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Outubro Rosa: mulher que sobreviveu a um câncer de mama esbanja saúde e bom humor

Aos 56 anos, Rita Tichz, concilia o trabalho com o voluntariado, as viagens e o amor pela vida

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
29/09/2017 às 18H02

Estou maravilhosamente bem”, responde Rita Tichz, 56, quando perguntada sobre como se sente, nove anos após descobrir um câncer e seis anos depois da reconstituição mamária que lhe devolveu a autoestima. Como alguém que ganha na loteria, ela diz que sua vida se divide em dois períodos – o anterior e o que sucedeu a cirurgia. Hoje, em plena atividade, concilia trabalho com o voluntariado, as viagens, a diversão, a praia, a dança cigana, enfim, tudo o que tem o direito de fazer. Afinal, ao contrário de outras mulheres que passaram por experiência semelhante, ela tirou a sorte grande na loteria da vida, sobreviveu e vende saúde, bom humor, otimismo – e não para de fazer planos.

Otimista, Rita não quer parar de fazer planos - Daniel Queiroz/ND
Otimista, Rita não quer parar de fazer planos - Daniel Queiroz/ND



Rita é uma das quatro mulheres que o Notícias do Dia entrevistou em 2012 e que traziam em comum a provação de ter parte do corpo extirpada por causa da doença. Três delas já haviam conseguido reconstruir a mama, e a quarta estava na fila de espera do SUS (Sistema Único de Saúde). Infelizmente, passados cinco anos, apenas Rita está viva. “Lido bem com a ideia da morte, mas não foi fácil ficar sem as amigas”, diz ela, rememorando o trabalho no Gama (Grupo de Apoio às Mulheres Mastectomizadas), que continua firme mesmo com a perda de seus membros. “Elas estavam bem, a gente era bem unida”, recorda Rita, falando das afinidades que as aproximavam.

Rita na reportagem do ND há cinco anos, quando ainda se recuperava do tratamento - Daniel Queiroz/ND
Rita na reportagem do ND há cinco anos, quando ainda se recuperava do tratamento - Daniel Queiroz/ND


Como portadora do bilhete premiado, Rita goza as benesses do destino, que lhe deu uma segunda chance. Como fazia quando os filhos eram pequenos, viaja de ônibus para lugares que não conhece e, com a equipe do Gama, passa alguns dias do ano num hotel fazenda – programa só de mulheres, adverte, exceto o motorista, em solitária minoria. Já conheceu Maceió (AL) e voa com frequência para Passo Fundo (RS) e Chapecó, onde vive a maior parte dos parentes. A próxima viagem, se tudo correr bem, será para Portugal, e depois virão as regiões do Brasil que ainda não visitou. “Antes, pensava só nos filhos, nas outras pessoas; depois da doença, aprendi a me valorizar mais”, afirma.

Muita fé e apoio da família

Dentro ou fora do período do Outubro Rosa, o grupo Gama continua fazendo campanhas, difundindo a necessidade de prevenção do câncer e, quando necessário, pressionando e fazendo manifestações a favor do Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas), onde costuma faltar dinheiro até para o café e a bolacha dos pacientes. “Estamos fazendo a nossa parte”, enfatiza Rita Tichz, que vem de uma família de 14 irmãos, filhos de agricultores, e que ainda na adolescência aprendeu a se virar, trabalhando para ganhar a vida na cidade grande.

Separada, ela criou os três filhos – de 31, 28 e 19 anos – que, assegura, a apoiaram muito quando precisou ser operada e fazer quimioterapia. “Eles me chamavam de careca e de Buda”, recorda Rita, aos risos.

No câncer, a cura depende muito da fé em Deus, da vontade de viver e do apoio da família, garante Rita, que administra uma loja de tintas no Rio Tavares. “Sei de casos em que os familiares achavam que ‘não era aquilo tudo’ quando o doente se queixava de dores. Isso machucou o nosso grupo, porque há pessoas que sofrem 24 horas por dia e não podem ser chamadas de ‘manhosas’. No meu caso, que resultou numa mastectomia radical, a doença foi descoberta cedo e hoje só faço o acompanhamento médico correto. No entanto, há muitas mulheres na fila, que continua afunilando em Florianópolis, para onde vêm pacientes de todo o Estado. Muitas vezes, elas chegam de manhã e passam o dia sem comer, por falta de dinheiro”, diz.

Feliz e falante, Rita diz que sua postura a ajudou a dar a volta por cima. “Quero viver bem, viajar, aproveitar o tempo, sem dar chances para a depressão que ataca muitas pessoas que adoecem”, afirma. “O universo nos devolve o que damos para ele em energias positivas”.

 

 

PROGRAMAÇÃO
Outubro Rosa em Florianópolis

01/10 - 20h

Espetáculo “Um canto pela vida” – Vozes de Santa Catarina, no Centro de Eventos da UFSC

1 a 31/10

Mobilização de centros de saúde de Florianópolis e São José

1 a 31/10

Fila Zero – exames para diagnóstico do câncer na mulher; recursos do 3º Bazar Cléia Beduschi

1 a 31/10

5º Ciclo de palestras do Outubro Rosa nas empresas

1 a 31/10

Ponto de informações e vendas de produtos Amucc no box 47 do Mercado Público

2/10 - 15h

Outubro Rosa na OAB Cidadã: palestra câncer de mama, no auditório OAB Florianópolis

2/10 - 19h

Conversando sobre sexualidade no câncer, no Beiramar Shopping

3/10 - 18h

“Um toque de amor a favor da vida”, com Coral Vozes de Santa Catarina e atrações artísticas, no Espaço Convivência Café Psiquê – Baía Sul Medical Center

5 e 7/10

Cirurgias de reconstrução mamária, na Casa de Saúde São Sebastião, com o médico Henrique Müller

15/10 - 14h às 18h

Abraço Rosa - Campanha para prevenção e controle do câncer de mama e de colo de útero, com distribuição de material informativo à população e atrações, no Parque de Coqueiros

19/10 - 10h às 17h

Informações à população sobre o câncer de mama e de colo de útero, no Ticen

29/10 - 14h às 17h

Caminhada Rosa na Beira-Mar Norte; concentração às 14h, no Koxixo´s; percurso: Koxixo´s ao trapiche

30/10 - 19h

“Um canto pela vida”, com coral Vozes de Santa Catarina, na Catedral Metropolitana

Fonte: AMUCC - Associação Brasileira de Portadores de Câncer

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