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Terça-Feira, 23 de Outubro de 2018
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Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

As mulheres que precisam me ouvir não vão me ouvir...

Luiz Carlos Prates

Se você for homem e de bom caráter, por favor, vire a página, a conversa não vai ser com você. Quero conversar com “elas”, ainda que eu saiba que perco meu tempo. Já digo quem são essas “elas”.

Já contei até 12 para não perder os cadernos, fica difícil dizer e fazer aqui o que faço na televisão, onde chego a babar na gravata, dependendo do assunto. É o caso de agora.

Ontem, conversando com duas amigas, uma delas me disse sem piscar: - “Prates, tu tens razão, é isso mesmo, mas te dou um conselho, muda teu discurso, as mulheres que precisam te ouvir não te vão ouvir...”.

A conversa era sobre feminicídio, odeio a palavra, como odeio “empoderamento”. Estou babando de tanta fúria. É-me difícil aceitar esse discurso que anda por aí de mulheres livres, independentes, que sabem onde têm o nariz, diachos, não consigo encontrar essas mulheres... As que eu encontro estão todas “presas” a um sujeito que lhes dá ordens, que as cerceiam, que lhes fazem proibições, que as ameaçam, tudo... E elas para não os perder, para não passar “vergonha”, diante das amigas, de andar sem ninguém, os aceitam e se calam. Apanham, são dominadas e bem podem acabar mortas. E sem essa de que quem faz isso é gentinha, não é, é gente metida a “boa”. De meritíssimos a grandes empresários, de tudo...

O que me traz a esta conversa é dizer que uma mulher é muito pequena quando não se respeita ao ponto de aceitar críticas, cerceamentos, proibições ou, pior de tudo, apanhar de um macho impotente e com ele continuar. Será que essa mulher está esperando por um tiro? A relação acabou, acaba no primeiro pigarro mais grosso de parte dele, tem que acabar na primeira proibição, no primeiro apertar de braço, será que elas não veem isso?  Sei, não querem passar por encalhadas, por mal-amadas, por titias, por solteironas e vão aceitando esses machinhos que só engrossam a voz com mulheres. Mulher, acorda, acorda enquanto estás viva! Cai fora dessa relação de violências e... avisa a dois ou três “amigos” especiais... É para a tua proteção. Esses “amigos” não são difíceis de encontrar... Cai fora, estou te avisando, cai fora!

 

VIAJANTE

Li a história e fiquei sabendo que ela enviuvou depois de 45 anos de casamento. Nunca trabalhou fora, cuidou dos filhos, da casa, do marido, do gato, de tudo... em casa, enquanto casada. Ficou viúva. E contam os familiares que ela agora não para mais em casa, é uma viagem atrás da outra. História muito comum. Mas a pergunta é: por que essa mulher “não viveu” enquanto o marido era vivo? Resposta: ela foi igual a milhões de outras. Tontas.

 

CARGA

Eu ia dizer burros de carga, mas seria grosseiro. Quero dizer que também há homens que vivem com a corda no pescoço ao longo da vida, só cuidando da família, não vivem. Admiráveis por um lado, mas inimigos de si mesmos por outro. Acordem, “maridos”, vivam enquanto estão vivos, só obrigações encurta a vidinha.

 

 

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