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Reconstruindo sua história, Chape comemora permanência na Série A

Sem ser “café com leite” Chapecoense honra Santa Catarina e se mantém na elite em 2018

Diogo Maçaneiro, especial para o Notícias do Dia
Florianópolis
29/11/2017 às 11H21

Assim como em 3 de de­zembro de 2016, quando os corpos das vítimas do voo da Chapecoense chegaram no aeroporto municipal Serafin Bertaso, chovia muito em Cha­pecó na noite de 17 de novembro deste ano. Foi debaixo de muita água que a Chapecoense ga­nhou do Vitória por 2 a 1 e con­firmou, matematicamente, a manutenção na elite do futebol brasileiro em 2018. 

Quando Anderson Daronco ergueu os braços e encerrou o confronto, os pouco mais de 7 mil torcedores presentes can­taram aliviados, pois o princi­pal objetivo da temporada era alcançado, e por antecipação. O grito de “Vamo, vamo Cha­pe” entoado na arquibancada ecoou para o vestiário do time, onde jogadores, comissão téc­nica e dirigentes celebravam a conquista, assim como era feito pelos atletas que se foram.

Vale lembrar também que se chegou a cogitar, no fim do ano passado, que a Chapecoen­se ficaria livre de rebaixamento nesta temporada para que pu­desse se recuperar financeira e tecnicamente. O clube negou a oferta dos clubes da Série A e por seus próprios méritos man­tém o Oeste catarinense na pri­meira divisão pela quinta tem­porada seguida.

Quis o destino que a ocasião reunisse num único local o trei­nador responsável por executar em campo o plano de reconstru­ção. Vagner Mancini foi contra­tado em dezembro para ser o técnico do time em 2017. Foi cam­peão catarinense em cima do Avaí em casa, mas os maus re­sultados na Série A culminaram com a sua demissão em julho.

O diretor de futebol da Cha­pecoense Rui Costa avalia a temporada como a de união entre clube e cidade. Para ele, o título estadual foi fundamen­tal para a sequência positiva do trabalho. “Nós conseguimos dar uma volta olímpica no nos­so estádio diante do nosso tor­cedor. Conseguimos fazer disso um grande gesto de conexão e de eternização daqueles que nos deixaram. Era fundamental para nós trazermos novamente a alegria para o nosso torcedor. Alegria que eles [atletas que morreram] proporcionaram. Talvez seja a maior conexão en­tre passado, presente e futuro o torcedor olhar para esse nosso time como olhava para o outro, que sempre será o nosso time também”, explicou.

Atletas e comissão técnica comemoram permanência na Série A após jogo contra o Vitória - Sirli Freitas/Divulgação/ND
Atletas e comissão técnica comemoram permanência na Série A após jogo contra o Vitória - Sirli Freitas/Divulgação/ND



Dois próximos anos serão de consolidação

Com 2017 superado, naturalmente o planejamento de 2018 já entra em pauta. A diretoria monitora o mercado em busca de reforços, renovou com alguns jogadores, como o goleiro Jandrei e o atacante Arthur Caike, cujos contratos foram ampliados até 2021, e espera aproveitar atletas da base para o ano que vem. “Nosso compromisso, primeiramente, é com esse grupo aqui para depois mapear o mercado, mas é evidente que já estamos monitorando o mercado. O torcedor pode ter certeza de que 2017 foi o alicerce da reconstrução para que possamos viver um clube por cem, duzentos, trezentos anos”, projetou Rui Costa.

A fala do dirigente dá uma pista de como será o trabalho de montagem do time para 2018. A ideia é manter a espinha dorsal, se reforçar pontualmente e apostar na garotada em busca de espaço. A fórmula de sempre de um clube com orçamento restrito na Série A. “Temos hoje quase dez atletas da base no profissional. A ideia ano que vem é potencializar isso. É o futuro do clube”.

A primeira Libertadores

Ao ser declarada campeã da Sul- Americana 2016 pela Conmebol, num gesto de solidariedade do Atlético Nacional-COL, a Chapecoense ganhou o direito de jogar a Libertadores. Em campo, o time fez uma campanha suficiente para chegar à fase de oitavas de final, mas uma trapalhada acabou por tirar pontos do clube e o sonho da América ficou na fase de grupos.

Segundo a Conmebol, o time escalou de forma irregular o zagueiro Luiz Otávio na vitória contra o Lanús-ARG e tirou os pontos do time brasileiro no grupo 7. À época, os dirigentes da Chape afirmaram terem sidos induzidos ao erro. De acordo com a defesa, o clube não havia sido comunicado oficialmente sobre a situação do atleta, suspenso por três jogos em competições sul-americanas, mas que teria cumprido apenas um, pela expulsão diante do Nacional-URU.

Apesar da decepção, Costa exalta o bom futebol desempenhado pelo time. “A Chapecoense mostrou suas características na Libertadores. A primeira Libertadores da Chapecoense. Fizemos uma grande partida diante do Atlético Nacional, apesar de termos perdido a Recopa”

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