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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Museu Nacional: tragédia anunciada que tem um único culpado: o governo Temer

Em julho, Florianópolis sediou a 2ª Conferência de Patrimônio Cultural em Risco, Participantes denunciaram a negligência oficial com museus

Carlos Damião

 

Capa do folder do evento realizado há dois meses em Florianópolis - Divulgação
Capa do folder do evento realizado há dois meses em Florianópolis - Divulgação



Por ironia do destino, Florianópolis sediou entre os dias 18 e 20 de julho a2ª Conferência de Patrimônio Cultural em Risco, promovida pela Fundação Catarinense de Cultura e Museu Histórico de Santa Catarina, em parceria com o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus) e outras instituições. Neste domingo, 2/9, o Brasil está perdendo uma das referências mais importantes da América Latina em história natural – o Museu Nacional do Rio de Janeiro, administrado pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Em suas dependências estavam preservados mais de 20 milhões de itens de extrema relevância histórica. A esta altura, cerca de 22h de  domingo, tudo virou cinzas.

O objetivo da conferência realizada na capital catarinense em julho era apresentar

temas e análises da atuação das medidas de prevenção, reação, recuperação e preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro em risco. Abordando conceitos, princípios, gestão e boas práticas quanto à legislação de preservação e proteção ao patrimônio em risco, diagnoses, ações de conservação e restauro que podem contribuir para prevenção e recuperação de danos do Patrimônio Cultural Brasileiro em risco, através da apresentação de estudos de caso. O evento tinha por finalidade também ampliar a cooperação entre instituições e profissionais que atuam na prevenção, proteção, conservação e restauração do Patrimônio Cultural em risco de maneira inter e transdisciplinar.  A conferência contou com um conjunto de profissionais, Instituições, estudantes, professores universitários e pessoas interligadas à área de preservação do patrimônio.

Alguns dos temas apresentados durante o evento:

"Patrimônio em tempos sombrios: riscos e oportunidades"

"O futuro do passado"

"Patrimônio arqueológico em risco: preservação e silenciamento"

"Gestão e minimização de riscos ao patrimônio cultural"

"Condicionantes de proteção e preservação do patrimônio em risco"

Praticamente todos os conferencistas e debatedores foram unânimes em denunciar o descaso oficial com o patrimônio  cultural brasileiro, agravado pelo desmonte do Estado que vem sendo produzido pelo governo federal, desde que Michel Temer (MDB) assumiu o poder, em 2016. O governo congelou investimentos e deixou de garantir a manutenção de equipamentos culturais, inclusive museus. Além de permitir o sucateamento da estrutura patrimonial brasileira, ainda deixou de contratar profissionais habilitados para suprir as necessidades nos museus e outras instituições.

Para se ter ideia, o governo Temer reduziu o repasse de recursos ao Museu Nacional a R$ 54 mil (em 2018, até abril); Em 2013, no governo Dilma Rousseff (PT), o museu recebeu R$ 531 mil. O descaso atual é flagrante e o resultado, após o incêndio, é a perda inestimável para a história, a ciência e a cultura.

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