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Parte de praia no Sul da Ilha, em Florianópolis, desapareceu por completo após ressaca

Na praia do Caldeirão do Morro das Pedras, o mar ainda destruiu parte da faixa de restinga

Michael Gonçalves
Florianópolis
26/09/2017 às 12H31

A praia do Caldeirão do Morro das Pedras não é local para quem é principiante. Conhecida pelo mar com grandes ondas e um enorme degrau de areia, a praia em frente à Lagoa do Peri passou pela maior transformação entre as cinco praias atingidas em Florianópolis. A faixa de areia em determinado ponto deu espaço para as pedras, que foram descobertas pelas ondas. Aos 64 anos, o aposentado Pedro Simão se tornou um pescador e vai ao Caldeirão três vezes por dia. “Pela manhã pescamos anchova e nos outros períodos pegamos papa-terra, cocoroca e outros peixes. A praia perdeu quase 100 metros de faixa de areia e dois metros de altura. A areia fina não deve retornar, mas a mais grossa o mar deve trazer de volta”, disse.

Pedro Simão é pescador e costuma ir ao local três vezes por dia - Flávio Tin/ND
Pedro Simão é pescador e costuma ir ao local três vezes por dia - Flávio Tin/ND



A força do mar também destruiu parte da faixa de restinga que ainda está preservada nesta praia. O mar cavou alguns metros da vegetação. Alguns moradores chegaram a comentar o receio com o risco de salinização da Lagoa do Peri, mas a Casan afirmou por meio de nota que a estação de tratamento foi projetada para evitar essa situação.

Além disso, as pedras colocadas para a construção da SC-406 estão se soltando. Em determinado ponto da rodovia, uma pedra abriu uma cratera a um metro do acostamento. “As nossas guarnições estão passando pelo local e fotografando a região. Já comunicamos ao comando geral sobre a necessidade da mudança dos postes de iluminação para o outro lado da rodovia. Caso haja um avanço na erosão, o fechamento de uma das pistas não está descartado”, explicou o comandante do posto do Sul da Ilha da Polícia Militar Rodoviária, sargento Demilson Sebastião Rosa.



“Correnteza cava com o vento norte”

A transformação da praia do Caldeirão reúne dezenas de curiosos que estacionam no bolsão utilizado como mirante no Morro das Pedras. O aposentado Ademar Valdemiro dos Santos, 69 anos, estava com o filho Rodrigo, 43, observando os estragos da ressaca. “Antes de estourar, esse canto dava muito peixe. A correnteza aqui cava com o vento norte e retira com o vento sul. Apesar de tanta destruição, acredito que a faixa de areia vai se recuperar com o passar dos meses”, disse.


Sacos de areia para evitar mais destruição no Matadeiro

A praia do Matadeiro é um paraíso escondido e preservado ao lado da Armação. O acesso é feito por meio de uma trilha entre a mata. No caminho havia uma prainha que, segundo os moradores, sumiu há mais de dois meses. O artista plástico Osmar Carvalho Flores, 63, mora há 25 anos no Matadeiro e disse que o saco de areia é opção de segurança de alguns comerciantes e moradores.
Para Flores, a praia precisa de rampas de acesso da trilha até a faixa de areia. “Todos os meses de setembro sofremos com a maré alta, mas este ano veio mais forte. E dependendo da correnteza, o mar retira e traz a areia para a praia. Isso é apenas um reflexo dos fenômenos da natureza que estão acontecendo pelo planeta”, afirmou.

Osmar Flores mostra a situação da praia depois da ressaca - Flávio Tin/ND
Osmar Flores mostra a situação da praia do Matadeiro depois da ressaca - Flávio Tin/ND

Apesar da altura da maré, a pior dificuldade era o acesso pelo que sobrou da faixa de areia. O fotógrafo Osmarino Matos, 61, frequenta a praia há 40 anos. “Sou da geração de surfistas que brigavam com os pescadores em busca de espaço no mar. Hoje todos convivem pacificamente e estão assustados com a frequente ressaca”, disse. Com menos de um quilômetro de extensão, a praia perdeu a faixa de areia durante os dias de ressaca.

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