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Domingo, 16 de Dezembro de 2018
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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Memória de Florianópolis: Santa Mônica, de loteamento distante a bairro frenético

Modernização de Florianópolis, entre as décadas de 1950 e 1970, impôs a verticalização do Centro. Mas loteamentos eram alternativa para quem queria morar em casas modernas e funcionais

Carlos Damião
Fotos Carlos Damião/ND
Principal via do Santa Mônica, a Avenida Madre Benvenuta atravessa a Beira-Mar Norte


Ao final da década de 1950 estimava-se que a região central da Ilha de Santa Catarina seria tomada, nos anos seguintes, pela verticalização. O primeiro arranha-céu, inaugurado em setembro de 1959 (esquina da Rua João Pinto com a Praça 15 de Novembro), era um indicativo de que a construção civil chegava à cidade, ainda muito pura – uma aldeia – do ponto de vista urbano.

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Em seu livro “Desenvolvimento e Modernização – Um Estudo de Modernização em Florianópolis”, da década de 1970, o professor e sociólogo Nereu do Vale Pereira menciona o “comportamento explosivo da construção civil a partir de 1962”. E mostra como as construtoras apostaram em campanhas publicitárias que desprezavam o patrimônio histórico e estimulavam a moradia em edifícios de apartamentos.

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Claro que o tema é complexo e exigiria um grande espaço para exposição e análise dos múltiplos fatores que levaram ao boom imobiliário em Florianópolis. A intenção da coluna é resgatar um processo de transformação paralelo (ou inverso) à expansão vertical: a criação de loteamentos periféricos, com o objetivo de atender ao público que preferia seguir morando em residências térreas, mas distantes do conceito colonial/histórico que ainda resistia na região central.

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Em 1957, talvez percebendo que a cidade carecia de renovação urbana – mas não vertical – a Sociedade Divina Providência, que administrava o Colégio Coração de Jesus, adquiriu glebas de terras na região compreendida entre os rios Itacorubi, do Sertão e o Mangue do Itacorubi, pertencentes a diversos proprietários. Para se ter ideia, a escritura mais antiga era de 1909 e, as mais recentes, de 1947. No total, a área abrangeu 603 mil metros quadrados, dos quais 498,7 mil metros quadrados vieram a formar o loteamento Jardim Santa Mônica. Esse total sofreu uma redução de 32,2 mil metros quadrados no final da década de 1980, quando o governo do Estado implantou a Via de Contorno Norte, hoje chamada genericamente de Avenida Beira-Mar Norte, que seccionou ao meio a avenida do Santa Mônica, a Madre Benvenuta, nome de uma das religiosas que coordenaram a compra das terras.

Um oásis urbano: em meio ao burburinho da região, o convento da Divina Providência

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A longa avenida abrange três bairros: começa na Rua Lauro Linhares (Trindade), passa por todo o Santa Mônica e termina na SC-404, a Rodovia Admar Gonzaga (Itacorubi), nome que homenageia justamente o pioneiro da verticalização em Florianópolis. A Madre Benvenuta transformou-se em um corredor comercial e gastronômico nos últimos anos, descaracterizando o conceito inicial do loteamento, de um bairro distante e sossegado. Hoje, sossego mesmo só no convento da Divina Providência, bem próximo ao shopping Iguatemi, onde há também uma gruta em louvor a Nossa Senhora de Lourdes.

Outro oásis, reservado à meditação e oração, é a gruta de Nossa Senhora de Lourdes

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A gruta foi inaugurada em 1º de maio de 1913, inteiramente restaurada em 1979 – com apoio de Esperidião Amin, secretário de Transportes e Obras do governo estadual, conforme registra uma placa de bronze – e tombada como patrimônio histórico do município na administração de Edison Andrino, em 1987. É um lugar que contrasta com o burburinho urbano e é muito frequentado pelos fiéis da região.

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Como patrimônio da região, dá para destacar ainda, com importância diferenciada, os prédios da Udesc e da antiga Telesc, no final da avenida Madre Benvenuta, o primeiro com 50 anos e o segundo com aproximadamente 45 anos. E a maior simbologia da arquitetura contemporânea na região está no belo edifício do Shopping Iguatemi, bem na esquina da Beira-Mar com a Madre Benvenuta.

 

Estupidez

Uma coisa é o grafite como expressão de arte de rua. Outra é o vandalismo puro e simples das pichações, que atinge níveis absurdos em Florianópolis. Toda a lateral do histórico prédio dos Correios, no Centro, foi rabiscada pelos bandidos nos últimos meses. E uma semana depois de sua reinauguração, o prédio do Mercado Público já foi agredido com pichações. E a gente não pode aplaudir os cretinos que fazem essa estupidez. Cabe identificá-los e puni-los!

 

Solidariedade

O CVV (Centro de Valorização da Vida) está precisando de voluntários para atendimento. Quem tiver disponibilidade deve se apresentar nesta segunda (17), às 19h15, na Avenida Hercílio Luz, 639, 9º andar. Serão 10 encontros de treinamento nas segundas e terças-feiras à noite.

 

Quem é quem

Quem conhece gastronomia e frequenta o Mercado Público revitalizado já identificou quem é “do ramo” e quem não é. Alguns comerciantes novatos no segmento de alimentação e bebidas precisam aperfeiçoar produtos e serviços, com o risco de, no médio prazo, verem a freguesia procurar a concorrência mais qualificada.

 

Ocupa Centro

Se o tempo se mantiver seco e agradável, é certo que o centro da Capital vai ferver de novo neste sábado (15). Além do mercado reaberto, tem o projeto Viva a Cidade com atrações culturais e de lazer e a primeira edição da feira de orgânicos, no Terminal Cidade de Florianópolis. Ou seja, o “ocupa Centro” já virou programa obrigatório para quem gosta e valoriza Florianópolis.

 

Tragédia social

“Barbárie continua imperando em São Paulo, chacinas não podem continuar impunes”. Deputado Ivan Valente (PSOL), no Twitter (@Dep_IvanValente) sobre os ataques de bandidos que resultaram em 18 mortes nos municípios de Osasco e Barueri, quinta (13) à noite.

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