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Torcedores fazem orações pelo heróis da Chapecoense

População fez vigília em memória aos atletas, dirigentes e jornalistas

Rosa Sulleiro e Hector Velasco, AFP
Chapecó
30/11/2017 às 09H27

Chapecó emudeceu na madrugada desta quarta-feira quando os sinos da Catedral dobraram na mesma hora em que há um ano aconteceu o maior pesadelo da história da cidade: o acidente que lhe arrancou a equipe do coração. À 1h15 locais, a cidade recordou a tragédia das montanhas de Medellín, onde há 12 meses caiu o avião que transportava a equipe da Chapecoense para a final da Copa Sul-Americana.

"Foi doloroso quando tocaram os sinos, porque me levaram para aquela montanha, no momento do impacto na Colômbia, mas são coisas que temos que pssar", disse o jornalista Rafael Henzel, o único dos seis sobreviventes que compareceu à cerimônia. O jornalista disse que desejava celebrar o que considera seu "primeiro ano de vida" honrando a memória das 71 pessoas que morreram na tragédia.  Ninguém na cidade esquece a equipe que em apenas sete anos saiu das divisões de acesso no Brasil e chegou a uma final continental.

Torcedores saíram em passeata por Chapecó - Nelson Almeida/AFP/ND
Torcedores saíram em passeata por Chapecó - Nelson Almeida/AFP/ND


Em uma igreja repleta e adornada com o verde e o branco da Chapecoense, Maria Inês Muniz não conseguia segurar o choro: "não tenho palavras, Chapecó se recuperou um pouco mas nunca voltará a estar 100% porque foi uma tragédia muito triste para muita gente". Como Maria, muitos começaram a chorar quando os sinos tocaram.
Antes, uma marcha silenciosa percorreu a cidade a partir da Arena Condá, com a presença de familiares de várias das vítimas, muitos com camisetas estampadas com os rostos de seus entes queridos mortos no acidente. Um violão tocava "Vamos, vamos, Chape" e várias pessoas se abraçaram entre lágrimas antes da intervenção do bispo.

Lágrimas no estádio

Na Arena Condá, um buquê de flores branco no centro do gramado de luto e a torcida cantando para o céu marcaram um dos momentos mais emotivos da noite. "Saudade. Para sempre na nossa história, eternamente em nossos corações!", lia-se num cartaz na entrada do estádio, onde há exatos 12 meses começaram a chegar seus torcedores desesperados.

Alisson da Cruz, um jovem que cresceu com o milagre deste clube, que em sete anos passou da quarta divisão a finalista continental, nunca se esquecerá daquela noite. "Foi uma notícia triste. Lembro de acordar de madrugada com a notícia na TV já. Foi um momento muito triste, de choque para todo mundo. Ninguém acreditava, parecia que era um sonho", contou este auxiliar administrativo de 23 anos, que chega ao estádio vestindo a camisa e o gorro verdes do clube.

"Foi o dia mais triste, acho, da cidade de Chapecó e não tem explicação, a gente fica muito emocionada ao lembrar", conta, com a voz embargada, Miriam Macari, gerente de 27 anos, que não tinha conseguido voltar ao estádio desde o acidente.

Após um ano se equilibrando entre a dor, a saudade e a necessidade de seguir adiante, o clube decidiu não realizar nenhum ato em "respeito a quem ficou e respeito às boas lembranças", mas abriu as portas de sua casa.

Prefeitura de Chapecó anuncia ampliação e modernização da Arena Condá, que receberá 30 mil torcedores ao fim das obras
(Diogo Maçaneiro)

Se o time está em reconstrução, o estádio da Chapecoense também faz parte desta mudança. Em outubro deste ano, a prefeitura de Chapecó assinou um convênio com o Ministério do Esporte por meio da Caixa para ampliação e modernização da Arena Condá. O valor para a primeira etapa das obras está orçado em R$ 16 milhões e o prazo de execução é até 31 de dezembro de 2018.

A Arena foi inaugurada em 24 de janeiro de 1974, com o nome de Estádio Regional Índio Condá. De lá para cá passou por uma grande ampliação a partir de 2007, com as obras de ampliação das alas Sul, em 2009, Norte, em 2010, e Leste, em 2013 e desde então comporta 20 mil pessoas.

Com as obras, planejadas em sete etapas e ainda sem prazo para serem concluídas, a capacidade aumentará para 30 mil torcedores, o maior de Santa Catarina com espaço diferenciado para visitação. “A parte mais importante desta primeira etapa é o museu, que vai guardar os 43 anos de história da Chapecoense, passando principalmente pelo nosso momento mais triste, que foi o acidente de 29 de novembro do ano passado”, explica o prefeito Luciano Buligon.

Esta etapa prevê também a construção de camarotes e cabines de imprensa mais modernas, além de cobertura no setor leste. Atualmente os espaços reservados às rádios e TVs são praticamente compartilhados com torcedores das cadeiras cobertas e vendedores de bebidas. Em dia de grande lotação, formam-se filas grandes nos banheiros e nos acessos aos locais de transmissão.

>> Estádios catarinenses

Arena Joinville – JEC – Capacidade 19.000
Arena Condá – Chapecoense – Capacidade 20.000
Heriberto Hülse – Criciúma – Capacidade 19.300
Orlando Scarpelli – Figueirense – Capacidade 19.500
Ressacada – Avaí – Capacidade 18.000

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