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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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Figurinista Eduardo Lourival Augusto recria personagens e heróis de material reciclado

O herói das séries japonesas dos anos 80, Black Kamen Rider, é seu mais recente trabalho e um sucesso entre os admiradores de cosplay

Redação ND
Florianópolis
Alexandro Albornoz/ND
Figurinista mostra o talento de criar heróis e personagens de cosplay

 

Por Giovana Kindlein - Especial para o Notícias do Dia

Surpreendentemente, em uma humilde casa de madeira, no interior da Ilha, no Rio Vermelho, brota o talento inato de um criativo figurinista. Apoiado no uso de materiais de difícil utilização, como a fibra de vidro, Eduardo Lourival Augusto trabalha hoje, aos 29 anos, com as memórias de sua infância. O herói das séries japonesas dos anos 80, Black Kamen Rider, é seu mais recente trabalho e um sucesso entre os admiradores de cosplay (atividade praticada por jovens e adultos que se travestem em seus personagens favoritos) no YouTube.

Rico em detalhes, os acessórios de Black Kamen Rider foram produzidos por Eduardo, que o desenhou e construiu nas horas em que não está trabalhando como pedreiro. Ao longo de uma década, o inquieto rapaz recriou a história de aventuras. O capacete, que se assemelha a uma cabeça de gafanhoto, tem travas de segurança laterais. A armadura foi moldada em isopor antes de ser confeccionada em fibra de vidro. E para dar mobilidade, a calça foi feita no flexível neoprene. O cinto eletrônico foi inventado com um sistema de pilhas que permite acender uma grande lâmpada vermelha no meio do abdômen. 

Em uma época que as obras voltadas à sustentabilidade são muito valorizadas, o figurinista nativo da Lagoa da Conceição cata isopor no lixo para construir seus moldes – bonecos de aproximadamente 50 centímetros cada um. “Ao mesmo tempo em que estou realizando um trabalho, estou limpando a cidade e exercendo a consciência ecológica”, considera. Houve um tempo em que chegou a fazer os capacetes dos personagens com papelão, também catado na rua, coberto com Durepoxi. Este foi um processo anterior ao de fibra de vidro. “Pesava demais”, relembra.


Cores e personagens brasileiros

 

Das séries japonesas, além de Black Kamen Rider, o figurinista já produziu sob encomenda os personagens Giraya – O Incrível Ninja, Jaspion, e Jiban – O Policial de Aço. Os cosplayers costumam gastar de R$ 100 a R$ 3 mil em roupas e acessórios para viver seu personagem por um dia. Atualmente a atenção de Eduardo está focada na criação e desenvolvimento de dois heróis brasileiros, o Metalbras e o Brasman. 

O figurinista, que usa cores e símbolos brasileiros em seus personagens, procura parceiros que invistam na história dos dois irmãos alienígenas que caem com uma nave no Brasil. Baseado no talento e na vontade própria, diz que não está sozinho na busca por um lugar ao sol, apesar da falta de recursos. “Deus está do lado da gente” afirma o evangélico, adventista do Sétimo Dia.

 

De volta ao passado

 A pobreza, paradoxalmente, estimulou a trajetória criativa de Eduardo. Tudo começou aos seis anos de idade quando assistia às séries japonesas na extinta TV Manchete. Os amiguinhos de escola também assistiam e tinham os bonecos dos personagens para brincar. Ele não podia tê-los. “Eu venho de família humilde”, conta. Seu pai era pedreiro e sua mãe, empregada doméstica. “Eu queria os brinquedos e chorava muito porque não os tinha”, recorda. Por conta disto, desde então passou a fabricar seus próprios bonecos. 

Os primeiros foram feitos com semente de mamona e tampinhas de garrafa de cerveja. “Nunca mais parei”, diz. De lá para cá, muita coisa mudou. “Eu sempre quis ser diferente”, relata. Ao contrário do pai que bebia, Eduardo não bebe, não fuma e se preocupa com a alimentação e peso. O figurinista pesa hoje 59 quilos porque um cosplayer precisa necessariamente ser magro e a chave para ser considerado um bom cosplayer é o perfeccionismo.

Saiba mais:

eduaugusto81@hotmail.com


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