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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

O que o incêndio do Museu Nacional nos ajuda a entender

Apesar da virulência verbal de muitos sabichões de redes sociais, a comoção generalizada deve despertar a consciência geral sobre a importância de conservação

Carlos Damião
04/09/2018 11h37

Abstraindo as opiniões demolidoras de certos sabichões de redes sociais, predomina uma comoção nacional e mundial generalizada com o que houve no Museu Nacional do Rio de Janeiro. Equipamento cultural que não tinha manutenção adequada desde 2013, último ano em que recebeu dotação financeira plena. Nesta segunda-feira o Ministério da Educação anunciou a liberação de R$ 10 milhões para serviços emergenciais (e o museu precisava, anualmente, de pouco mais de R$ 400 mil). Mas é a velha história de se “colocar a tranca depois da porta arrombada”. O museu foi destruído pelo incêndio de domingo, 2/9.

Entre as tantas confusões que se espalharam pela internet, graças aos espíritos de porco de sempre, destaca-se a desinformação sobre a própria vinculação do museu, com muita gente apontando o dedo para o Ministério da Cultura, quando na verdade o museu é vinculado ao Ministério da Educação, subordinado que é à estrutura da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Muitos também fazendo confusão com a Lei Rouanet, ao espalhar falsas informações sobre supostos valores que o museu teria recebido. Na real, a instituição buscou parcerias com a iniciativa privada, mas não conseguiu arrecadar o necessário para bancar as obras indispensáveis.

Enfim, os absurdos se amplificam, até com as vinculações ideológicas tão correntes, do tipo “museu é coisa de esquerdista”, “história é coisa de esquerdista”, “cultura é coisa de esquerdista”, “ciência é coisa de esquerdista”, entre tantas besteiras do gênero. Há os que relevam a responsabilidade do presidente Michel Temer (MDB), embora tenha sido seu governo o responsável pelo sucateamento recente das estruturas de educação superior, nisso se incluindo o brutal corte de verbas para a UFRJ após 2016. E há os que apontem o pouco caso do Estado brasileiro desde a década de 1980, pelo menos. Registrando-se que desde Juscelino Kubitscheck (1956-1961), nenhum outro presidente da República pôs os pés no Museu Nacional nos últimos 60 anos.

Há também os que defendem a privatização (ô palavrinha “santa salvadora”) dos museus, como saída para a gestão administrativa e financeira. Museus públicos são equipamentos de Estado. É obrigação do Estado mantê-los técnica e culturalmente à disposição da comunidade, preparando pessoal habilitado e repondo quadros funcionais após aposentadorias.

 

Esqueleto das coleção do padre João Alfredo Rohr, preservado no Museu do Catarinense - Carlos Damião
Esqueleto das coleção do padre João Alfredo Rohr, preservado no Museu do Catarinense - Carlos Damião



Cuidar dos nossos

A questão agora é saber como andam nossos museus, de Santa Catarina, preocupação que já está se ampliando entre profissionais de museologia, arquitetos e urbanistas, intelectuais, pesquisadores. Florianópolis tem alguns equipamentos do gênero que merecem respeito, como o Museu Victor Meirelles, em fase final de reforma; o Museu Histórico de Santa Catarina – recentemente revitalizado, durante a gestão do professor Rodolfo Joaquim Pinto da Luz na Fundação Catarinense de Cultura. Toda a parte elétrica do MHSC foi modernizada. Entre museus particulares, mas abertos ao público, destaca-se o Museu do Homem do Sambaqui, que integra o Colégio Catarinense, onde estão importantes acervos arqueológicos, colecionados pelo padre João Alfredo Rohr. É, com o museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC, equivalente local ao Museu Nacional do Rio de Janeiro em termos de importância para pesquisas arqueológicas, antropológicas e etnográficas.

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