Publicidade
Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 30º C
  • 22º C

O “comendador” engajado

Nascido em Blumenau, Beto Laus é um dos grandes defensores da cultura e das coisas da Ilha

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Beto Laus tem projeto para ressuscitar o antigo trapiche Miramar

 

 

Mesmo tendo nascido em Blumenau, são poucos os moradores de Florianópolis que podem requerer a condição de manezinhos com a convicção de Roberto Laus. Ele não se cansa de cantar as belezas da cidade e, para não ficar só no discurso, aposta em causas que só um amante da terra poderia encampar. “Minha poita é aqui”, diz, usando um termo característico da Ilha, com sua vocação para as lides do mar e da pesca. Agora, está envolvido num projeto que consiste em ressuscitar o velho Miramar, trapiche que abrigava o mais frequentado bar da baía Sul antes da construção do aterro, até meados dos anos 70.

Um bastião da resistência de Beto Laus, como é conhecido, e dos amigos é a confraria que realiza todos os meses o “Almoço das Estrelas”, no Lira Tênis Clube, onde se fala de tudo, principalmente das coisas da Ilha. São funcionários públicos, jornalistas, artistas, aposentados, enfim, gente que se reúne para comer bem, beber e discutir sobre música, política, futebol – e sobre a vida alheia, por que não? “A confraria é resultado de uma proposta de vida, de solidariedade, de uma identidade de propósitos”, afirma o Comendador, como também é chamado.

Criado em parceria com Aldírio Simões, Nagel de Mello e Raul Caldas Filho, em 1999, o grupo já recebeu e homenageou ex-governadores, músicos, carnavalescos, atletas e outras personalidades. O único requisito para participar é se destacar na defesa das marcas da cidade. Em 12 anos, a confraria recepcionou do ex-governador Ivo Silveira ao jornalista Miltinho Cunha, passando por Esperidião Amin, Nega Tide, Athos Jacinto, Ney Viegas, Gustavo e Rafael Kuerten.

 

Intercâmbios e negócios

Antes da fase de propagandista das coisas de Florianópolis, Beto Laus foi bancário e, nessa condição, ajudou a criar o Besc Turismo, que deu origem à atual Santur, o órgão de difusão turística do Estado. Durante mais de 25 anos atuou no programa Companheiros das Américas, que promovia o intercâmbio técnico, científico e cultural com os Estados Unidos. “Realizamos muitas ações nas áreas da educação e da saúde, e a experiência brasileira com paramédicos começou ali”, conta.

Essa experiência lhe permitiu morar no exterior – em Richmond, capital da Virginia, e em Washington, D. C. – e aprender o inglês, o que abriu outras portas ao longo da carreira. Trabalhou no Governo do Estado e ali intermediou negociações importantes para Santa Catarina. Aposentou-se em 1998, e deu início a uma nova etapa profissional, prestando assessorias e consultorias na área de comércio internacional, uma atividade ainda incipiente no Brasil. Faz isso até hoje no escritório que mantém em seu apartamento, no Centro da Capital.

 

O retorno do Miramar

Há pouco tempo, Beto Laus encampou uma ideia do pintor Átila Ramos que prevê a reconstrução do Miramar, ali mesmo onde funcionou, próximo à praça 15 de Novembro. Já mostrou o projeto ao prefeito Dário Berger e quer envolver o Estado na empreitada. A intenção é erguer uma estrutura similar à do antigo trapiche, sobre as fundações que foram cobertas pelo aterro, e rodeá-lo com uma linha d’água que crie uma ambientação ideal para a edificação.

“Haveria até um mirante, nos moldes da construção antiga, de onde as pessoas podiam acompanhar as regatas na baía Sul”, afirma Laus. “E teríamos bem próximos a praça 15, a Catedral, o Palácio Cruz e Sousa, a velha Casa da Câmara e Cadeia (em restauração), o Mercado Público e a antiga sede da Caixa Econômica Federal, que será reerguida com as características do extinto hotel Laporta. No Almoço das Estrelas do próximo dia 29 vou fazer uma exposição da ideia, talvez com a presença do governador Raimundo Colombo”.

 

Do futebol ao Carnaval

Na vida privada, Beto Laus é um apreciador de jazz e bossa nova, ouve rádio e acompanha o tênis (esporte que sempre praticou) e futebol. Considera-se um “avaiano de pijama” e, seguindo a tradição familiar, torce pelo Flamengo. Não tem os dotes literários dos tios Harry, Ruth e Lausimar Laus, mas já foi repórter em Blumenau e teve um programa de televisão no SBT local. No Carnaval, saiu durante muitos anos na Orchestra Philarmonica Desterrense, do maestro Tullo Cavallazzi. “Meu papel era o do lambe-lambe”, comenta. Também gosta de cavalgar e não troca nada por um papo cabeça em algum bar próximo de casa, na avenida Beira-mar Norte.

Além disso, continua mantendo a tirinha dominical no Notícias do Dia, feita pelo artista plástico Mauro José Pereira, nas quais o Comendador satiriza personagens e situações da Ilha. “São gozações com as coisas do nosso cotidiano”, define.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade