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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Morre Arthur Monteiro, mestre de gerações de jornalistas

Ele foi um dos pioneiros da modernização do jornalismo catarinense, participou da implantação do Jornal de Santa Catarina, no início da década de 1970

Carlos Damião

 

Com a família, em foto recente - Reprodução/Facebook
Com a família, em foto recente - Reprodução/Facebook



O jornalismo catarinense perdeu hoje a doce e combativa figura de Arthur Monteiro, 71 anos, vítima de câncer. Ele morava em Brasília (DF), onde atuou como assessor parlamentar e free-lance durante cerca de 20 anos. Foi um dos pioneiros da “safra gaúcha” de jornalistas que desembarcou no Estado no início da década de 1970. Veio de Porto Alegre (RS), com outros companheiros, para participar do projeto do Jornal de Santa Catarina, primeiro jornal impresso no sistema off-set, lançado por empresários blumenauenses em 1971. Arthur não era um jornalista qualquer. Foi mestre de gerações de repórteres e editores. Respirava a profissão .. Divertido, compenetrado, trabalhava exaustivamente. Exercia a chefia de redação quando ingressei no jornal, em 1986. Fui chefe da sucursal de Florianópolis daquele ano até a altura de 1989, quando me delegaram a missão de ser editor-chefe do Santa e fui morar em Blumenau.

Lá convivi com o velho Arthur no cotidiano louco do jornal, numa época em que os salários raramente saíam em dia. Nos fins de tarde, íamos até uma “venda” germânica típica para lanchar. Lá ele me apresentou um saboroso sanduíche de linguiça Blumenau com fatias de cebola rocha, tudo encartado num pão de trigo da hora. Para acompanhar, uma Antarctica Pilsen de Joinville, a melhor daqueles tempos. Degustávamos também o rollmops, típico petisco do Vale do Itajaí (pedaços de peixe com pepino, enrolados e mantidos em conserva).

Sua morte comoveu uma legião de amigos e velhos companheiros de jornada, que fizeram questão de destacar, nas redes sociais, suas incontáveis qualidades profissionais, além de sua coerência política e sua prática humanista.

 

Sempre ligado aos movimentos progressistas, filiou-se na década de 1980 ao PDT. Era brizolista por essência. Disputou uma vaga à Câmara de Blumenau, mas não foi bem-sucedido. Mandou-me pelo malote um adesivo de campanha que tinha os dizeres:

- Não tá morto quem peleia. Vote 12 meia, meia, meia.

Grande Arthur, figura inesquecível, jornalista por inteiro, vai em paz, amigo.

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