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Domingo, 18 de Novembro de 2018
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Formado em psicologia, Luiz Carlos Prates nasceu em Santiago, no Rio Grande do Sul, e pratica o jornalismo há 58 anos. Homem de posicionamento, perspicácia e ponto de vista diferenciado, ele tece comentários provocativos, polêmicos e irreverentes, abordando os fatos do dia a dia e pautas voltadas a comportamento.

A solidão “coletiva” que faz sofrer e adoecer

Luiz Carlos Prates

Muito difícil encontrar alguém que pense igual a nós, que pense na frequência de uma sintonia de percepções, não de gostos mundanos ou bobagens da moda... Vem daí que é quase impossível o casamento de almas gêmeas. O que mais há é junção de corpos, não de “casamentos” no sentido universal da palavra.

Acabo de ler a declaração de um médico e fechei com ele. Maioria dos médicos, ou por estupidez ou por ignorância, evitam o humanismo em seus pacientes e tratamentos, não incluem a Psicologia no cuidado de quem os procuram.

O tal médico de que falo concedeu entrevista a um jornal de São Paulo e disse exatamente o seguinte: - “O desamparo da solidão coletiva, a falta de uma pessoa para compartilhar nossos medos e dúvidas são fatores que favorecem o sofrimento mental e o consumo de álcool e drogas que, por sua vez, eleva o risco de ansiedade e depressão”.

Jesus, quantas vezes já disse isso aqui? Ninguém tem três amigos, por exemplo. Vivo lembrando um desafio a que nos expôs um professor de Sociologia no curso de Psicologia que fiz na PUC/RS. Levante o dedo, disse ele, quem tem três amigos, AMIGOS... Ninguém levantou.

O médico da entrevista falava das loucuras e doenças a que estão submetidos os moradores de São Paulo, uma cidade para o sofrimento e... o crescimento da conta bancária. Mas é preciso entender que hoje “qualquer” cidadezinha tem os mesmos problemas e vive as mesmas loucuras e doenças que São Paulo, qualquer.

Andamos sozinhos na jornada da vida, e pai e mãe não devem ser colocados na conta dos amigos. Fora deles, estamos sozinhos. E assim, como não cair em ansiedades, medos, depressões, álcool, drogas, suicídios? E por suicídios entendamos muitas das nossas ações diárias, ações que inconscientemente nos levam para o abismo da cova... em vida.

Ou rompemos com muitos dos “costumes” dominantes ou não teremos saída. A saída serão as loucuras, doenças e a morte mais cedo. Estamos sós, não temos amigos, temos conhecidos, temos “curtidas e seguidores”, amigos não. A solidão ao meio de todos, a solidão “coletiva” é a pior solidão. Mas há alguém nos esperando como amigo/a... Quem? Nós mesmos. Se não formos nosso melhor amigo/a, babaus, viveremos a solidão coletiva, a pior de todas.

 

DESALENTADOS

A notícia me atraiu: - “Brasil tem recorde de desalentados”. Li e bufei. São os que desistiram de procurar emprego, não encontram, mas... são pessoas sem experiência ou qualificação. Ora, só o que faltava eu abrir vagas na minha empresa só para pagar salários, o cara não sabe fazer nada ou sabe mas faz malfeito. Só o que faltava. Espelho, gente, espelho.

 

FALTA DIZER

Imagine um candidato, desses tantos, prometendo duros esforços para educar e reeducar a população, um sujeito falando sobre livros, alimentação saudável, falando de teatro, música clássica, usos e costumes de boas maneiras, falando, enfim, de melhorar o Pib brasileiro através de um povo de primeira, hein, que tal? Ele teria que trocar a roupa, tantos os ovos que lhe seriam jogados. Povinho.

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