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Grupo RIC lembra trajetória de repórter que morreu na tragédia com avião da Chapecoense

Renan Agnolin era conhecido como "menino de ouro” pelos colegas de redação

Diogo Maçaneiro, especial para o Notícias do Dia
Florianópolis
28/11/2017 às 10H36

O Grupo RIC lamenta a perda de um dos seus mais promissores profissionais há um ano. Presente no voo da LaMia, o repórter Renan Agnolin, com 28 anos na data do acidente, era setorista da Chapecoense e viajava para Medellín pela Rádio Oeste Capital, onde também trabalhava, pois estava de férias na emissora de TV.

Assim como ele, outros profissionais de imprensa também embarcaram para a Colômbia para registrar o momento histórico da Chapecoense, mas acabaram virando notícia da forma mais trágica possível. A maioria deles não resistiu à queda da aeronave.

Renan Agnolin fez um registro antes do embarque do time em 2016 - Arquivo/ND
Renan Agnolin fez um registro antes do embarque do time em 2016 - Arquivo/ND


Nas telas e nas ondas do rádio de Chapecó, Renan falava com amor sobre o Verdão do Oeste, sentimento que o conquistou aos 17 anos, quando se mudou de Erechim (RS) para a casa da Chape. “Quando ele era pequeno torcia para o Ypiranga e também para o Internacional, mas curiosamente foi na escolinha de futebol do Grêmio que ele começou a jogar. Mas quando a gente se mudou para Chapecó ele esqueceu tudo e se apaixonou pela Chapecoense”, afirmou Luiz Agnolin, pai do “Menino de Ouro”, como era conhecido dentro da redação da RIC. Renan era noivo e estava planejando casamento. “O sonho dele era ter um filho”, completa.

A mãe do rapaz ainda custa a aceitar a perda. “Parece que ele não foi. De vez em quando me cai a ficha, sabe? Parece que ele vai me ligar daqui a pouco. A última vez que ele veio aqui eu pedi a ele para me ajudar a plantar aquela árvore. Ela está lá em casa. Então eu vou cuidar daquela árvore com todo amor e carinho porque ele ajudou a plantar”, afirma dona Sônia Agnolin.

Amiga assumiu o lugar de Renan

Após perder o colega, coube à direção da empresa escolher o substituto de Agnolin no dia a dia da Chape pela emissora. Coube à repórter Fernanda Moro tal responsabilidade. “Eu sempre fui apaixonada por esporte e o Renan sempre me incentivou, desde a época da faculdade. Passamos a trabalhar juntos e eu sempre me inspirava nele. Ele me ajudava. Agora eu sigo por ele. Além do meu sonho eu quero dar sequência aos sonhos dele”, emociona-se.

Fernanda Moro conta que foi incentivada por Renan para trabalhar com esporte - Arquivo/ND
Fernanda Moro conta que foi incentivada por Renan para trabalhar com esporte - Arquivo/ND



Ela conta uma peculiaridade entre os colegas e a dor de não poder conviver mais ao lado de um amigo especial. “Nós tínhamos um grupo de colegas e costumávamos brincar de amigo secreto todo final de ano. Eu sempre tirei o Renan, inclusive no ano passado. Foi difícil não ter a presença física dele para entregar o presente. E agora o ano está chegando ao fim novamente e dói não ter ele.”, completa.

Quem também se recorda com carinho sobre o Renan Agnolin é o comentarista Sérgio Badá. “Era muito competente e profissional, mas também era um grande brincalhão. Lembro-me de uma ocasião, em 2015, quando a Chape participou da Série A pela primeira vez e fomos cobrir o jogo no sábado. No dia seguinte fomos trabalhar num jogo de futebol amador da cidade. Chegamos no lugar mais cedo e o campo estava cheio de cavalos dentro e ele brincou: ‘não adianta, gente. Essa é a nossa realidade. A Série A é um sonho. Nossa realidade é cobrir jogo de várzea no interior da cidade’”, recorda-se, o polêmico profissional, responsável pela indicação de Agnolin à RIC.

Investigação é prorrogada

Um ano após a tragédia aérea que vitimou 71 pessoas em Medellín, uma série de incertezas ainda paira sobre o caso LaMia, que conduzia a delegação da Chapecoense. Mas indícios recentes direcionam as investigações até a Venezuela, de onde vem a família que controlava a companhia aérea à distância, através de "testas-de-ferro" na Bolívia.

O Ministério Público boliviano já conta com elementos suficientes para formalizar uma acusação contra Loredana Albacete Di Bartolomé e seu pai, Ricardo Albacete Vidal, ex-senador venezuelano, que vive na Espanha.

Apesar da aparente clareza técnica em relação aos motivos que derrubaram o avião, as investigações na Bolívia e na Colômbia oficialmente ainda não tinham responsáveis da LaMia identificados. Agora, a ramificação venezuelana pode impactar o caso significativamente, incluindo o trâmite dos seguros às famílias.

No último domingo, o jornal boliviano "El Deber", de Santa Cruz de la Sierra, revelou uma série de conversas em áudios que descortinam a operação autêntica da LaMia. A família Albacete dirigia a empresa através da administradora Miriam Flores e do diretor-geral Gustavo Vargas Gamboa -única pessoa da companhia que foi presa até o momento no caso. Todos os áudios divulgados são anteriores ao acidente de novembro de 2016. 

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