Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Com um terço da população da Capital, modelo de Jaraguá do Sul é dez vezes mais barato

Modelo a ser seguido

Com um terço da população da Capital, sistema de Jaraguá do Sul é dez vezes mais barato

A realidade da gestão dos resíduos no Brasil é marcada por um cenário bastante complexo e heterogêneo, sobre o qual pouco se tem conhecimento ou informação, que acaba por inviabilizar planejamento, investimentos e serviços apropriados. No entanto, nos últimos seis anos desde a aprovação da PNRS, algumas cidades têm se destacado justamente pela forma como tratam o lixo, como é o caso de Caxias do Sul, na serra gaúcha, e Jaraguá do Sul, no norte de Santa Catarina.

Com 475 mil habitantes e um volume diário de 450 toneladas, Caxias do Sul é pioneira na implantação da coleta mecanizada. Com um orçamento anual em torno de R$ 48 milhões para coleta e com um contingente de 260 funcionários, a cidade chega a desviar 20% de material reciclado do aterro sanitário de Rincão das Flores. Material que é destinado para sete associações oficiais —outras seis estão em processo de legalização— que envolvem 356 catadores.

A coleta seletiva em Caxias do Sul não é novidade e existe desde 1991. Mas o grande salto mesmo aconteceu em 2007, quando a Codeca (Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul), empresa de economia mista, espalhou os contêineres pelas ruas da cidade, dando início a mudança gradual do modelo de coleta porta a porta, como é o de Florianópolis atualmente, para o processo mecanizado.

“A coleta mecanizada trouxe uma série de benefícios à população. Com esse sistema, os moradores podem descartar o lixo a qualquer hora do dia ou da noite, sem se preocupar com o horário de coleta. Além disso, com o confinamento dos resíduos em contêineres, a cidade ficou mais limpa, reduzindo problemas com lixo espalhado nas ruas e com alagamentos na cidade”, aponta Paulo Balardim, presidente da companhia.

O sistema foi pensado para ser implantado em seis fases, e atualmente está em seu quarto estágio. Cada uma das etapas custou cerca de R$ 9 milhões. A cidade conta com cerca de 1.950 pares de contêineres para lixo orgânico (caixas verdes) e seletivo (caixas amarelas) que estão espalhados pelas quadras da cidade, atendendo uma população de 205 mil pessoas.

O custo da coleta tem preços diferenciados. Nos locais onde ainda vigora o modelo porta a porta, o cidadão paga R$ 157 mensais. Já na área com contêineres, o valor dobra, e é de R$ 322. “Hoje, as pessoas em Caxias do Sul não saem de casa sem passar por um contêiner. O modelo é grande sacada para manter a cidade limpa e os resíduos organizados”, emenda Balardim.

Um dos grandes desafios da cidade na serra gaúcha atualmente é transformar a liberação do gás metano no aterro de Rincão das Flores, inaugurado em 2010 e também operado pela Codeca, em energia. “O lixo é uma grande riqueza e o Brasil ainda não se preocupa com isso, temos propostas para gerar energia, mas que ainda não são viáveis, mas trabalhamos para isso.”.

Modernização da coleta custará R$ 36 milhões - Bruno Ropelato
Em Florianópolis coleta é feita manualmente com equipes de um motorista e três garis- Bruno Ropelato



A mais eficiente de SC

Em Jaraguá do Sul, cidade com pouco mais de um terço da população de Florianópolis (163 mil habitantes), o custo da coleta para os cofres públicos chega a ser dez vezes menor que o da Capital, girando em torno de R$ 12 milhões por ano. Mas o que mais chama a atenção são os índices de eficiência do serviço em Jaraguá. No ano passado, a cidade atingiu a marca de 407 toneladas de material reciclado por mês, chegando à 15,6% de reciclado do total recolhido, se tornando a cidade que mais recicla em SC.

Antes do modelo implantado através do programa Recicla Jaraguá, em dezembro de 2013, a cidade conseguia reciclar apenas 3% de todo o resíduo recolhido. E desde a implantação do programa, o volume de material desviado do aterro sanitário de Mafra não para de subir. A expectativa do município é chegar a 30% nos próximos anos, alcançando ainda mais economia com o custo da destinação final. Atualmente, a coleta seletiva, que começou a ser incentivada através da distribuição de sacos verdes aos moradores, gera emprego e renda para 150 catadores associados de 10 cooperativas.

Coleta mecanizada custará R$ 36 millhões em Florianópolis

Realidade em diversas cidades brasileiras, a implantação da coleta mecanizada ainda é um sonho distante para Florianópolis. O modelo, adotado em diversas partes do mundo, tem se tornado alternativa aos municípios brasileiros que buscam eficiência e redução de custos.

Iniciada por Caxias do Sul (RS), que buscou a inspiração nos modelos utilizados em Roma (Itália), Edimburgo (Escócia), Paris (França), Antuérpia (Bélgica), Santiago, Viña Del Mar (Chile), Montevidéu (Uruguai) e Caracas (Venezuela), a coleta mecanizada hoje está presente em cidades brasileiras como São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Uberlândia (MG), Campinas (SP) e em Chapecó, no oeste catarinense.

O modelo é destacado pela eficiência, funciona 24 horas por dia capaz de separar reciclados dos rejeitos, e pela economia, menos caminhões circulando pela cidade e menos funcionários para realização do trabalho.

“A implantação da coleta automatizada é uma solução que visa eficiência e redução de custos. É uma mudança bastante importante tanto no comportamento do morador quanto na logística da coleta. O morador passa a se deslocar até 50 metros em troca da facilidade de não precisar mais estocar os resíduos no domicílio, porque terá um contentor disponível na rua 24 horas por dia nos 365 dias do ano”, aponta Bagnatti.

Em Florianópolis, a implantação está projetada pela Comcap para três principais setores, a área central, Continente e o Norte da Ilha, ao custo de R$ 36 milhões. Otimista, o presidente da Comcap estima que o modelo possa começar a ser implantado na cidade já no próximo ano.

Modernização do sistema

R$ 36 milhões: Modernização e mecanização da coleta seletiva

R$ 5,2 milhões: Centro de Transferência Norte da Ilha

R$ 4,3 milhões: Centro de Transferência Sul da Ilha

R$ 2,4 milhões: Centro de Transferência área continental

R$ 11,5 milhões: Centro de Triagem Automatizado de Res. Sólidos Seletivos

R$ 1,8 milhões: Usina de resíduos da construção civil