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Comportamento, políticas públicas, tendências e inovação. Uma coluna sobre fatos e personagens da cidade e da região

"A música das mulheres funciona como resistência e empoderamento", diz pesquisador

Rodrigo Savelli Gomes lança no dia 28, em Florianópolis, o ivro "MPB no Feminino'

Fabio Gadotti
20/09/2017 10h52

Professor da rede municipal de Florianópolis, Rodrigo Savelli Gomes lança no próximo dia 28, na Udesc, o livro "MPB no Feminino". Nesta entrevista à coluna Bom Dia, Savelli fala sobre as principais conclusões da pesquisa. "As mulheres sempre foram muito ativas musicalmente. O que tem mudado é é o interesse do público, os produtores estão mais interessados, as mídias, e com isso estamos cada vez mais conhecendo e ouvindo a produção feminina".

Uma das conclusões da pesquisa é que o universo musical é predominantemente machista?
Não diria exatamente que o universo da música é machista. Há vários "universos musicais", alguns deles sim, bastante machistas, e outros, por exemplo, compostos majoritariamente por mulheres.  O que eu argumento é que se projeta muito mais a produção musical masculina, a músicas dos "grandes" homens. A música das mulheres fica em segundo plano ou até mesmo invisível, como se não existisse. Isso faz com que imaginemos que as  mulheres não fazem muita música, que não se interessam tanto quanto pelo assunto os homens. O que eu mostro no livro é que desde os primórdios da música brasileira há uma intensa produção musical feminina, mas que não foi objeto de interesse dos pesquisados, da indústria da música, das mídias da época. Questiono inclusive, o famoso e polêmico primeiro samba gravado, a música "Pelo Telefone", apresento forte indícios que ele foi composto por uma mulher.

Como vê a inserção das mulheres na música brasileira nos 10 anos de trabalho da pesquisa?
Vejo que as mulheres estão cada vez mais se destacando na música brasileira em espaços que até então eram considerados bastante masculinos, como composição, regência, percussão. Percebo ao longo destes 10 anos que a visibilidade da música feminina está aumentando, há mais interesse pela música delas. Além disso, as mulheres estão se organizando em redes femininas que dão sustentação e visibilidade a suas práticas musicais. Mas, isso não quer dizer que agora elas estariam fazendo mais música ou mais interessadas nisto. As mulheres sempre foram muito ativas musicalmente. O que tem mudado é o interesse do público, os produtores estão mais interessados, as mídias, e com isso, estamos cada vez mais conhecendo e ouvindo a produção feminina.

Você fala também de resistência no livro. Pode dar alguns exemplos?
"Resistência" não é um dos conceitos centrais do livro. Mas pode-se dizer que a música feminina funciona como um mecanismo de resistência e empoderamento das mulheres em alguns "universo musicais", como por exemplo, no caso no hiphop. Neste, a maior parte das mulheres rappers costumam por meio de suas músicas discutir sobre os problemas das mulheres, como violência doméstica, aborto, estupro, assédio, feminicídio. Em outros campos musicais, isto se dá de forma menos explícita ora de forma mais explícita. A "resistência" opera de várias formas, e uma delas é a organização feminina em redes, como citei na questão anterior.

SERVIÇO 
O quê: Lançamento do livro “MPB no Feminino"
Quando: Dia 28 de setembro
Horário: 19h30
Onde:  Sala Teatro-Educação do Centro de Artes da Udesc
Endereço: Avenida Madre Benvenuta, 1907 - Itacorubi

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