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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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Léslia Melo, editora de vídeos, pratica o voluntariado digital em Florianópolis

Desde 2009, ela faz a alegria de famílias que não têm como comprar um micro ou uma impressora, com computadores remontados

Redação ND
Florianópolis
Fotos Divulgação/ND
Léslia recebe computadores velhos e usa peças para montar outros e doar

 

Ela ganha a vida gravando e editando vídeos de nascimentos, batizados e casamentos, mas o maior prazer vem do voluntariado, também ligado ao manuseio de artefatos da tecnologia. Léslia Melo, 36, começou a presentear crianças carentes com computadores remontados no bairro Pantanal, onde morou durante quatro anos, e agora, residindo em Capoeiras, cumpre o mesmo papel em comunidades carentes de outras regiões de Florianópolis. Desde 2009, ela faz a alegria de famílias que não têm como comprar um micro ou uma impressora, ajudando alunos a, pelo menos, terem como fazer trabalhos escolares usando as ferramentas da informática.

Na semana passada, Léslia decidiu dar mais publicidade ao seu trabalho e postou informações sobre ele no Facebook. Foi o suficiente para choverem ofertas de computadores envelhecidos ou fora de uso, por parte de amigos, conhecidos e até de empresas dispostas a trocar máquinas que estão ficando obsoletas por equipamentos mais modernos. “Dias atrás recebi 19 computadores e consegui, depois de desmontar todos eles, deixar 11 em condições de utilização”, conta ela. O trabalho é feito à noite e nos fins de semana, com a ajuda do marido, na garagem da casa do pai, que mora perto de seu apartamento.

A editora de vídeos entrou nessa cruzada depois de ver negado o pedido de criar uma sala de inclusão digital na igreja do Pantanal. “Não tinha onde colocar o material que havia recolhido”, explica ela. O jeito foi distribuir os computadores entre os moradores mais necessitados da redondeza. Depois disso, o trabalho ganhou fôlego e não parou mais. Geralmente, ela aproveita a memória, a placa e o processador, e recondiciona mouses, teclados e outros acessórios. Das CPUs, descarta o que não tem utilidade, evitando acumular sobras dentro de casa.

 

Com o cãozinho de estimação, Léslia mostra CPUs amontoadas na garagem

 

Parceiros anônimos

Léslia Melo já fez outros tipos de trabalho voluntário, seja angariando material escolar para crianças carentes, seja doando cestas básicas no Natal, seja recolhendo chocolates na semana da Páscoa. Mas é com os computadores que suas ações são mais recorrentes. “É preciso ver a alegria dos pequenos quando ganham um micro, mesmo quando ele não dá acesso à internet”, afirma. A repercussão – teve 4.000 visitantes no Facebook em cinco dias – foi tão grande que pessoas São Paulo e até do Amazonas lhe mandaram mensagens querendo saber como fazer para doar computadores obsoletos.

Nessa missão, Léslia conta também com a ajuda de lojas que comercializam periféricos e suprimentos para computadores. “Ainda hoje (quinta-feira passada), conheci o pessoal da SRI Informática e de uma lan house de São José que me mandou uma sacola grande com mouses, teclados e fones de ouvido”, conta. Seu marido Émerson, que trabalha na loja de informática Khomp na Ilha, é incentivador e parceiro nesse projeto, que não tem qualquer fim lucrativo – ao contrário, se descuidar, Léslia vai tirar dinheiro do bolso para ajudar os outros. Alguns parceiros informais da editora são a Genesis Informática, a lan house Net Brasil e a própria Khomp, que a ajudam a encontrar peças para recuperar os velhos micros.

O sonho realizado

Léslia lembra com carinho de histórias que marcaram essa ainda curta trajetória de voluntária. Uma delas é de uma jovem de 17 anos que conseguiu eliminar parte do retardamento de aprendizado quando ganhou seu primeiro computador. Outra garota de 16 anos sonhava em ter uma impressora – algo impensável em vista das condições financeiras da família – e ficou impressionada com a quantidade delas que viu na casa de Léslia, ainda no Pantanal. Levou uma delas para casa. “Faço a minha parte”, diz. “Se todos fizessem a sua, tudo seria melhor. O que fazemos pelos outros não fará falta para nós”, ensina.

Criada no Morro da Caixa, ela ainda visita a região, onde ficava a morada dos avós e onde residiram seus pais durante muitos anos. “Vários amigos meus morreram no tráfico, mas lá tem muita gente boa”.

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