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Malha viária de Santa Catarina é antiga e precisa de investimentos urgentes

De acordo com pesquisas da Fiesc, com R$ 7,3 milhões seria possível reparar e humanizar as estradas estaduais de Santa Catarina

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
01/11/2017 às 11H40

Não é preciso se afastar muito do litoral para encontrar estradas estaduais cuja precariedade prejudica e encarece o transporte de cargas. Ligando Brusque a Gaspar, a rodovia Ivo Silveira (trecho da SC-108) é uma sucessão de desníveis, remendos na pista, lombadas e falhas no acostamento. O movimento é intenso, há muitas entradas e saídas para vias vicinais e grande número de propriedades, pequenos negócios e shoppings para varejistas da área de vestuário às margens da via, além de passagens urbanas. Caminhões carregando madeira e a produção industrial da região disputam espaço com ônibus e automóveis que vêm ou vão em direção às cidades do Vale do Itajaí.

Na SC-108, em Brusque há desníveis na pista, remendos, lombadas e falhas no acostamento - Marco Santiago/ND
Na SC-108, em Brusque há desníveis na pista, remendos, lombadas e falhas no acostamento - Marco Santiago/ND



A rodovia não é a única que precisa de reparos urgentes. A Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina) monitora permanentemente 2.400 quilômetros de estradas, incluindo as federais e estaduais, e constatou que algumas delas – casos das SCs 283, 155, 163, 305, 480 e 135 – representam grande risco para todos os tipos de veículos. A região Oeste, grande produtora de proteína animal, pede mais investimentos na restauração e manutenção de vias com buracos e irregularidades na pista que foram responsáveis por parte dos 5.377 acidentes registrados de 2012 para cá, com 199 mortes. A Federação calcula que com R$ 7,3 milhões seria possível reparar e humanizar a malha estadual.

No Oeste, a SC-283, com 285 quilômetros entre Concórdia e Iporã do Oeste, passando por Chapecó, é tida como uma das priores rodovias do Estado. Ali há de tudo: escorregamento do pavimento, deslizamentos parciais, trincamento e desagregação da pista em vários trechos, além de buracos e afundamentos. Em menor grau, esses problemas se repetem em trechos da SC-155, entre Seara e Xanxerê; na SC-160, de Pinhalzinho a São Carlos; na SC-305, entre Guaraciaba e São Lourenço do Oeste; e na SC-480, de São Lourenço a Xanxerê. No Meio-oeste, as condições são mais precárias na SC-350, entre Caçador a BR-116, e na SC-135, que liga Matos Costa a Porto União.

Falta de fiscalização facilita sobrepeso

Com um PIB (Produto Interno Bruto) de R$ 183 bilhões, em números de 2013, se Santa Catarina alcançaria uma economia equivalente a R$ 1,83 bilhão anual caso reduzisse em um centavo (de R$ 0,14 para R$ 0,13) o seu custo logístico. Considerando que países que concorrem com o Brasil têm um custo de R 0,08 (oito centavos), em média, fica claro que os produtos catarinenses enfrentam uma desvantagem competitiva acentuada. Tirar esse centavo do custo é uma bandeira da indústria, que se dispõe a contribuir, como um “dever de casa”, no ganho em produtividade e gestão do próprio setor. Outro desafio é reduzir o déficit de armazenagem, que é de 35% no Estado: a capacidade dos armazéns é de 4,2 milhões de toneladas, para uma produção de grãos de 6,5 milhões de toneladas.

Como no Brasil o modal rodoviário responde por 68,7% do transporte (contra 32% nos Estados Unidos e 18% na Alemanha), melhorar as estradas é fundamental. Em bom estado, elas vão reduzir o tempo de deslocamento e os gastos com combustível, pneus e manutenção dos caminhões. Uma barreira para a boa conservação é a falta de fiscalização e balanças nas rodovias para coibir o excesso de peso transportado, que destrói o asfalto novo ou restaurado em poucos anos. “As maiores sobrecargas estão no transporte de madeira, e não há controle nas estradas”, diz o presidente da Fetrancesc (Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística do Estado), Ari Rabaioli.

De acordo com o Portal de Compras do governo do Estado, são gastos R$ 4.603,42 por quilômetro/ano em reforços de base, fresagens da capa asfáltica, microrrevestimentos, recuperação de obras de artes especiais e sinalizações horizontais e verticais. Esse valor é considerado insuficiente pelos empresários da indústria. Eles alegam que a cada temporada de chuvas fortes o asfalto se deteriora e não raro interrompe rodovias importantes para o escoamento da produção.

Algumas rodovias em mau estado

  • SC-283 (Concórdia a Iporã do Oeste) – escorregamentos, trincamento e desagregação do pavimento em vários trechos, deslizamentos verticais, buracos e afundamentos da pista
  • SC-305 (Guaraciaba a São Lourenço do Oeste) – desagregação do pavimento e trincamento da camada asfáltica
  • SC-135 (Porto União a Campos Novos) – buracos, afundamento do pavimento e recalques na pista
  • SC-108 (Brusque a Gaspar) – desníveis na pista, remendos, lombadas e falhas no acostamento
  • SC-163(São Miguel do Oeste a Itapiranga) – buracos, deformações graves e trilhas de rodas
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