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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Painel fotográfico valoriza fachadas de Florianópolis

Professor aposentado da UFSC apresenta imagens de edificações com o objetivo de despertar o olhar do público e abrir discussões sobre preservação do patrimônio

Carlos Damião
02/09/2018 16h48

Imóvel localizado na Avenida Mauro Ramos, próximo ao Instituto Estadual de Educação - Milton Muniz/Divulgação/ND
Imóvel localizado na Avenida Mauro Ramos, próximo ao Instituto Estadual de Educação - Milton Muniz/Divulgação/ND


Com uma câmera na mão e um intenso amor por Florianópolis, o professor aposentado Milton Muniz dedicou três anos de sua vida (entre 2013 e 2016) a clicar aspectos do patrimônio histórico da cidade, em especial as fachadas das edificações, com a ideia geral de retratar o estado físico dos imóveis. O resultado vem sendo apresentado ao público desde junho em exposições específicas, como a que foi aberta no dia 28 de agosto no hall da Reitoria da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), onde o professor trabalhou desde a década de 1970 até se aposentar.

A exposição na UFSC tem o nome de “Abandono IV” e contém cerca de 50 fotografias que formam “recortes” da cidade histórica, mostrando imóveis não necessariamente depredados, mas que têm alguma relevância estética ou arquitetônica. A intenção, segundo Milton Muniz, é abrir a discussão sobre o que fazer: em alguns casos, restaurar para preservar, em outros, conforme o caso, a demolição pura e simples. Como o nome indica, “Abandono IV” é a quarta mostra do material registrado – outras duas exposições já foram realizadas, na Assembleia Legislativa e no Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, no campus da UFSC. A terceira mostra, no Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC, fica aberta ao público até 28 de setembro.

 

Rua Padre Roma, paredes de edificação que integrou o conjunto arquitetônico do porto de Florianópolis - Milton Muniz/Divulgação/ND
Rua Padre Roma, paredes de edificação que integrou o conjunto arquitetônico do porto de Florianópolis - Milton Muniz/Divulgação/ND


Homenagem à cidade

Propositalmente, as fotos não têm legenda de identificação, apenas a indicação do endereço, com o objetivo de provocar uma visita do público às ruas da cidade, num exercício de “olhar com atenção para as fachadas das edificações históricas”, comenta o professor.

Algumas das casas fotografadas podem já ter sido demolidas, informa Muniz, que é fotógrafo amador e estudioso da fotografia. “Essa foi uma maneira de homenagear a cidade que me acolheu há 41 anos (a se completarem em 1 de outubro deste ano)”, diz.

Mineiro, Milton Muniz chegou a Florianópolis há 41 anos para lecionar na UFSC: “Minha exposição é uma homenagem à cidade que me acolheu” - Caio Cezar/Divulgação/nD
Mineiro, Milton Muniz chegou a Florianópolis há 41 anos para lecionar na UFSC: “Minha exposição é uma homenagem à cidade que me acolheu” - Caio Cezar/Divulgação/ND


Milton Muniz nasceu em 1939 na fazenda Pouso Alto, Distrito Patrimônio de São Jerônimo, município de Ituiutaba, hoje Gurinhatã (MG). Em 1971 formou-se em História Natural na Universidade Católica de Goiás e concluiu o mestrado em 1978, no Departamento de Genética da Universidade Federal do Paraná. Em 1977, ingressou na Universidade Federal de Santa Catarina como professor de Genética no Departamento de Biologia. Concluiu Doutorado em Engenharia de Produção na UFSC, em 2006, e se aposentou em julho de 2009.

“Tenho muito viva na memória a imagem de Florianópolis, quando aqui cheguei, em 1977. Era uma cidade muito diferente. Em quatro décadas perdeu muitas referências arquitetônicas e históricas. Este recorte que apresento nas fotos valoriza fachadas de edificações que resistiram ao tempo e às mudanças urbanas”, constata. “Tenho a preocupação de dar minha despretensiosa contribuição à discussão de como preservar, conservar ou demolir o casario antigo, histórico ou não, dando significado à sua existência, se houver”.

O professor analisa, a propósito de suas andanças pela cidade: “Observando as fachadas do casario verifica-se uma sobreposição de estilos, de tempo, de poder econômico representando variáveis culturais”. Acrescenta em seu depoimento sobre o trabalho: “Não é fácil analisar essas variáveis pela simples observação: é necessário isolar cada fachada do seu entorno, avaliando valores intrínseco e extrínseco, histórico, estético e de relevância cultural. Em algumas ruas, essas casas formam conjuntos contínuos de fácil observação e caracterização, em outras, elas são unidades circundadas por prédios modernos o que torna imperceptível sua presença pela imposição do porte e do desenho”. 

 Casas geminadas preservadas na Rua Hermann Blumenau - Milton Muniz/Divulgação/ND
 Casas geminadas preservadas na Rua Hermann Blumenau - Milton Muniz/Divulgação/ND



SERVIÇO

O quê: Exposição Fotográfica “Abandono IV”, fotos de fachadas de edificações de Florianópolis, de autoria de Milton Muniz, professor aposentado da UFSC

Onde: Hall da Reitoria da UFSC, Trindade, Campus da UFSC Florianópolis (SC)

Quando: até 13 de setembro de 2018, no horário de funcionamento da Reitoria (8 às 18h)

Quanto: Gratuito e aberto à comunidade

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