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Prefeitura de Florianópolis busca recursos para recuperar estragos causados pela ressaca

A estimativa da Defesa Civil da Capital é que o prejuízo ultrapasse os R$ 10 milhões

Michael Gonçalves
Florianópolis
26/09/2017 às 12H24

Com o decreto de situação de emergência 17.959/17, assinado no dia 13 de setembro pelo prefeito Gean Loureiro (PMDB), o município contabiliza os prejuízos das últimas ressacas e busca apoio da Secretaria Nacional de Defesa Civil para recuperar rampas, escadas, deques e postos salva-vidas das cinco praias destruídas. A limpeza dos entulhos e de outros materiais revirados pelo mar e a iluminação pública também estarão na conta que precisa ser fechada e encaminhada até quinta-feira, pelo prazo legal de 15 dias. A estimativa do diretor da Defesa Civil de Florianópolis, Luiz Eduardo Machado, é de que o prejuízo ao patrimônio ultrapasse R$ 10 milhões. A recuperação das praias foi orçada em R$ 4 milhões.

Atualmente Canasvieiras tem entre 5 e 15 metros de faixa de areia - Carlos Bortolotti/Especial/ND
Atualmente Canasvieiras tem entre 5 e 15 metros de faixa de areia - Carlos Bortolotti/Especial/ND



A meta do prefeito é deixar as praias prontas para a temporada até 15 de dezembro. “A ressaca e seus estragos têm nos causado grande preocupação. Acompanhamos a evolução dos estragos na orla da cidade e levantamos os prejuízos para buscar junto a Brasília, nesta semana, recursos para uma recuperação rápida, evitando grandes transtornos na nossa temporada de verão”, afirmou Gean.

Somente com os gastos em iluminação pública, com postes derrubados e soterrados pela força das ondas, a fatura é de R$ 165 mil. O levantamento da Defesa Civil também contou a necessidade de reconstrução de seis postos salva-vidas. Em várias praias, as “casinhas” precisaram ser amarradas para não serem levadas e destruídas pela ressaca. Machado prevê que serão necessários 45 dias de trabalho para limpeza e reconstrução dos acessos. “Nosso objetivo é entrar nas praias no final de outubro, porque também só poderemos trabalhar com o auxílio da maré. O nosso trabalho será retirar todo o material de entulho e destiná-lo. Ninguém vai repor faixa de areia neste momento, porque esse serviço depende de estudos e de autorizações ambientais”, esclareceu.

Machado prevê 45 dias para a limpeza das praias - Flávio Tin/ND
Machado prevê 45 dias para a limpeza das praias - Flávio Tin/ND


O diretor da Defesa Civil destaca o fenômeno da maré dos sete anos, que tem registro no Atlas de Desastres Naturais do Estado de Santa Catarina. “Além de 2010, também encontramos registros de ocorrências de mar agitado e com ondas elevadas em 2003. Esse é um fenômeno que acontece de sete em sete anos, sempre de maio a setembro”, confirmou.


Avaliação prevê engordamento da faixa de areia de Canasvieiras em 45 metros


Atualmente, a faixa de areia de Canasvieiras oscila no tamanho em função de estabelecimentos comerciais. Quando a maré permite, os banhistas têm de cinco a 15 metros de praia. Preocupado com a falta de espaço para tantos visitantes durante a temporada de verão, o diretor da regional de Canasvieiras da Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), Simoney do Nascimento, reuniu 160 convidados com o objetivo de apresentar uma sugestão para o engordamento da faixa de areia. “Os comerciantes, empresários e moradores estão preocupados com a temporada de verão. O medo é que sem a faixa de areia os visitantes façam a opção por outros balneários. Em função disso, reunimos o prefeito Gean Loureiro, o superintendente de Turismo Vinícius de Lucca e todos os associados da Acif para a apresentação do pré-projeto. Pelo custo, a solução seria uma empresa formar uma parceria com o setor público”, afirmou. 

O oceanógrafo e sócio-diretor da Atlântico Sul Consultoria, Maurício Torronteguy, fez a avaliação sobre a praia de Canasvieiras. O cálculo para fazer o engordamento é de 600 mil m³ de areia e a fixação de molhes. “Como associado da Acif e morador do Norte da Ilha quis contribuir com a discussão e apresentamos uma avaliação sobre a situação. Estudos comprovam que estamos perdendo 50 centímetros por ano de faixa de areia e a nossa intenção é apresentar uma solução viável. A faixa de areia ficaria com 45 metros e seria uma obra para durar dez anos, se outras intervenções não forem realizadas”, contou.

O plano para o engordamento da faixa de areia prevê a reposição de dunas ou da vegetação. “Precisamos pensar de que se trata de um projeto de recuperação ambiental, onde um estudo mais aprofundado deve apontar o que precisa ser feito de acordo com as correntezas”, comentou Maurício.
O valor total ficaria em R$ 25 milhões, com variação de 20% para mais ou para menos.

Custos do engordamento de Canasvieiras

Estudo de viabilidade e projeto básico: R$ 1 milhão
EIA-Rima: R$ 1,5 milhão
Contratação e gerenciamento da obra: R$ 2,5 milhões
Estruturas de fixação (molhes): R$ 2 milhões
Engordamento de 600 mil m³: R$ 18 milhões
Total: R$ 25 milhões (margem de erro de 20%)

Fonte: Atlântico Sul Consultoria

Soluções de engenharia podem recuperar ou preservar as praias


O oceanógrafo João Luiz Baptista de Carvalho, da Univali, destacou diversas soluções de engenharia para preservar as praias de Florianópolis ou recuperá-las. “Cada praia tem a sua peculiaridade, porque elas se comportam de maneira diferente. Mesmo assim, o engordamento da faixa de areia, a construção de molhes, espigões marítimos e quebra-mar são algumas das possibilidades”, afirmou. 

A última grande destruição por força de ressaca na Ilha foi em 2010, quando um enrocamento precisou ser construído na praia da Armação. No mesmo ano, Campeche e Barra da Lagoa também foram atingidas pela força do mar. O geólogo Rodrigo Sato observa que a erosão dos atuais eventos é muito maior do que a força do mar para se recuperar. “Um exemplo é a praia da Armação, no Sul da Ilha. Com o enrocamento construído há sete anos, a praia não recuperou a faixa de areia em razão das pedras. É por isso que algo precisa ser feito para que o município não sofra com a redução do turismo pela falta da faixa de areia”, concluiu.

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