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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Memória de Florianópolis: prédio da Alfândega será revitalizado

Iphan vai utilizar recursos do PAC Cidades Históricas para recuperar o belo prédio, remanescente da região portuária da Capital, inaugurado em 1876

Carlos Damião

O edifício da Alfândega, no centro de Florianópolis, é um dos poucos remanescentes da região portuária da cidade, desativada em 1964. E é sem dúvida um dos prédios mais bonitos da capital catarinense, inaugurado em 1876, pelo então presidente da província (governador) Alfredo D’Escragnolle Taunay. Impossível para quem conheceu a cidade há mais de 40 anos não “resgatar” da memória a relação direta que o casarão tinha com o mar, a exemplo do Mercado Público, outra construção histórica dos bons tempos de Florianópolis.

Acervo Carlos Damião
Presença eternizada pelo traço do mestre Fossari, do álbum Florianópolis de Ontem

 

Um prédio tão bonito, que merece a admiração dos moradores e turistas, assumiu um aspecto de abandono nos últimos anos, como registrei na coluna de quarta-feira (30/3). Mas o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), cuja sede estadual é na Alfândega, prontamente respondeu ao questionamento, com explicações alvissareiras.

 

Acervo Carlos Damião
Imagem com mais de 60 anos, quando o mar ainda chegava ao edifício

 

A arquiteta e urbanista Maria Regina Weissheimer, chefe da Divisão Técnica do órgão, relatou que desde 2014 o Iphan “vem trabalhando na elaboração de um projeto global de restauração, que contemplará a recuperação do prédio como um todo. O estado atual é realmente precário, muitas vezes agravado pelos constantes atos de vandalismo sobre os quais não temos controle”.

 

Carlos Damião
Detalhe da entrada pela Rua Conselheiro Mafra na atualidade: prédio deteriorado e vandalizado

 

Maria Regina observou que o projeto está entrando agora na fase de detalhamento executivo, “sem o qual não seria possível fazer a licitação da obra. Na Ala Norte, deverá manter-se a loja de artesanato, gerenciada pela Fundação Catarinense de Cultura, com melhorias. Os demais espaços abrigarão a Casa do Patrimônio, viabilizando a visitação pública do edifício, com espaços expositivos, biblioteca especializada no tema do patrimônio cultural, café e salão multiuso para oficinas, projeções, apresentações e outras atividades culturais. Os recursos são provenientes do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) Cidades Históricas, que, apesar da situação de dificuldades atuais, o Iphan e o Ministério da Cultura têm se empenhado em manter”.

Quanto ao Largo da Alfândega Prefeito Dakir Polidoro, no entorno do edifício, também está em andamento – quase finalizado – um projeto de requalificação urbana, em outra ação com recursos provenientes do PAC Cidades Históricas e realizada em parceria com a prefeitura, “no âmbito do Termo de Compromisso para revitalização do Mercado Público”. A chefe da divisão técnica do Iphan explica ainda que a restauração da Casa de Câmara e Cadeia “também é uma parceria do Iphan com a prefeitura, sendo que mais de 60% dos recursos são do governo federal, oriundos do Fundo Nacional de Cultura”.

O prédio da Alfândega é de propriedade da União, tombado como patrimônio histórico e artístico do município e do país. Tem estilo neoclássico e é constituído de três corpos – o central, com sobrado e remate de frontão, e dois armazéns laterais, com telhados independentes rematados por platibanda. Originalmente, a Alfândega funcionava em outro imóvel, em local diferente, incendiado em 1866. O novo espaço foi cuidadosamente escolhido e projetado, à época, para que ficasse em ponto estratégico da área portuária – que se estendia até a região da Rita Maria, onde ainda há construções originais, pertencentes ao Grupo Hoepcke, que também lembram o antigo e importante porto de Desterro/Florianópolis.

Bons tempos

"Saudade do tempo em que crime era a seleção jogar mal, japonês era o Jaspion, golpe era o de judô e lava-jato só um lugar em que a gente levava o carro para limpar". Brincadeira do portal de humor Kibe Loco (@kibeloco).

Stammtisch

São Pedro de Alcântara promove no dia 17 deste mês a 11ª edição do Stammtisch (Encontro de Amigos), com 87 grupos, três bandinhas, muita gastronomia e chope, num dia todo dedicado à cultura e à alegria alemã. O Pub Alemão (Die kleine Kneipe Weisskopf), dirigido pelo pesquisador Mário Milton Müller, terá tendas exclusivas, quatro tipos de chopes artesanais, pratos típicos alemães, além de apresentações da banda da Eisenbahn, a Hausmusikanten, de Blumenau.

Bandeira branca

Do atento jornalista Marcos Reichardt Cardoso: “Dias atrás vi um homem cruzar a rua pedalando uma bicicleta. Espetada na garupa havia uma haste com duas bandeiras: a menorzinha era a do Brasil e a outra, acima dessa e quatro vezes maior, era toda branca. É esta cor que falta nas bandeiras. É este significado que não está sendo empunhado”.

Tribos urbanas

Das pequenas tragédias sociais do cotidiano e que nos cortam o coração: a impressionante quantidade de indígenas que se espalham pelas ruas centrais de Florianópolis, em geral vendendo artesanato ou pedindo esmolas. São poucas as esquinas do Centro Histórico que não têm pelo menos uma mulher com duas crianças pequenas e outra pendurada no peito.

Perda confirmada

Na reunião extraordinária do Conselho Deliberativo da Liesf (Liga das Escolas de Samba de Florianópolis), foi indeferido o recurso da União da Ilha da Magia pedindo a anulação da punição de 5 pontos, aplicada pelo não cumprimento do regulamento – quanto à exigência de 1.500 componentes – no desfile do Carnaval 2016 do Grupo Especial. A escola poderá ainda recorrer à assembleia geral, instância máxima da Liga, conforme prevê o estatuto da entidade.

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