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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

  • Posso começar nossa conversa com uma pergunta ?

    Posso começar nossa conversa com uma pergunta? Obrigado. Você conhece a história do limão e da limonada, não conhece? Pois é, mas essa história de o sujeito ter um limão e do limão azedo fazer uma doce limonada faz-nos pensar na sabedoria humana. Vale dizer, diante de qualquer problema sempre há uma saída... basta pensar.

    A historinha que reencontrei ao meio dos meus arquivos conta de um pai que à beira da morte chamou os dois filhos para falar a eles da herança que lhes ia deixar. O pai tinha dois filhos diferentes, um estudioso, cumpridor dos deveres, bem-educado, inteligente; e um outro completamente diferente, um idiota, preguiçoso, um traste existencial. Mas o pai foi sábio na hora da partilha, herança. Deixou ao filho mandrião, ao vadio, a casa, o carro, e o dinheiro que tinha no banco. O filho sensível e bom rapaz ficou pensativo, o pai tinha deixado tudo de valor para o irmão atirado. O que o pai vai deixar para mim? – pensou.

    O pai, antes de[...]

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  • Temos que orar com as vísceras, só assim somos ouvidos.

    Numa manhã destas, lavei a cara com uma água congelante, de doer. Lavei, sequei a cara e... só me dei conta do congelante da água depois, quando eu já estava seco. Por que não me dei conta do congelante da água enquanto lavava a cara? Porque a minha cabeça estava em outro lugar, só eu sei onde ela estava... Quer dizer, como minha consciência estava longe não senti a “dor” da água gelada. Vale para tudo na vida, impossível ser feliz pensando em coisas ruins, impossível não ser feliz ocupando a cabeça com coisas boas. Fácil como 2+2...

    Conto essa minha vivência porque há pouco alguém me a fez relembrar com uma história parecida. Uma certa pessoa tem agora, por razões de saúde, que colocar sobre a comida uma espécie de farelo, é remédio, tem que colocar o farelo, mas... A pessoa reclama, acha que o farelo tem um gosto muito forte, tipo pimenta da braba. Ouvi e observei: – “Se o farelo é remédio tens que comê-lo imaginando que seja o teu prato[...]

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  • "O inferno é um fim de semana sem fim", disse o poeta...

    A história que vou contar envolve um jornalista, veterano, um sabe-tudo das redações... Foi meu colega numa empresa de Porto Alegre. Ele estava em casa e agora foi chamado para escrever uma coluna às segundas-feiras num determinado veículo da capital gaúcha.

    Meu amigo jornalista, imagino, querendo ser bem-humorado, engraçado mesmo, escreveu na primeira coluna que era difícil ser competente e ter leitores começando numa segunda-feira, logo numa segunda-feira, um dia azedo, antipático, disse ele. E por aí foi, bem-humorado, mas... dando chineladas na segunda-feira.

    Por que ele fez isso? Imagino que para ser leve, engraçado, afinal, parece mesmo que meio-mundo odeia as segundas-feiras. E é aqui que está o ponto que me traz à esta tertúlia.

    Sei de há muito que a segunda-feira é o dia dos infartos, as cardioclínicas sabem disso, nunca se enfarta tanto quanto nas segundas-feiras de manhã. Por que, repito a pergunta, por quê?

    Quantas pessoas você conhece,[...]

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  • Os pobretões da cabeça são os verdadeiros e piores pobretões...

    Esse título – ficar rico – é uma grande isca para muitíssimas pessoas, não para todas. Ficar rico é o que a maioria deseja, nem todos, porém, querem pagar o preço dessa possível riqueza. Possível, garantida jamais. Estranha verdade, mas muita gente dá de ombros para ficar rico. Pessoas que não veem nessa riqueza possível um atrativo que as mobilize na vida. Talvez sejam as mais felizes, talvez. Vou dizer a que venho, com licença.

    Riqueza é uma palavra elástica, serve para muitas conquistas humanas e estou mesmo disposto a dizer que a melhor, ou as melhores riquezas, não nos vêm do dinheiro. E toda vez que digo isso, lembro das meninas ginastas olímpicas. Passam milhares de horas de suas infâncias em treinamentos de altíssimos sacrifícios, de dores, quedas, desafios e... levantam e voltam aos treinos. Na cabecinha arejada delas a visão é a do pódio, da conquista, da vitória delas sobre elas mesmas. Aí está um tipo de pensamento rico e uma vida[...]

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