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Canasvieiras: moradores esperam pela reconstrução dos acessos após a ressaca

De acordo com a Defesa Civil, pelo menos 15 imóveis foram afetados pela erosão na praia

Michael Gonçalves
Florianópolis
26/09/2017 às 12H25

Preferida entre os argentinos, Canasvieiras foi uma das praias que mais sofreram com as ressacas este ano. Conhecida pelas águas calmas, que atraem famílias com crianças, o balneário do Norte da Ilha registra ocorrências frequentes da ressaca. Restaurantes, hotéis, bares e barracões de pescadores foram atingidos de alguma forma. Quase todos os postes metálicos de iluminação pública foram destruídos. Assim como os acessos, que são os principais problemas na opinião da funcionária pública argentina Cláudia Ruiz, que tem um imóvel de frente para o mar.

Pescador Paulo Vieira duvida que a praia poderá voltar ao que era antes - Flávio Tin/ND
Pescador Paulo Vieira duvida que a praia poderá voltar ao que era antes; já Augusto tem medo de perder o local onde retira o sustento para a família- Flávio Tin/ND



De acordo com a Defesa Civil, pelo menos 15 imóveis foram afetados pela erosão em Canasvieiras. “Estamos esperando pela prefeitura para arrumar as escadas e as rampas de acesso à praia. Como um casal de idosos ou alguém com um bebê vai conseguir chegar à areia com pedras soltas e muito altas? Sem falar na escuridão à noite. O comentário de destruição já chegou à Argentina e estou com dificuldade em alugar o meu imóvel. No ano passado, ele já estava alugado nesta época”, disse Cláudia.

Nascido e criado em Canasvieiras, o jardineiro Hélio João Bernardo, 55 anos, lembra de um rio e de uma enorme área de restinga que existia junto ao mar. Isso há 40 anos. Ele recorda de uma região com árvores frutíferas que foi destruída pela especulação imobiliária. “Tínhamos mais de 50 metros de faixa de areia e, agora, estamos arriscados a não ter onde ficar na praia”, lamentou. A foto de antes e depois da ressaca de setembro demonstra que a força do mar retirou mais de um metro de profundidade na areia da praia. Um bar, que estava a 50 centímetros do solo, agora está com a estrutura comprometida e oferece risco de desabamento. O imóvel chegou a ser interditado pela Defesa Civil, mas o adesivo de interdição foi retirado no dia seguinte.

Pescadores assustados com o avanço do mar em 80 metros

Construídos em 1978, os ranchos dos pescadores de Canasvieiras estavam a 80 metros do mar. Atualmente, os ranchos estão a menos de dois metros das ondas. A força do mar também provocou erosão na duna e destruição à rampa de acesso das embarcações. O pescador Paulo Vieira, o Paulinho, 65 anos, tem na memória a imagem de uma praia com enorme faixa de areia que sempre recebeu a todos. “Há 40 anos tivemos uma ressaca muito forte como agora, mas acredito que nunca mais teremos a praia que já tivemos um dia. O mar avançou 80 metros desde então”, disse.
Chateado com a demora nas ações dos órgãos públicos, o pescador Augusto Klingelfus, 43, teme em perder o local de onde retira o sustento da família. “Já sofremos cinco ressacas desde maio. E ninguém faz nada para ajudar. Os órgãos de proteção ambiental não pensam nos homens, que também estão inseridos no ambiente”, disparou.

Restaurante antes da última ressaca (na foto abaixo, veja após a destruição) - Divulgação/Defesa Civil/ND
Restaurante antes da última ressaca (na foto abaixo, veja após a destruição) - Divulgação/Defesa Civil/ND

Situação após a última ressaca - Divulgação/Defesa Civil/ND
Situação após a última ressaca - Divulgação/Defesa Civil/ND




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