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Unidos da Coloninha é a grande vencedora do Carnaval 2017 de Florianópolis

Este é o 9° título da agremiação da escola do Continente que também venceu em 2016

Felipe Alves
Florianópolis
27/02/2017 às 19H36
Este é o 9° título da agremiação da Unidos da Coloninha - Daniel Queiroz/ND
Este é o 9° título da agremiação da Unidos da Coloninha - Daniel Queiroz/ND


A nona estrela já está estampada no pavilhão da Unidos da Coloninha. O novo título, conquistado na tarde desta segunda-feira (27), foi acompanhado de muita festa da comunidade. Primeiro, na passarela Nego Quirido, logo após a apuração e, depois, no lado de fora da quadra da escola durante toda a tarde. A Batucada da Unidos, sob o comando do Mestre Du, festejou os três “10” conquistados este ano e os principais representantes da escola se reuniram para comemorar.

Desfile da Coloninha apresentou as grandes invenções da humanidade

Criado na comunidade da Coloninha, Otávio José de Oliveira, o Duda, foi o carnavalesco da escola neste ano e criador do enredo, ao lado da mulher Camila Luz. Ele começou a carreira no mundo do Carnaval na escola do Continente, depois ficou por muito tempo em outra escola como mestre de bateria, e somente este ano retornou à Coloninha com o enredo que sagrou a escola campeã. Para ele, era uma responsabilidade muito grande voltar à escola, em um novo cargo e ainda conseguir segurar o título da escola. “Foi uma emoção enorme ver a escola do meu coração ser campeã. Fui criado desde os 10 anos no morro, fui pra outra escola e voltei como carnavalesco. Passar na avenida com o meu enredo, e ainda sendo bicampeão, não tem satisfação melhor”, afirmou ele.

Com a falta de verbas deste ano, Duda diz que o que ajudou a escola mesmo foi a criatividade e a união da comunidade. “Isso deixou o pessoal muito mais unido. Se faltava cola, comida, cada um ajudava com o que tinha”, disse.

Outro título que a escola levou para casa foi o de cidadã-samba de Florianópolis. Lidiane da Costa Matos, da Coloninha, foi eleita pela imprensa como a melhor cidadã samba. Quando seu nome foi anunciado na tarde desta segunda-feira na passarela, Lidiane ainda estava no ônibus, a caminho da apuração. “Eu só disse: ‘moço, para esse ônibus que eu preciso descer. Sou a cidadã samba!’ Vou fazer de tudo para ser a merecedora desse título e não decepcionar”, afirmou ela. Jefferson William da Costa, o Negro Gê, da Embaixada Copa Lord, faturou pela sexta vez o título de cidadão-samba da cidade. “Temos que ter respeito ao samba e amor à comunidade. Aos meus concorrentes, falo para não desistirem. Assim como eu cheguei aqui, todos podem chegar”, disse.

Outro título que a escola levou para casa foi o de cidadã-samba de Florianópolis - Daniel Queiroz/ND
Outro título que a escola levou para casa foi o de cidadã-samba de Florianópolis - Daniel Queiroz/ND



Comemoração da comunidade

Antigo mestre-sala da agremiação, Saulo Miranda, de 68 anos, não escondia a alegria em ver sua escola do coração conquistar mais um título. “É deslumbrande, uma sensação indescritível. Entrei na escola em 1983 e fui mestre-sala por sete anos, sempre tive a Coloninha no coração”, contou, emocionado, enquanto mostrava fotos dos tempos antigos da escola em seu celular.

Apesar de não participar mais ativamente da preparação do desfile desde 1993, Miranda diz que continua torcendo pela agremiação de maneira intensa e que hoje se alegra em ver uma sobrinha e uma neta em papéis de destaque na Coloninha: Carol e Jéssica Miranda, respectivamente, porta-bandeira e rainha da escola.

A coordenadora da ala das passistas, Elisângela Ferreira, de 34 anos, lembra como foram os últimos dias de trabalho intenso antes do desfile. “Por causa da escassez de recursos, o Carnaval só foi decidido, mesmo, cerca de 40 dias antes. Aí apertamos o passo. Nesta última semana, começamos a trabalhar por volta das 9h da manhã e só parávamos quando batia o cansaço, já de madrugada”, afirma.

Elisângela conta que são as próprias passistas que confecionam suas roupas e que, por isso, tiveram que procurar meios altertivos para arrecadar dinheiro. “Fomos vender cerveja no estádio para conseguir mais recursos. Cada passista custa cerca de R$ 300 só para desfilar, com roupa, maquiagem e calçado”, comenta. “Até que saia o resultado, nunca temos certeza se vamos ganhar ou não. No próprio desfile já saímos com a sensação de dever cumprido e ver essa festa hoje é uma sensação maravilhosa, de que tudo valeu a pena”, acrescenta.

Coloninha é a grande campeã do Carnaval de Florianópolis - Daniel Queiroz/ND
Torcida da Unidos da Coloninha - Daniel Queiroz/ND

Presidente da Liesf faz balanço do Carnaval

Para Joel da Costa Júnior, presidente da Liesf (Liga das Escolas de Samba), as agremiações “tiraram leite de pedra” para produzir belos desfiles. “O espetáculo foi maravilhoso, foi um dos melhores Carnavais que nós tivemos. Ajudou o público, o tempo, a tranquilidade do desfile, a transmissão pela RICTV, então tudo isso superou as expectativas”, disse ele.

Após a falta de verbas e de aporte do poder público no Carnaval deste ano, Joel pede mais sensibilidade dos governantes para tratar do Carnaval. “O poder público tem que ter um olhar diferente para toda a organização e participação no desfile. É inadmissível uma secretaria de turismo pensar em Carnaval depois de dezembro. Isso é humanamente impossível, principalmente por que é um produto turístico e não só uma festa”, afirmou.

Depois de três anos à frente da Liesf, Joel deve deixar a Liga em abril deste ano, quando finaliza seu mandato. Ele afirma que não irá concorrer à reeleição e destaca como pontos positivos dos últimos anos a profissionalização do Carnaval, com a criação de um cronograma pré-Carnaval que contempla o evento de sorteio da ordem dos desfiles das escolas na avenida, a produção dos CDs com os sambas-enredos das agremiações, o encontro de Carnaval que reúne representantes de todo o país em Florianópolis e a captação de recursos via Lei Rouanet. “Os desafios do próximo presidente serão manter todos esses projetos  que a Liga iniciou, aproximar ainda mais a iniciativa privada, que as escolas consigam se autocapitalizar, que seus enredos sejam comerciais, e ainda tem o projeto da Cidade do Samba. Então têm várias situações que a gente precisa evoluir”, destacou ele.

Unidos da Coloninha é a grande vencedora do Carnaval de Florianópolis - Daniel Queiroz/ND
Unidos da Coloninha ergue a taça de campeã do Carnaval de Florianópolis - Daniel Queiroz/ND

O que a Coloninha levou para a passarela neste ano?

Com 25 alas na avenida, a Coloninha foi a penúltima escola a se apresentar na passarela Nego Quirido. As grandes invenções da humanidade, seus criadores e suas mentes ganharam destaque na passarela este ano pela Unidos da Coloninha. A escola retratou a natureza inventiva do homem e da arte de sempre descobrir algo novo. Os carros representaram as primeiras grandes invenções, como a roda e a locomotiva, e também as atuais, voltadas à ciência e à tecnologia. As fantasias representaram desde os instrumentos mais antigos, como o astrolábio e a luneta, até os mais atuais, como a televisão e o automóvel.

Comemoração da Unidos da Coloninha, vencedora do Carnaval de Florianópolis - Daniel Queiroz/ND
Comemoração da Unidos da Coloninha, vencedora do Carnaval de Florianópolis - Daniel Queiroz/ND



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