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Chapecoense: Um ano depois da tragédia, sobreviventes reconstroem suas histórias

Eles venceram a morte. Tempo, trabalho e esperança marcam a retomada da rotina na vida do radialista e jogadores

Diogo Maçaneiro, especial para o ND
Florianópolis
27/11/2017 às 11H03

Se por um lado o mundo do futebol viveu uma tragédia sem precedentes, por outro, pode-se dizer que algo próximo de um milagre aconteceu para seis pessoas envolvidas no acidente aéreo que matou outras 71 no dia 29 de novembro de 2016. Elas sobreviveram à queda do avião da LaMia e hoje tentam levar a vida normalmente, cada uma com uma realidade diferente.

Deste, quatro dos que “nasceram de novo” estão ligados à Chapecoense. O goleiro Jackson Follman, o zagueiro Neto, o lateral Alan Ruschel e o radialista Rafael Henzel retomaram suas atividades diárias ligadas ao futebol. Neto e Ruschel treinam normalmente com o elenco do Verdão nesta temporada. O ala, inclusive, retornou aos gramados contra o Barcelona e voltou a jogar oficialmente pelo Campeonato Brasileiro.

Henzel, Follman, Ruschel e Neto em homenagem na Arena Condá - Sirli Freitas/Divulgação/ND
Henzel, Follman, Ruschel e Neto em homenagem na Arena Condá - Sirli Freitas/Divulgação/ND


Follman sofreu 13 fraturas no corpo no acidente e não poderá atuar em alto nível novamente, pois teve amputada parte da perna direita e caminha com o auxílio de uma prótese. Porém, ele exerce uma função de embaixador da Chape, além de ser figura presente no vestiário do clube e acompanhar o trabalho no dia a dia dos goleiros do time durante os treinamentos. “Se a gente pegar o contexto do que aconteceu é claro que hoje eu tô muito feliz com a minha vida. O que aconteceu com a gente foi um milagre, não dá para fugir disso”, afirmou em entrevista à repórter Fernanda Moro, da RICTV Chapecó.

Para ele, encarar a nova realidade só é possível de uma forma. “Eu sempre coloco na minha cabeça que eu me aposentei mais cedo. Isso me faz bem. Tenho a cabeça muito boa, com pensamentos positivos e as pessoas que estão ao meu lado também tem bons pensamentos. Me colocam para frente”, explica. Na véspera do jogo contra o Vitória, Follman voltou a trabalhar com bola. Um vídeo publicado pelas redes sociais da Chape mostrou o desempenho do ex-goleiro, que agora se envereda na natação, pois tem limitações de impacto no tornozelo esquerdo. Também sobreviveram ao acidente a comissária de bordo Ximena Suárez e o técnico da aeronave Erwin Tumiri.

Uma voz que não se calou

Passava um pouco das 17h30 quando Rafael Henzel passou pelo portão de acesso à imprensa da Arena Condá. Com sua maleta na mão e ao lado do repórter Matheus Montemezzo – substituto do colega Renan Agnolin, também morto no acidente que matou 71 pessoas em 29 de novembro de 2016 – colocou sua fitinha de credenciamento no braço e caminhou poucos metros até ser abordado por uma equipe de televisão argentina. O pedido é o mesmo que se repete, segundo o radialista, mais de 20 vezes por dia neste período em que a tragédia completa um ano.

É humanamente impossível atender todas as solicitações de entrevista e seguir com a rotina diária no comando da “Equipe Clássico” da Rádio Oeste Capital FM, mas gentilmente a equipe do ND foi recebida dentro da cabine da emissora na casa da Chapecoense horas antes do jogo contra o Vitória. “Vamos entrar no ar daqui a pouco. A rotina é essa. Eu chego, monto os equipamentos e vamos para o ‘Golaço’, nosso programa diário”, explica. Não há glamour. Toda a preparação antes de entrar no ar é feita por ele próprio.

Uma das vozes mais marcantes do rádio chapecoense usou também da escrita para falar sobre o acidente por meio do livro “Viva como se estivesse de partida” (Editora Globo). “É uma mensagem de motivação. A vida segue e eu conto sobre a importância de estar aqui, da família, do meu filho...” Quando recebeu alta, uma das imagens mais marcantes foi a da recepção por parte da mulher e do filho ainda no avião no aeroporto de Chapecó. O vídeo rodou o mundo, pois foi uma das primeiras imagens dos sobreviventes após o acidente.

Com tanta história para contar, falta uma a ser concluída. Perguntado sobre o gol que deseja narrar, um suspiro entregou a angústia da viagem que não terminou. “Ainda vou narrar um gol daquele jogo de Medellín. Vamos fazer uma homenagem em breve e vamos narrar esta partida”. 

Neto reaprendeu até a tomar água

O zagueiro Neto já voltou a treinar, mas ainda precisa superar as limitações do corpo para jogar. A esperança é que 2018 marque o retorno do “xerifão” à grande área da Chape. Um ano depois ele precisou reaprender a fazer tarefas básicas do ser humano. “Eu tinha muita dúvida se eu ia voltar a andar. Eu acordei na Colômbia de fralda, com 20 quilos a menos, todo arrebentado, então eu achava que tinha acontecido alguma coisa grave. Eu tive que reaprender a tomar água, no começo usava canudo.”, afirmou o jogador em entrevista ao programa “Bem, Amigos!”, do Sportv, no dia 20 de novembro.

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