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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

MEMÓRIA DE FLORIANÓPOLIS O Carnaval mudou. Viva o Carnaval!

A festa evoluiu porque a cidade também cresceu. E o Carnaval de rua, que sempre foi nosso forte, tem no sábado a sua maior concentração na região central

Carlos Damião
Divulgação
Desfile das escolas e carros de mutação na Praça 15, anos 1970
Arquivo Carlos Damião
Carnaval do Roma, no seu auge: hoje, apenas uma lembrança
Divulgação
Só para recordar: a bela Casa de Câmara e Cadeia foi o QG do Carnaval, em 2007

O Carnaval evoluiu muito em Florianópolis desde que a primeira escola de samba foi fundada, a Protegidos da Princesa, em 18 de outubro de 1948. Não só em termos de qualidade, mas também quanto à organização e à descentralização da festa, que hoje não é mais restrita ao núcleo central da Ilha de Santa Catarina, mas se espalha pelo Continente, pelas praias e bairros mais distantes.

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A evolução do Carnaval é resultado do próprio crescimento populacional da cidade. Não dá para comparar o evento de 2015 com o que acontecia nas décadas de 1950 a 1970. Vivemos hoje a quase total profissionalização, diferente dos tempos passados, em que predominava a garra dos carnavalescos e o patrocínio total do poder público (sim, nosso Carnaval era 100% chapa branca).

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Quem é mais velho sabe que a cidade viveu muito em função do Carnaval de rua, que nos colocou como segundo ou terceiro melhor do país. Era tão de rua que os desfiles ocorriam no centro histórico – Mauro Ramos, depois Praça 15 e Felipe Schmidt, mais tarde na Paulo Fontes –, e o arrastão de foliões (os “sujos”) brincava em volta ou atrás das escolas.

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Há quem diga que a transferência dos desfiles para a Passarela Nego Quirido matou a autêntica folia florianopolitana. É verdade e não é. O crescimento das escolas, na década de 1980, impôs uma solução mais afastada do miolo urbano, muito antigo e apertado para receber multidões. Ou seja, foi uma decisão relacionada ao planejamento espacial dos desfiles, copiando uma tendência que começou no Rio de Janeiro e foi adotada também por São Paulo.

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As mudanças do Carnaval são inerentes à própria dinâmica da cidade, do comportamento, da cultura. E todas essas alterações e transformações nos fazem colocar no plano da memória, por exemplo, o magnífico Carnaval do Roma, concentração de rua que ocorria na Avenida Hercílio Luz, entre as ruas Fernando Machado e Nunes Machado. Começou como um “Carnaval Gay”, por causa do estigma criado em torno do Roma Bar, que nunca foi um bar gay, mas um espaço liberal, onde a diversidade não esbarrava em preconceitos. Evoluiu para o Pop Gay, segundo evento mais importante do Carnaval (o primeiro são as escolas), concurso de fantasias e performances criado e apresentado pelo falecido comunicador Roberto Kessler. O Roma acabou, mas o Pop Gay continua, em novo local, próximo à Praça 15.

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Há muitas versões para explicar o fim do Carnaval do Roma, ocorrido há cinco anos. Uma delas é que o local apresentava muita dificuldade para a segurança pública, devido à alta concentração de foliões e à facilidade com que bandidos podiam se evadir, após algum ato criminoso. Data da mesma época, também, a desativação da maior parte dos bailes públicos, estes sim, comprovadamente extintos por questões de segurança.

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Ainda no plano da memória, não dá para não lembrar os blocos do Lira, do Doze, do LIC Gay, do Mexe-Mexe, entre tantos outros que desapareceram. Persiste o Sou + Eu, considerado o mais antigo (38 anos), que faz a grande concentração deste sábado (14) na região da Praça Pereira Oliveira. Tem ainda o Pauta Que o Pariu, organizado pelo Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina, cuja reunião ocorre também neste sábado, na Escadaria do Rosário. Estes, mais os menores e menos organizados, fazem a grande festa de rua da cidade, antes do desfile oficial das escolas, na Passarela Nego Quirido.

Menos carros

Daniel de A. Costa, sobre a Ponte Hercílio Luz: “Só a camada asfáltica tem aproximadamente 4.000 toneladas, restaurem a Ponte para uso exclusivo de pedestres e ciclistas. Um grande passo para o turismo e uma gigantesca pedalada pela mobilidade urbana de Floripa. Chega de privilegiar o problema, o transporte individual motorizado!”.

Golpistas

E se já não bastasse todo o terrorismo do bloco dos inconformados, praticado livremente nas redes sociais, surge mais um ingrediente patético: alguém “plantou” no WhatsApp uma falsa nota oficial da Caixa Econômica Federal, comunicando o confisco da poupança dos brasileiros, como ocorreu no governo de Fernando Collor. E, em tempos de comunicação virtual, o torpedo mal-intencionado ganhou uma velocidade impressionante, forçando o governo a desmentir o boato.

Perda

Luto no jornalismo e na literatura sulista, com a morte de Carlos Urbim, aos 67 anos. Mestre de toda uma geração de profissionais de comunicação, era também um talentoso escritor de literatura infantil, como observou Nei Duclós: “Carlos Urbim, jornalista e escritor, preferiu as histórias infantis, talvez pelo resgate que costumava fazer dos sentimentos básicos, como a solidariedade e a emoção de compartilhar a vida com muita gente. O que só na infância encontra o ambiente ideal”.

E o exemplo?

"O brasileiro é assim: saqueia cargas de veículos acidentados nas estradas; estaciona sobre as calçadas; suborna ou tenta subornar; fala no celular enquanto dirige; fura filas; compra produtos piratas; estaciona em vagas exclusivas etc. E quer que os políticos sejam honestos. Esses políticos que aí estão saíram do meio desse mesmo povo ou não?". Mensagem nas redes sociais, retirada parcialmente do perfil de Otávio Ferrari Filho.

Paradoxo

Embora tenha uma sede própria, construída junto à sede da Granfpolis (Associação dos Municípios da Grande Florianópolis), em Capoeiras, a superintendência da região metropolitana vai ficar por enquanto junto ao gabinete do governador Raimundo Colombo. Bem longe dos prefeitos, e contribuindo sobremaneira para a imobilidade urbana. Vai entender.

Menos mal

“Quando um não quer, o outro vai dançar. Neste Carnaval, respeite”. Uma das novas mensagens da cervejaria Skol, depois da desastrada campanha que fazia apologia ao estupro.

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