Publicidade
Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 18º C

Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

Oito dias sem comer nem beber e sem saber se seria encontrado

Luiz Carlos Prates

Na verdade, pensei em dizer “vergonha na cara”, mas ponderei por alguns instantes e lembrei que nem todos engolem a expressão assim, no seco. Há quem ouça determinada palavra e salte da cadeira, são, geralmente, os mais frouxos na vida. Mas é bom ouvir certas verdades de vez em quando, elas nos fazem um bem danado. E quando verdades não nos fazem bem, é abrir o olho, estamos com um pé – ou com os dois – no perau... Ando colocando em ordem meus arquivos, os proverbiais “arquivos temáticos”, onde guardo reportagens sobre assuntos de toda ordem, sempre na área das humanidades.

Fui ao bloco das “Superações”. De cara, encontrei três histórias, três reportagens diferentes, dias diferentes, fontes diferentes, impactantes. A primeira manchete: - “Idoso de 101 anos é resgatado com vida 8 dias após terremoto no Nepal”. Resumindo, esse “jovem” de 101 anos ficou os tais 8 dias sem comer nem beber e, pior, sem saber se seria encontrado e salvo. Ele esteve consciente o tempo todo. Imagine o horror...

A segunda manchete: - “Menino de 13 anos é retirado após 108 horas dos escombros de terremoto na Turquia”. Sem comer nem beber, vivo e consciente. 108 horas, hein...

E a terceira história; - “Idosa de 80 anos e neto de 16 são salvos 9 dias depois do tsunami que atingiu o Japão”. Avó e neto sem comer nem beber, a mesma angústia, a mesma consciência dos anteriores.

E aí, não lhe passou um frio pela espinha? Você, seguraria uma barra dessas? Aposto que sim, passaria também por esse inferno na vida, sairia lépida, sairia faceiro, garanto. É uma vergonha nos entregarmos tão facilmente diante de probleminhas do cotidiano... – Ah, não posso; não tenho forças; não tenho coragem; ah, isso; ah, aquilo... Mas quando o bicho vem com tudo, afiamos nossas garras, fechamos os olhos e mandamos ver. E não é que conseguimos? Claro que conseguimos, seja qual for o problema, você pode vencê-lo. Esses “jovens” citados aí em cima nunca poderiam imaginar que viessem a passar pelo que passaram. Pois passaram e têm agora boas histórias para contar. Que não precisemos de tanto para nos descobrirmos heroicos. Podemos muito mais do que pensamos ou tememos.

 

VÍTIMAS

Não tem cabimento que camaradas que lesaram pessoas (não o tivessem feito não teriam sido condenados) sejam colocados em liberdade sob o argumento de que os presídios estão sem vagas. Sim, mas e as vítimas dos crimes foram ouvidas para que os bandidos sejam soltos? Que justiça é essa? E se uma vítima “reagir”, será ela condenada? E por que os calças-frouxas, governadores, não mandam construir mais presídios? Vai para a cadeia quem escolhe a cadeia, ora bolas!

 

FALTA DIZER

Segundo delegacias da mulher pelo Brasil, 88% das agressões dos machos covardes e impotentes às mulheres são devidas ao alcoolismo. Desculpem-me “doutores”, mas o álcool não muda o caráter das pessoas, o álcool reforça o caráter. Se o cara não presta, vai ficar pior depois de beber; se presta, fica alegre e bobão. É bom que estudem um pouco mais.

 

 

 

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade