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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Exposição de Joan Miró vem em setembro para Florianópolis

Entre as obras que virão para Florianópolis, estão a escultura “Cabeça na Noite” (1968) e as pinturas “Homem, Mulher, Pássaro” (1959), “Mulher Na Noite” (1973) e “Dois Personagens Caçados por Um Pássaro” (1976)

Marciano Diogo
Florianópolis
Divulgação/ND
"Homem, Mulher, Pássaro", obra de 1959, será uma das telas de Joan Miró que virá para a exposição em Florianópolis


Admiradores das artes plásticas já podem começar a contagem regressiva: Florianópolis vai receber uma grande exposição neste ano. Isso porque no segundo semestre uma mostra do artista catalão Joan Miró, um dos maiores representantes do movimento surrealista, estará na cidade. A informação foi confirmada pelo Instituto Tomie Ohtake, responsável por trazer a exposição do artista para Santa Catarina. Segundo a entidade, a exposição de Miró acontecerá entre os dias 2 de setembro e 15 de novembro no Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), na Capital.

Ainda de acordo com o Instituto Tomie Ohtake, a exposição de Miró trará para a Capital 40 pinturas, 22 esculturas, 20 desenhos, 25 gravuras e alguns objetos criados pelo artista catalão. Entre as obras que virão para Florianópolis, estão a escultura “Cabeça na Noite” (1968) e as pinturas “Homem, Mulher, Pássaro” (1959), “Mulher Na Noite” (1973) e “Dois Personagens Caçados por Um Pássaro” (1976). Antes de vir para a Capital, a exposição passará por São Paulo, onde ocorrerá na sede do Instituto Tomie Ohtake de 24 de maio a 16 de agosto. As obras pertencem ao acervo da Fundação Joan Miró, que tem sede em Barcelona, na Espanha.

“É muito importante essa exposição estar vindo para Santa Catarina porque além dos moradores do Sul do país poderem ter acesso a essas obras, o evento será uma abertura para futuras grandes exposições internacionais ocorrerem aqui, para os produtores verificarem que o Estado tem a capacidade e o espaço adequado para recebê-las”, afirmou Marina Tavares, uma das produtoras responsáveis por trazer a exposição de Miró para o Estado.

O espanhol Joan Miró i Ferrà foi um dos grandes representantes do surrealismo, e começou a pintar seguindo essa escola com quase trinta anos de idade. Fez sua primeira exposição surrealista em 1925, na qual inaugurou sua linguagem. Uma das obras mais reconhecidas de Miró, “Números e Constelações em Amor Com uma Mulher” foi criada em 1941, alguns anos antes do artista iniciar seus trabalhos com a cerâmica e a escultura. No fim de sua vida, o pintor e escultor reduziu os elementos de sua linguagem artística a alguns símbolos, passando a usar basicamente o branco e o preto.

A falta das grandes exposições internacionais
Santa Catarina não é um estado que recebe com frequência grandes exposições com trabalhos de artistas reconhecidos mundialmente. As últimas delas ocorreram em 2003, quando o Estado recebeu esculturas do francês Auguste Rodin, e em 2008, quando a exposição “Um Século de Arte Brasileira” trouxe mais de 100 obras da coleção de Gilberto Chateaubriand para Florianópolis. 

De acordo com o curador Edson Busch Machado, as tratativas internacionais dependem de uma negociação muito demorada e cuidadosa, o que envolve questões de custos, procedimentos burocráticos e adequação dos transportes e dos espaços públicos que irão receber as obras de arte. “A grande dificuldade está na falta de estrutura para recepção, com locais adequados que oferecem grandes espaços, segurança, iluminação e refrigeração. É necessário conscientizar também o governo da importância de integrar o Estado nessa circulação, e para isso precisamos desses espaços adequados. No momento em que os espaços públicos de cultura são geridos por artistas, observo que há empenho e articulação por parte desses gestores. Me amedronta que esses espaços não estejam em mãos de pessoas ligadas às artes”, afirma Edson.

A também curadora Kamilla Nunes opina que falta articulação que possibilite a infraestrutura para receber grandes exposições. Kamilla, que é a atual curadora do espaço O Sítio, localizado em Florianópolis, ressalta que faltam programas de incentivo e de formação. “Grandes nomes geralmente envolvem uma verba que não é pequena. E a falta de apoio financeiro nos leva a procurar alternativas. Precisamos discutir política cultural. Não existe nenhum programa do Estado de incentivo aos artistas, e menos ainda no sentido de trazer a Florianópolis mostras significativas de arte, que possam contribuir na formação dos artistas e do público”, afirma, acrescentando que as instituições privadas de Santa Catarina não têm força o suficiente para montar uma exposição internacional de grande porte.

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