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Segunda-Feira, 24 de Setembro de 2018
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Maior exposição de Miró no Brasil chega a Florianópolis em setembro e será gratuita

Mais de 100 obras de um dos principais artistas do século 20 estarão na mostra, que tem público estimado de 650 mil visitantes, conforme secretário da SOL

Dariene Pasternak
Florianópolis
Carlos Damião/ND
Obras da exposição que chegam a SC pertencem ao acervo da Fundação Miró e do neto do artista, Joan Punyet Miró

A exposição “Joan Miró: a força da matéria” chega ao Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), na Capital, em 10 de setembro com expectativa alta, a começar pela cidade recebendo mais de 100 obras que abraçam cerca de cinquenta anos de produção de um dos principais artistas espanhóis e também do século 20. Montada agora em São Paulo, no Instituto Tomie Ohtake – com filas de mais de uma hora em alguns dias – é a maior retrospectiva do pintor catalão no Brasil. Em Florianópolis, onde fica até 14 de novembro, a visitação será gratuita.

A mostra tem 41 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 26 gravuras, além de fotografias do pintor, assim como vídeos do artista em ação. A curadoria, de Paulo Myada com a Fundação Joan Miró, em Barcelona, é eficaz no propósito de mostrar os caminhos e as escolhas do artista. Miró (1893-1983), nos anos 20, se muda a Paris influenciado pelas vanguardas europeias. Com o surrealismo - que acredita no inconsciente, no sonho, sem intervençõe

Divulgação/ND
As formas e gestual de Miró em "Homem, Mulher, Pássaro", de 1959

s de ordem social, política ou cultural -, é o que faz maior aproximação e no qual deixa seus traços e principalmente suas formas, nada convencionais, que tanto surpreendem e encantam até hoje.

Dividida em três partes, evidenciando momentos vitais da carreira do artista, é possível ver no início da mostra o percurso que Miró faz para romper com a pintura tradicional. O real não importa mais ao artista. As figuras aparecem disformes, livres da perspectiva e da iluminação clássica. O artista deixa manchas, não se preocupa com a tinta que escorre e com alguns rastros de um erro, pinta também com os dedos. Procura sair dos materiais tradicionais, como a tela, usa também o nanquim, o lápis grafite, a aquarela para se exprimir. Nessa fase, no recorte da exposição, dá para ver como ele caminha para a experimentação, para uma técnica livre, que estaria fortemente manifesta em seus trabalhos mais conhecidos.

Para um visitante impaciente, o início da exposição pode parecer menos interessante que a terceira etapa, que apresenta um panorama da carreira do artista e abrange seus trabalhos mais marcantes, porém é essencial para entender onde ele iria chegar. Nesse caminho dá para perceber como ele firma a sua palheta, com o uso das cores primárias, como o azul, amarelo, vermelho, e também o preto e verde, e também estabelece a cor como matéria.

Nas esculturas de Miró, na segunda etapa da mostra, observa-se impulsos contemporâneos, usados por artistas de hoje.  Ele se apropria e une objetos comuns, faz procedimentos, como o banho de bronze, que dão novas leituras. Uma lata de tinta, por exemplo, vira um boneco - assim como um cartaz de produto vai lhe servir à gravura – lembra a pop art.

Ao mesmo tempo, na pintura, sem mais cavaletes e trabalhando no chão, começa a se evidenciar em suas obras o gestual corporal. Não é à toa que ele influenciará o norte-americano Jackson Pollock, conhecido por quase “entrar” dentro do quadro para pintar com movimentos vigorosos.  É nas litografias e gravuras onde se vê a faceta do artista que conhecemos hoje. Está ali, o Miró consolidado, com suas formas, cores e sua poesia visual. A tal força da matéria, que está no título da mostra.

Carlos Damião/ND
Artista se aproximou mais do movimento surrealista, mas não se enclausurou na corrente, foi atrás de uma gramática própria, autoral

Exposição de mais de R$ 2 milhões

 “Joan Miró: a força da matéria” chegou primeiro a São Paulo e depois virá a Florianópolis com o patrocínio da Arteris. Em Santa Catarina, o grupo opera as concessionárias Autopista Litoral Sul, que administra o trecho entre Curitiba e Palhoça, e a Autopista Planalto Sul, da BR-116 entre Curitiba até a divisa dos Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O investimento da empresa para trazer a mostra ao Brasil é de pouco mais de R$ 2 milhões. No ano passado, a Arteris patrocinou a mostra de Salvador Dalí, que teve 1,3 milhão de visitantes nas exposições realizadas em São Paulo e Rio de Janeiro.

O presidente da empresa David Díaz diz que a intenção de trazer a Florianópolis as obras de Miró, além de movimentar o turismo, é trazer um ganho para a área cultural. “Nós, pela importância que hoje tem Santa Catarina no grupo e favorecendo o crescimento dos municípios, o bem-estar da população, decidimos que era a cidade para trazer a exposição de um artista de renome mundial”, disse. Durante a mostra em Santa Catarina, haverá um trabalho especial de visitação das escolas, principalmente privilegiando os mais de 40 municípios catarinenses onde a empresa atua na concessão, e trabalhando com outras iniciativas do grupo, como o Projeto Escola, de conscientização de crianças aos cuidados no trânsito, como futuros motoristas. Díaz sinaliza que a empresa deve trazer outra mostra ao país no próximo ano e que Florianópolis pode ser novamente contemplada.

O projeto espacial da exposição no Masc ainda está sendo preparado e será enviado à aprovação final da Fundação Miró, como informa Vitoria Arruda, diretora de produção do Instituto Tomie Ohtake. Um esquema de segurança também está sendo preparado para as obras. Foi o instituto que fez a captação para o projeto e o patrocinador estendeu o apoio para a vinda ao Estado. “Após uma visita a Florianopolis, julgamos ser o local mais adequado para receber esta exposição”, diz Vitória, sobre o Masc.

O secretário do Estado de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina, Filipe Mello, estima uma visitação de 650 mil pessoas durante os dois meses de exposição.

 

*A repórter visitou a mostra em SP a convite da Arteris

Divulgação/ND
As cores primitivas se evidenciam no trabalho do artista, como em "Dois personagens caçados por um pássaro", de 1976
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