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Candidatos à prefeitura de Florianópolis falam sobre temas polêmicos em série de entrevistas

Primeiro assunto abordado é a Lagoa da Conceição

Redação ND
Florianópolis
Débora Klempous/ND
Lagoa da Conceição
Muitas soluções já foram anunciadas para os problemas da Lagoa

 

A partir deste fim de semana, o Notícias do Dia começa uma primeira série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Florianópolis sobre temas polêmicos da cidade. Optamos por entrevistar apenas os quatro candidatos das coligações cujos partidos têm representação na Câmara dos Deputados, regra que também norteia os debates no rádio e televisão. Os outros dois candidatos a prefeito de Florianópolis, Janaína Deitos (PPL) e Gilmar Salgado (PSTU), serão procurados para responder as mesmas perguntas, após o encerramento desta série. 

Lagoa da Conceição, transporte coletivo, táxis, Mercado Público e Aflov são algumas das questões mais importantes a serem resolvidas definitivamente pela administração municipal. O primeiro tema a ser abordado é a Lagoa da Conceição.

Cartão-postal pede socorro

A Lagoa da Conceição, cartão-postal de Florianópolis localizado no Leste da Ilha, agoniza. A situação se agrava na medida em que não há cobertura completa de esgoto na região e que moradores mantêm ligações clandestinas na rede pluvial, sem fiscalização expressiva. Em outubro de 2007, o ND noticiou mortandade de peixes no manancial e, de três anos para cá, vem publicando matérias sobre a proliferação de algas na Lagoa - consequências da poluição. 

Nesse tempo, soluções foram anunciadas. Em dezembro de 2010, a Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente) prometeu estudar forma de erradicar as algas da Lagoa da Conceição. No entanto, em fevereiro de 2011, pela segunda vez naquela temporada, os nove pontos monitorados pela Fatma (Fundação Estadual do Meio Ambiente) estavam impróprios para banho. 

Em janeiro de 2012, a prova de que nada mudou: 70 toneladas de algas são retiradas de lá, onde o turismo acontece, onde crianças tomam banho e moradores pescam. Quem vai salvar a Lagoa? Conheça as propostas dos candidatos à Prefeitura.


Angela Albino 

Eu nasci aqui e já mergulhei muito na Lagoa, vi muitos peixes e ensinei meus filhos a pegar berbigão lá. E o que aconteceu ali é um espelho do que aconteceu com a cidade. A Lagoa continua sendo um lugar mágico, mas teve uma brutal perda de qualidade de vida. Ela coloca para nós a responsabilidade da cidade que estamos gestando para os próximos 20 anos, com a vantagem que 20 anos atrás não nos dávamos conta de para onde a gente estava levando a cidade. Hoje temos condições de ver para onde a cidade está indo. 

A Lagoa é muito emblemática nisso e, por isso, deveria ser tratada não só por um compartimento ou outro da estrutura pública. Não é problema do secretário ou da Casan. É a questão de liderar o processo. Acredito que a tarefa do gestor seja principalmente reunir todo mundo e dizer ‘não sai daqui sem resolver isso’. 

A responsabilidade pela qualidade de vida na cidade é do gestor municipal. Nós vamos tratar isso especificamente com as subprefeituras. Vai ter no Norte, no Leste, no Sul e na região Continental. Teremos acesso aos serviços de prefeitura nas regiões e aquelas pessoas designadas a ocupar as subprefeituras serão pessoas que possam trazer mais para a prefeita a realidade do lugar.  

Cesar Souza Jr. 

Tanto em relação à Lagoa quanto a outras coisas, a prefeitura não fiscaliza, não orienta e não previne. Várias obras foram autorizadas na Lagoa sem haver a mínima condição do ponto de vista do saneamento básico. A primeira questão é não autorizar novas obras enquanto não se tem rede completa de tratamento para recepcionar esses resíduos. Em relação às ligações clandestinas, o robozinho vai voltar a investigar a rede pluvial. 

Vamos penalizar criminalmente quem está jogando esgoto na rede pluvial, porque isso é um crime. Fiscalizaremos condomínios que potencialmente possam estar extravasando suas fossas na Lagoa. Sobre a Casan, sua atuação em Florianópolis é insatisfatória. Não tenho ideia pré-concebida de expulsar a Casan, agora ela vai ter que se enquadrar num plano de metas de universalização do serviço de esgoto, que se descumpridas podem importar na busca de nova concessionária. 

Do ponto vista de infraestrutura, serão duas novas pontes da Lagoa, tanto a que liga a lagoa pequena a lagoa grande, aumentando aquela calha de respiro da Lagoa, quanto à nova ponte do canal da Lagoa, com maior calha de respiro e mais altura para a passagem de barcos de pesca e de recreio.

Elson Pereira 

Nós temos três aspectos relacionados à Lagoa. A primeira é que a proposta do PSOL é ambientalmente comprometida. E aí vêm os outros dois aspectos. O saneamento é função do município, conforme a lei 11.445, que determina o Plano Nacional de Saneamento. Pode fazer isso ou dar a concessão. Florianópolis deu à Casan, que não é a responsável constitucionalmente. É o município que é.

A gente vê, através de relatório da Fatma, que as estações de tratamento estão operando de maneira ineficaz, jogando nos cursos de água, inclusive na Lagoa, esgoto sem tratamento. Isso é muito grave e mais uma vez a capacidade de gerenciamento da cidade se aproxima de zero. Quem tem que fiscalizar a Casan é o poder público municipal. E a Lagoa da Conceição é um caso específico que representa casos mais abrangentes. 

O terceiro aspecto é o uso e ocupação do solo. A Lagoa é um lugar frágil e se aumentarmos a ocupação em torno da Lagoa aumentaremos a pressão sobre ela. O atual Plano Diretor é altamente permissível e o que está em tramitação prevê a duplicação da Avenida das Rendeiras, o que significa levar mais urbanização para lá. Desenvolver-se não é crescer. Pode até ser, mas no caso de Florianópolis não é.

Gean Loureiro 

A Floram tem que atuar. Nós temos um corpo de fiscais e a experiência mostra que a melhor fiscalização é a realizada de forma conjunta com outros órgãos. Florianópolis tem aproximadamente 55% de cobertura de esgoto. O contrato de gestão da Prefeitura com a Casan dá prazo de três anos para o índice chegar a 75%, e para universalizar até 2022. Vamos ser rígidos na cobrança do serviço concedido à Casan. 

Não temos nada contra a Casan, mas não tem investimento em Florianópolis para atender o saneamento básico, e isso a gente é contra. Cobraremos que o contrato de gestão seja cumprido, sob pena de rescisão. Ainda há ligações clandestinas de esgoto na rede pluvial e nos cursos de água. A fiscalização precisa atuar conjuntamente – Floram, Vigilância Sanitária e Casan. Tem que se identificar o problema, punir e regularizar. O foco será mais educativo, mas em relação aos casos existentes, tomaremos providências. 

Sobre a construção civil, fui autor, como vereador, de projetos que limitavam a construção na Lagoa da Conceição. Entendo que primeiro as ações do poder público precisam avançar para depois Florianópolis crescer. No Plano Diretor, se tem claro para onde a cidade pode crescer.

 

Arte/ND
Candidatos prefeitura Florianópolis
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