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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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O mané que todos conhecem

Manoel Timóteo de Oliveira é reconhecido pelo talento em organizar eventos e cerimoniais e divulgar o turismo de Santa Catarina

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis

Daniel Queiroz/ND
Profissional da comunicação, Maneca é figura querida e conhecida na capital catarinense


 

Ser uma figura conhecida na cidade não depende apenas de bater ponto no Mercado Público ou no calçadão da rua Felipe Schmidt – quem trabalha também pode ter essa prerrogativa. Manoel Timóteo de Oliveira Neto, o Maneca, é um exemplo disso. O fato de ter nascido e se criado na rua Menino Deus, próximo ao Hospital de Caridade, pesou muito porque a região sempre foi um reduto de manezinhos, mas os anos na Agência Nacional (depois Empresa Brasileira de Notícias, a EBN, e mais tarde Radiobras) e o talento para organizar eventos, fazer cerimoniais e atuar em entidades associativas importantes foram essenciais para dar a esse homem de comunicação um respeito e a condição de onipresença que poucos podem ostentar em Florianópolis.

A história está visceralmente ligada à trajetória da comunicação oficial e institucional. Aos 61 anos, ele é do tempo das notícias enviadas via telex, das imagens transmitidas por telefoto, dos rádio-operadores e dos escreventes datilógrafos. Admitido na Agência Nacional em fevereiro de 1970, Maneca fez tudo isso, e também precisou conviver com os métodos rígidos do governo militar, com o controle de conteúdo exercido pelo antigo Dentel, com as listas prévias de jornalistas admitidos nas entrevistas coletivas, com a pressão de mandar boletins a tempo de serem lidos na Voz do Brasil. Trabalhava de segunda a sábado, e nessa função dependia de linhas telefônicas convencionais que nem sempre funcionavam e de uma estrutura muito defasada em relação à parafernália tecnológica dos dias de hoje.

Daqueles anos, lembra de personalidades que o ensinaram muito, como o escritor Salim Miguel, chefe dele na Agência Nacional. Também trabalhou e conviveu com os jornalistas Luiz Henrique Tancredo, Antônio Kowalski Sobrinho, Sérgio da Costa Ramos, Alírio Bossle, Paulo Dutra, Gilberto Nahas e Moacir Iguatemi da Silveira. Quando Fernando Collor assumiu, em 1989, a EBN fechou e todos os funcionários foram exonerados. Foi aí que Maneca descobriu o turismo e os eventos. “Juntar essas duas áreas, investindo no turismo de eventos, é uma coisa que ainda precisa ser fortalecida em Florianópolis”, recomenda.

Atribulações da Novembrada

Da época da Agência Brasileira de Notícias, Manoel Timóteo recorda com clareza do episódio da Novembrada, em 1979, quando o presidente João Baptista Figueiredo envolveu-se num bate-boca e em agressões físicas na Felipe Schmidt. Na chegada da comitiva, já com o clima quente na praça 15 de Novembro, ele se perdeu do fotógrafo Paulo Dutra, que sumiu durante todo o dia, e precisou pedir fotos emprestadas do extinto Jornal da Semana para fornecer imagens para a agência, em Brasília. Na saída, na tentativa de deixar os jornais locais no avião presidencial, ouviu de um militar a seguinte frase: “Achas que ainda vamos ler as notícias?” A pergunta fazia sentido: tudo o que Figueiredo e a caravana queiram era ir embora e administrar os desdobramentos da crise institucional que havia se instalado a partir da confusão nas ruas de Florianópolis.

O trabalho reconhecido

Nas duas últimas décadas, Maneca vem trabalhando em assessorias de imprensa e de marketing, colaborando com entidades empresariais e difundindo as belezas de Santa Catarina dentro e fora do país. “Fiz as primeiras divulgações do turismo rural em Lages, por meio da Voz do Brasil e da TV Manchete, quando as fazendas ainda não tinham grande estrutura para receber os visitantes”, conta.

É funcionário da Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), está ligado à ACI (Associação Catarinense de Imprensa) e já dirigiu a seccional catarinense da Abrajet (Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores de Turismo). Associações ou órgãos como a Protur, a Abrasel, o Bureau e a Santur também reconheceram a contribuição de Maneca como divulgador do Estado e prestaram-lhe justas homenagens. Até em Gramado (RS), onde se realiza um festival anual de turismo, a foto dele está na galeria dos “amigos” do evento.

Membro de uma família de músicos – incluindo o avô, o pai Américo Oliveira, baterista e secretário da banda Amor à Arte, e dois tios –, Manoel, que não toca nada, também teve seu trabalho reconhecido pela Banda da Polícia Militar, pela Associação Brasileira de Agências de Viagem, por hoteleiros e por entidades de todo o trade turístico. No momento, junto com a Irmandade de Nosso Senhor dos Passos, está investindo na divulgação do turismo religioso na Grande Florianópolis. “Conheço todos na cidade e todos me conhecem”, afirma. Essa característica acaba fazendo dele um dos profissionais mais bem relacionados e requisitados da capital catarinense.

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