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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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VÍDEO. Neto de Miró comenta a exposição "A Força da Matéria", que abre no sábado

Mostra no Masc, em Florianópolis, reúne 112 obras do artista catalão

Marciano Diogo
Florianópolis
Flávio Tin/ND
Joan Punyet Miró participou da pré-abertura da mostra, que toma o Masc com 112 obras, sendo seis delas inéditas em exposições

 

“O homem não é nada, sua obra é tudo”. É parafraseando o pensador Sartre que Joan Punyet Miró, neto do artista Joan Miró, explica o legado de seu avô para a história da arte. Punyet Miró, que veio a Florianópolis para a pré-abertura da exposição histórica “Joan Miró: A Força da Matéria”, ressalta constantemente a importância do artista catalão diante da desconstrução do conceito de arte. “O diálogo das obras de Miró com o Brasil vem da natureza. A natureza daqui é muito semelhante a que Miró abraçou na Catalunha. Essa ligação forte com a mãe natureza, com as árvores, os rios, os mares, tudo isso está muito presente na arte brasileira e também na arte de Miró. Essa é uma exposição particularmente humana e familiar”, afirma o neto sobre a mostra que terá abertura para o público no sábado e segue até novembro na Capital.

:: Assista ao vídeo com Joan Punyet Miró
 

 

E é fato: a ousadia de Joan Miró mudou para sempre a arte. O multiartista afirmou em diversas ocasiões que queria “assassinar” a pintura – talvez com a intenção de ressignificar qualquer movimento artístico. Com a utilização de técnicas e materiais inusitados, Miró construiu o surrealismo e desconstruiu padrões estéticos anteriores. Simpático e apaixonado, o neto do multiartista, que continua em Florianópolis até este fim de semana, explica que o trabalho do avô foi determinante para as vanguardas modernistas da arte. “Ele era voltado para a introspecção e acreditava que é necessário olhar para dentro para entender o que acontece fora, e é neste movimento que você consegue encontrar toda a verdade. Quando você olha para dentro, você vai fundo, quando olha para fora, fica raso”, observa Punyet Miró.

A pré-abertura de“Joan Miró: A Força da Matéria” contou com a presença do presidente da Arteris, David Díaz, patrocinadora da mostra no Brasil, e da diretora da Fundação Joan Miró de Barcelona, Rosa Maria Malet, que ressaltou a qualidade da infraestrutura do Masc (Museu de Arte de Santa Catarina). “As condições do museu são perfeitas para receber a exposição e a disposição das obras também está excelente”, constatou.

A exposição, que recebeu mais de 400 mil visitantes em São Paulo, exibe 112 obras: 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 26 gravuras e três objetos (pontos de partida de esculturas), além de fotografias. As peças pertencem à Fundação Joan Miró, de Barcelona, e a coleções particulares - 40 obras são da própria família e seis delas nunca haviam saído da casa do artista.

Surrealismo de Miró

Seja queimando, quebrando ou rasgando telas, ou até mesmo produzindo esculturas com materiais como troncos, tampas de panela ou pedaços de brinquedos, Joan Miró, junto de seus contemporâneos como Picasso e Dalí, mudou a história da arte por ressignificar o sentido da mesma. Com a “antipintura” e a “arte-têxtil”, as obras do pintor, escultor e gravurista procuram provocar a reflexão diante da diferenciação entre beleza figurativa estética e beleza sentimental. Amigo do poeta brasileiro João Cabral de Melo Neto, Miró buscou novas formas de utilização da matéria e, para isso, experimentou os mais heterogêneos materiais, transformando-os por meio de inesperados procedimentos técnicos.

A exposição divide a carreira do artista catalão em três fases: anos 1930 e 1940, em que o pintor rompe com as escolas tradicionais e explora a imensidão do surrealismo, nos anos 1950 e 1960, que traz a presença maior de diferentes técnicas e experimentações dos materiais no campo da escultura, e nos anos 1970, em que o versifica ainda mais seu trabalho, questionando o sentido da arte com gravuras. Joan Miró morreu em 1983 com 90 anos de idade, e produziu até o fim de sua vida.

O quê: Exposição “Joan Miró: A Força da Matéria”.
Quando:
12/9 até 15/11
Onde:
Masc, CIC, av. Irineu Bornhausen, 5600, Agronômica, Florianópolis, tel. 3953-2380.
Quanto:
Gratuito.

Turnos de visitação – prepare-se para o surrealismo:

10h às 12h;
13h às 16h;
17h às 19h (de terça-feira a sábado) e das 17h às 18h (aos domingos e feriados).

A distribuição de senhas será realizada 30 minutos antes de cada turno.

Mais importante do que a obra de arte propriamente dita é o que ela vai gerar. A arte pode morrer; um quadro desaparecer. O que conta é a semente”.

 

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