu, mas em caso de Mundial e Olimpíadas, quero representar Portugal”, confessou.

Um talento reforçado pela disciplina

“Posso garantir: é o garoto mais talentoso que vi nesses 21 anos como técnico”, ressaltou, sem economia, Filipe Muniz Corradini, treinador de Gustavo há dois anos. Filipe, 41, atua há duas décadas como técnico de natação no Clube Doze de Agosto e não poupa elogios.

Além da aptidão constatada ainda enquanto Gustavo Ribeiro era criança, o treinador ressalta a disciplina e a capacidade de ver o dia a dia como uma oportunidade. “É diferenciado para a idade que tem. Além da parte física ser muito boa, ele é disciplinado, tem grau de concentração e percepção das coisas acima da média”, descreveu.

O técnico usa o desempenho do nadador no ano de 2017 para ilustrar a sua capacidade de galgar degraus, processo de evolução que vem passando. Só nesse ano ele ganhou competições nos âmbitos municipal, estadual, nacional e internacional. Para surpresa do técnico e da própria família, Gustavo alcançou índices que o levaram a disputar o Sul-americano pelo Brasil em Cochabamba, na Bolívia.

Filipe Corradini, no entanto, pondera sobre o futuro do garoto. Ele lembra que é preciso dosar as cargas de trabalho e buscar a evolução em relação a si próprio. “Preconizo muito o trabalho progressivo. É preciso melhorar o tempo e não só pensar em medalhas. Ele tem resultados muito bons, mas em categorias novas. É importante esse processo evolutivo já que a idade vai avançando, assim como os desafios”, ponderou.

O treinador disse confiar no potencial e futuro atleta e fez questão de salientar o envolvimento do clube, como um todo, no seu êxito. “Não é um trabalho meu. Vem desde a base. É o clube como um todo que possibilita essa evolução”.

Gustavo (à esq.) e o treinador Filipe Muniz: um potencial atleta mundial - Marco Santiago/divulgação/ND
Gustavo (à esq.) e o treinador Filipe Muniz: um potencial atleta mundial - Marco Santiago/divulgação/ND



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