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Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens da cidade e da região

MPF pede inquérito para averiguar situação de museu de Florianópolis

Com base em denúncia anônima, solicitação foi enviada à Polícia Federal no último dia 6

Fabio Gadotti
12/09/2018 17h06

Com base numa denúncia anônima, o procurador Eduardo Barragan, do Ministério Público Federal, pediu à PF, no último dia 6, a abertura de um inquérito policial para averiguar a situação do Museu do Homem do Sambaqui, na rua Esteves Jr., em Florianópolis. O alerta também foi encaminhado ao Ministério Público estadual, Iphan (Instituto do Patrimônio e Histórico Nacional) e Ibram (Instituto Brasileiro de Museus).
A coluna teve acesso à documentação, que aponta o sumiço de pelo menos 160 itens e negligência na manutenção do acervo e questiona as condições de armazenamento da reserva técnica. Registra o desaparecimento de artefatos arqueológicos com 6 mil anos de idade, peças históricas que remontam à Guerra do Paraguai, além de espadas, condecorações e outros itens. Também cita a falta de toda a Coleção do Antigo Liceu de Artes e Ofícios de Florianópolis, adquirida pelo museu em 1924.
Com um dos maiores acervos do Sul, o museu foi fundado em 1909. É o mais antigo do Estado. A partir dos anos 1940, passou a receber materiais pesquisados pelo padre João Alfredo Rohr, que registrou 429 sítios arqueológicos pré-coloniais e históricos. Segundo a denúncia, a “indiferença” em relação ao museu “resultou em graves danos ao patrimônio arqueológico, testemunho da presença humana em SC há mais de 8 mil anos”.
Entre as recomendações que constam do documento, e que agora servem de referência para o pedido de inquérito, estão a interdição imediata do museu, contratação de corpo técnico para realização de um inventário de todas as peças e transferência do material para a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), CIC (Centro Integrado de Cultura) “ou outra instituição pública que manifeste interesse”.

Padre João Alfredo Rohr, em foto na Base Aérea, contribuiu com acervo do museu - divulgação, ND
Padre João Alfredo Rohr, em foto na Base Aérea, fez pesquisas em sítios arqueológicos de Florianópolis - divulgação, ND



Transferência
O “dossiê” entregue aos ministérios públicos estadual e federal há cerca de um mês, portanto antes do incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, resgata uma carta do próprio João Alfredo Rohr – dirigida a um superior – em que manifesta intenção de transferir o Museu do Sambaqui à UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) para que ele não desapareça. A correspondência é datada de 1º de outubro de 1967 e cita interesse da universidade.

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