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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

E de repente ela disse " Ai, que vontade de sumir "

Luiz Carlos Prates

Já disse aqui que não sei se por ser jornalista, psicólogo ou bisbilhoteiro costumo prestar muita atenção às pessoas falando. É um mau negócio para a paz de espírito, mas só nesses casos da paz de espírito.

Ontem, enquanto fazíamos um cafezinho descer pelo vale do prazer, uma amiga suspirou uma frase que me fez engasgar. Antes de pousar a xícara, ela balbuciou: - “Ai, que vontade sumir”!

Ouvi a frase como: - “Ai que vontade de fugir”! Para mim, mesma coisa. Ouvi e não disse nada, o tempo de um cafezinho é muito curto. Deixei passar, mas... fiquei com a frase: - “Ai, que vontade de sumir”!

Saí pensando: muitíssimos de nós gostaríamos de “dar no pé” para qualquer lugar, quanto mais longe melhor. Mas por que, qual o sentido dessa viagem/fuga/sumiço? Encrencas, aborrecimentos, enjoos, marasmos, nojo... Do quê? De tudo ou de algo muito especial e mais das vezes não conscientizado. Aí é que está o perigo, não saber exatamente do que queremos fugir.

Quando uma pessoa suspira por viajar, sair da casca do cotidiano e me diz não ter recursos para isso, costumo dar a mais surrada das sugestões:  - Tu podes ir onde quiseres, sem sair de casa, sem gastar um dólar... Tu podes encantar teus olhos (os da mente, os que enxergam melhor) pelas páginas dos livros, lendo. Há livros para todos os encantos e necessidades humanas. Podemos ver as paisagens como as desenharmos e não como elas se nos apresentam nas viagens propriamente ditas. – “Ah, Prates, mas não é a mesma coisa”! De fato, não é. É melhor.

O que buscamos numa viagem? Fugir de nós mesmos? Conhecer novos lugares, pessoas, culturas, arejar? Tudo isso podemos encontrar nos livros, num bom filme; prazeres que podem ser repetidos ao longo da vida, sem gastos nem sobressaltos e com um imenso retorno no melhor dos capitais: mente rica, conversas encantadoras... Viajar “fisicamente” não produz resultados. Ler e fazer todas as viagens que a mente criativa pode nos ensejar, sim, produz, mas é para os disciplinados. E esses são os encantados da vida, sem passaporte da PF, mas como o mais universal dos passaportes: o dos livros e das mentes arejadas. Sem sair de casa, hein, que tal?

 

MUDANÇAS

As repetições são cansativas, mas imperiosas, como, por exemplo, dizer que você pode viajar pelo mundo sem sair de sua cidade, apenas... trocando os óculos com os quais vê a vida. Trocar os óculos significa ver o mesmo com outros olhos. E aí estará a grande mudança e a nova vida. Machado de Assis nunca saiu do Rio de Janeiro, e... foi o que foi. E os seus “óculos” como estão?

 

FALTA DIZER

O futuro é borrascoso para os brasileiros. Jovens consumistas sem controle e estimulados pelas famílias estão produzindo uma sociedade estonteada. Os desejos desses pilantras são saciados pelos pais frouxos, bermudões e dengosas. E, claro, jovens consumidores de drogas, regra geral, ampla e quase irrestrita, mas cuidado os pais que vão dizer não a essas verdades. São os piores. Ferro neles.

 

 

 

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