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JEC é rebaixado para a Série D do Brasileiro. A terceira queda em quatro anos

Juca Miguel
30/07/2018 00h01

O tamanho do rebaixamento

Quem me acompanha, seja nos programas da RICTV, em rádio, em blog ou nas mídias sociais, já sabe há quanto tempo venho falando sobre o rebaixamento e o que ele pode representar ao clube. Uma tragédia anunciada, que vem desde janeiro com decisões equivocadas da atual diretoria até a não permissão que Grampola entrasse em campo (mesmo com o atleta pedindo para jogar) contra o Tupi no sábado (28), jogo esse que decretou o rebaixamento do Joinville.

Eu errei feio, quando disse no início da Série C, na chegada de Emerson, Davi, Pierre e Bruno Aguiar, além da manutenção de Grampola, que esse time iria se classificar e ainda brigar pelo título da Série C. Eu, assim como a maioria dos torcedores, não imaginava que eles viriam para fazer corpo mole, ou para dar uma arriscada na carreira. O acordo com esses medalhões, era assim: Receberiam 50% do salário até o JEC subir e depois do acesso confirmado, a outra metade do salário. Quando os atletas perceberam que o JEC não tinha mais condições, abandonaram o clube. Só que na Série C, o limite de contratações é de 35 atletas e se tu inscreve um jogador, fica com uma vaga a menos. A vaca começou a ir para o brejo.

Esse erro, o técnico Marcio Fernandes também revelou ter cometido. Quando ligaram para ele, e falaram o time que tinham nas mãos, ele pensou:  O time é ótimo, só falta um comandante. Mas, quando chegou aqui, a primeira coisa que ele revelou foi: o bicho é muito pior do que parecia.

E por que a declaração do ex-treinador? Porque os salários estavam atrasados em quase três meses, o clube não tinha um diretor de futebol para cobrar as barbaridades que os jogadores faziam, ou melhor, deixavam de fazer dentro de campo, e a diretoria não era respeitada pelos atletas. Um profissional do clube chegou a revelar para o colunista que “os atletas riam dos diretores e tiravam sarro, dizendo em tom de ironia que iriam correr quando quisessem”. Isso e muito grave.

Mas, voltemos ao Estadual. Amigos, entendam. Não dava para continuar com Rogério Zimmermman. Se ele ficasse mais uma rodada, sairia na porrada com alguns jogadores. O clima interno era péssimo. A escolha por Matheus Costa, um jovem que fez um trabalho curto no Paraná Clube foi a aposta, mas que não deu certo. Para lidar com as cobras criadas, precisava ser alguém com mais experiência.

Aí tentaram Marcio Goiano, Helio dos Anjos, Argel Fucks, Pintado e mais alguns. Acertaram com Marcio Fernandes, mas só "mandaram a passagem" quase 20 horas, depois que todos esses acima disseram: não! Os jogadores souberam que Marcio Fernandes era a quinta opção, e passaram a não respeitar o treinador. Para piorar, Márcio expôs muitos problemas internos, dizendo em entrevista coletiva, que disse que muitos ogadores não eram “inteligentes” para assimilar o que ele pedia.

Acabou demitido, com um aproveitamento pífio. A diretoria então tinha uma última carta na manga. Restavam quatro jogos para tentar o milagre. Ganhando três e empatando um jogo ainda daria para se manter na Série C. Mas, preferiram jogar a toalha, efetivando Pedro Medeiros (Maradona), técnico do sub-20 como treinador. Um técnico que quase não acompanhou o clube, porque não tinha uma integração. E isso o próprio treinador afirmou em entrevista coletiva. A prova de que o treinador estava perdido, foram suas escalações e convicções.

Outro fator grave, e que  mostra o tamanho da falta de preparo da atual gestão na escolha de Pedro Medeiros foi após a goleada sofrida contra Cuiabá fora de casa por 5 a 0. A maioria dos jogadores recebeu como prêmio por tomar uma goleada histórica 5 a 0, o direito de começar jogando contra o Botafogo-SP. Se é um técnico mais enérgico, Alex Ruan e Gualberto (só para começar) jamais vestiriam a camisa do JEC novamente. Além deles, tem mais gente fazendo corpo mole como afirmou Zotti após o jogo contra o Tupi, que rebaixou o JEC.

Apesar de tudo isso, o JEC ainda tinha 1% de chance de lutar, mas novamente a direção preferiu não lutar. Deixaram Grampola treinar a semana inteira como titular, e na véspera do embarque comunicaram que ele não iria viajar. O jogador, revelou ao colunista que queria jogar, mas que foi uma decisão da direção. E sabem o que é pior? É que o negócio ainda não estava 100%. Então por que não tentar salvar o JEC?

Apático, o time caiu com duas rodadas de antecedência, sem ter feito UM mísero gol fora de casa em uma Série C com Tupi, Tombense, Ypiranga, Luverdense, Volta Redonda e Cuiabá. Times que, com todo respeito do mundo, deveriam temer o JEC, mas que castigaram o Coelho dentro e fora de casa.

A nova direção, que insiste em dizer que assumiu o clube em abril, estão no comando desde janeiro e agora que colocaram o clube na Série D, querem reconstruir.  A ideia é válida, mas precisa  de gente que entenda do negócio. O comitê do futebol foi uma das maiores trapalhadas da atual gestão. Além disso, faltou humildade em reconhecer inúmeros erros. A imprensa não joga contra, entendam isso. As cobranças são para que o clube melhore e evolua.

Ou dá para achar normal que o JEC seja o primeiro time rebaixado do Brasil? Isso é história negativa.  E muito menos, em quatro anos, ser rebaixado da Série A para a Série D. Amigos, em quatro anos, três rebaixamentos. 

Eu estive em Manaus, Irati e tantos lugares cobrindo a Série D em 2010. Depois, por três vezes no STJD acompanhando o julgamento do clube contra o América-AM.  A competição é árdua e muitas vezes ingrata. Se o processo de reconstrução não for feito de maneira correta e sem vaidades, não dará certo.

Essa é a hora de ver quem realmente quer ficar no clube, e acabar de uma vez por todas com o discurso de que: Estou aqui porque ninguém quis, isso ou aquilo. Eu peguei esse problema da antiga gestão. Isso aqui é herança do Nereu, Jony, Márcio.... Não está contente, deixa para quem realmente quer!

A postura de líder precisa vir de dentro para fora. O JEC é um clube grande, que está se apequenando ano após ano. E se não agirem com a razão, com sabedoria e principalmente com a inteligência para se gerir um clube de futebol, o JEC não voltará a ser grande. 

O futebol de hoje não permite mais amadores.

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