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A superação de Jacqueline Silva, que voltou a surfar depois de quase cinco meses

Quase recuperada de uma fratura no joelho, surfista sonha em voltar a competir no Circuito Mundial

Daniel Silva
Florianópolis

Daniel Queiroz/ND
Na praia Mole, em Floripa, Jacqueline Silva reencontra as ondas

A espera durou quatro meses e 21 dias. O ritual de pegar a prancha, vestir a roupa de borracha e entrar no mar nunca foi tão prazeroso para a manezinha Jacqueline Silva, 32 anos. Após sofrer um grave acidente de carro na Austrália, ela conta os dias para voltar a competir no Circuito Mundial.

Mesmo sentindo dores no joelho direito, local da fratura exposta, Jacque já entrou no mar três vezes e quer estar pronta para disputar o WCT (World Championship Tour), que começa em fevereiro de 2012. “Tenho pouco tempo, não acredito que vou estar nos meus 100%, mas o objetivo é voltar a conquistar títulos. Tinha voltado para a elite, a ASP convidará um atleta que tenha se contundido, então a chance de voltar é grande”, disse.

No período em que ficou sem surfar, Jacque ficou doente e desanimada sem saber como seria o futuro. O fato de ser atleta ajudou na recuperação, que era estimada em até seis meses.

Mas o tempo de sofrimento agora é passado, felizmente. “Foi muito ruim, uma freada na minha vida. Perdi o ano. Em algumas partes do tratamento fiquei desanimada, doente. Imagina uma pessoa que é acostumada a fazer de tudo e ficar em uma cama por dois meses. Mas aí comecei a ver o progresso e fiquei contente”, relembrou.

Ela ainda sente dores, reclama da falta de força e confiança, mas poder voltar a surfar é como um prêmio. Apesar da emoção em fazer o que mais gosta de novo, Jacque garante que não chorou. “Estava esperando um fim de semana bom e decidi voltar. Foi tudo novidade para mim. Eu sempre dizia que o dia em que eu voltasse a surfar eu choraria. Sou muito emotiva, mas estava tão feliz que não consegui chorar. Vibrava a cada onda”, contou.  

Acidente e tratamento

19 de abril de 2011. Jacqueline Silva acordou cedo em Bells Beach, na Austrália, para treinar antes de participar de uma etapa do WCT. No caminho até a praia, a surfista foi pega de surpresa por um carro que colidiu de frente com o seu.

Por conta da batida, Jacque fraturou a patela do joelho direito e só foi saber da gravidade da lesão no hospital. “Estava vindo na minha mão, tinha acabado de sair de um sinal e um carro entrou na minha pista e veio direto em minha direção. Estava bem, mas assustada. Eu mesma saí do carro, não sentia nada”, afirmou.

Com dois parafusos no joelho para consertar o estrago causado pelo acidente, Jacque voltou para casa e começou o tratamento. Além da fisioterapia, todos os dias precisou fazer hidroterapia, natação e academia para recuperar a musculatura.

Ela considera que está em 70% da sua forma e pretende intensificar os treinamentos para voltar o quanto antes. “Ainda faço fisioterapia. Uso uma máquina dos Estados Unidos, que só tem uma em Santa Catarina, para fortalecer a penas. Foi bem difícil. Fiquei um mês e meio sem poder colocar o pé no chão”, disse.

O sonho de conquistar o mundo

O WCT começa no final de fevereiro, na Austrália. Jacqueline Silva não sabe como estará até lá e acredita que atingirá o seu auge durante a competição. Depois de tudo o que passou, ser campeã mundial seria um sonho. “Quero estar mais forte. Seria uma superação conquistar uma etapa. Já superei tudo isso. Olhando para trás, já é uma vitória. Já estou feliz da vida por ter voltado a surfar. Só dependia de mim. Sou bem determinada”, revelou.

Aos 32 anos, Jacque é a surfista mais velha do Circuito e sabe que nunca será a mesma no aspecto físico, mas isso não a impedirá de voltar a ser uma das melhores no esporte. Se voltar ao WCT, o objetivo é vencer, e utilizará a sua experiência para chegar ao título. “Eu tenho consciência de que uma perna nunca será igual a outra, mas posso chegar aos meus 100%. As adversárias são novas, sou a veterana. O que me ajuda é a experiência, paciência para escolher a melhor onda. Ganhar na estratégia. Dá para esperar uma vitória”, concluiu.

PERFIL

Nome:
Jacqueline Schveitzer da Silva
Nascimento: Florianópolis, 17 de julho de 1979 (32 anos)
Profissional desde: 1997
Principais títulos: Bicampeã WQS (Circuito de Acesso), em 2001 e 2007; e vice-campeã do WCT (Circuito Mundial), em 2002.

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