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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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Conheça a história do florianopolitano que se tornou pesquisador de destaque em Sanford, nos EUA

Aldo Vieira da Rosa figura como um dos pioneiros no desenvolvimento da aviação do país

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis

Chamado de “gênio” pelo físico Rogério Cezar de Cerqueira Leite, ele próprio uma sumidade entre os cientistas brasileiros, o catarinense Aldo Weber Vieira da Rosa morreu aos 97 anos no dia 8 deste mês na cidade americana de Palo Alto, na Califórnia. Filho de general José Vieira da Rosa (1869-1957), militar com atuação destacada na Guerra do Contestado, e criado no Rio de Janeiro, o pesquisador e professor da Universidade de Stanford, além de figurar como um dos pioneiros no desenvolvimento da aviação no país, entrou para a história como criador do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e presidente do não menos prestigioso CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Em sua terra, no entanto, ele era pouco conhecido.

Divulgação/ND
Aldo foi professor na Universidade de Stanford

 

Militar de carreira, graduado na Escola Militar do Realengo e na Escola Brasileira de Aeronáutica, no Rio, Vieira da Rosa sempre foi um apaixonado pela aviação e pelo esporte, a ponto de ser um dos precursores do voo a vela (com planadores) no Brasil e destacado nadador master que quebrou 99 recordes americanos e 37 mundiais nessa modalidade. Nadou até os 91 anos e foi incluído no hall da fama da International Masters Swimming em 2004. E era, segundo os parentes e aqueles que o conheceram, uma figura bem-humorada e irrequieta, dotada de grande erudição. “Passei três dias em Palo Alto em julho do ano passado e ele continuava muito ativo”, conta a sobrinha Iza Vieira da Rosa Grisard, 78 anos, que mora em Florianópolis.

Entre os muitos trabalhos realizados por Vieira da Rosa destaca-se a publicação do livro “Fundamentals of Renewable Energy Processes”, que Rogério Cerqueira Leite considera “o mais completo compêndio sobre energia renovável, adotado em diversas universidades e institutos de pesquisa de todo o mundo”. Ele deixou o Brasil nos anos 60, após atuar também como professor da Unicamp (Universidade de Campinas), para fazer doutorado e mais tarde ser professor em Stanford, onde montou um laboratório de ponta na área de pesquisas sobre a estratosfera. Seu vínculo mais constante com o Brasil se dava pela publicação de artigos na seção Tendências/Debates da “Folha de S.Paulo”.

Professor até os 90 anos

Nascido em Florianópolis em 15 de novembro de 1917, Aldo Vieira da Rosa morou com a família na rua Blumenau, hoje Victor Konder. Estudou na Escola Alemã, na rua Nereu Ramos, e por volta dos 10 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde realizou toda a formação militar. Na década de 1940, fez o curso de engenharia eletrônica na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, ajudou a implantar um setor industrial privado voltado para a produção de equipamentos eletrônicos de uso aeronáutico. “Esse período resultou no estabelecimento de uma indústria mais séria no Brasil”, escreveu Vieira da Rosa. “É um trabalho do qual tenho bastante orgulho”.

Um de seus feitos foi ter sido piloto do primeiro voo de ensaio do protótipo do helicóptero BF-1 Beija-Flor, desenvolvido no Brasil no final dos anos 50. Aposentou-se como general de brigada da FAB (Força Aérea Brasileira), em 1965, mesmo ano em que concluiu o doutorado em Stanford. Lecionou até depois dos 90 anos nos estados Unidos, como professor emérito. Recebeu do governo brasileiro, em 2010, a Ordem Nacional do Mérito Científico, que premia personalidades que se distinguiram por contribuições relevantes à ciência e tecnologia.

De acordo com a sobrinha Iza Vieira Grisard, que é pesquisadora e trabalha como voluntária no IHG-SC (Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina), Aldo preparava uma autobiografia, que não chegou a concluir. Casado durante 70 anos com a finlandesa Aili da Rosa, deixou três filhos, cinco netos e três bisnetos. Um de seus irmãos, Paulo Gonçalves Vieira da Rosa (1898-1988), foi prefeito de Florianópolis de outubro de 1964 a janeiro de 1966 e secretário de Segurança Pública do Estado entre 1966 e 1971.

 

A CARREIRA

Professor associado de eletrônica no ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica)

Fundador e primeiro diretor do IPD (Instituto de Pesquisas e Desenvolvimento)

Um dos fundadores e presidente do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)

Fundador da divisão de Pesquisas e Padronização da Diretoria de Rotas Aéreas, do Ministério da Aeronáutica

Fundador Codetec (Companhia de Desenvolvimento Tecnológico), ligada à Unicamp

Organizador e presidente do Gocnae (Grupo de Organização da Comissão Nacional de Atividades Espaciais), atual Inpe, do qual foi o primeiro diretor

Um dos pioneiros do voo a vela no Brasil, junto com pesquisadores e técnicos alemães do CTA, atual DCTA (Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial) 

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