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Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Memória de Florianópolis - Ceisa Center já é um clássico da arquitetura

Imponente edificação que ocupa um quarteirão inteiro, com três entradas, tem traços que lembram o Copan (SP), de Oscar Niemeyer e o Conjunto Pedregulho, de Affonso Reidy (RJ)

Carlos Damião
Carlos Damião/ND
O gigante centro empresarial começou a ser construído há 40 anos e foi inaugurado em 1978

 

O patrimônio histórico e arquitetônico de Florianópolis não se resume aos clássicos casarões, palacetes e casas do século 19 e início do século 20. A cidade preserva inúmeras edificações posteriores, com características de originalidade, elegância e beleza. É o caso do Ceisa Center, um centro empresarial projetado pelo escritório Liz, Cassol e Monteiro, que começou a ser construído há 40 anos e foi inaugurado em 1978.

 

Carlos Damião/ND
Visto da Rua Vidal Ramos: o prédio modernista e seu contraste com a sede da Maçonaria

 

Conforme o arquiteto Marcos Antônio Martins, ouvido pela coluna, “aparentemente inspirado no desenho do Edifício Copan de Oscar Niemayer, construído em São Paulo e referência mais conhecida no país, o Ceisa Center segue a linha brutalista da arquitetura, ou seja, utiliza sem qualquer disfarce o estilo do concreto aparente”. Ainda segundo Marcos, é indiscutível também a influência do projeto de Affonso Reidy, na construção do Conjunto Residencial do Pedregulho, no Distrito Federal (hoje Rio de Janeiro), em 1947, que igualmente utilizou linhas curvas em seu design.

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O brutalismo teve em Le Corbusier a sua mais importante referência mundial e ganhou ampla aceitação no Brasil nas décadas de 1960 a 1980, com exemplos que se espalham por Florianópolis: além do Ceisa Center, os prédios da Assembleia Legislativa, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, sedes da Celesc no Centro (depois Palácio Santa Catarina) e no Itacorubi, sede do Crea/SC no Itacorubi, Secretaria de Estado da Educação, Biblioteca Pública do Estado, sedes da Telesc (Praça Pereira Oliveira, hoje Banco Safra, e Itacorubi, hoje Oi), Eletrosul (Pantanal), sede da Tractebel, entre outros. A arquiteta Larissa Laus Mattos apresentou amplo estudo sobre esse movimento modernista em sua dissertação de mestrado “Arquitetura institucional em concreto aparente e suas repercussões no espaço urbano de Florianópolis entre 1970 e 1985” (2009).

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“O Ceisa Center é a melhor arquitetura urbana para a cidade. Aquela rua/galeria interna é o máximo”, diz o arquiteto Marcos Antônio Martins, confirmando o caráter inovador da edificação, desde a inauguração, há 37 anos. A beleza da construção é tanta que a administração do condomínio – à frente o síndico Alfred Heilmann – contratou há alguns meses a completa revitalização do concreto aparente, que restaura as características originais. O trabalho está no final, mas é possível observar, pelo que já foi feito, o quanto essa providência era necessária.

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Os números do Ceisa Center são grandiosos. Com três entradas – pelas ruas Vidal Ramos, Deputado Leoberto Leal e Osmar Cunha –, o edifício tem 300 salas, 33 lojas, 230 vagas de garagem. Quase 10 mil pessoas circulam por seu interior todos os dias, confirmando o acerto do projeto original de construção, que era deslocar o eixo comercial do Centro – restrito às ruas históricas – para a Osmar Cunha. A revitalização externa é uma extensão dos trabalhos realizados internamente nos últimos anos, como a implantação de novos pisos, câmeras de vigilância, pintura, banheiros modernos, escadarias com pavimento antiderrapante, entre outras melhorias.

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Em suma, como ainda destaca o arquiteto Marcos Antônio Martins, o Ceisa Center continua sendo um exemplo de modernidade, numa concepção arquitetônica que valorizou a suavidade das linhas, formando um “S” no quarteirão em que foi implantado. Para ele, tais características inserem a edificação no conceito de clássicos da arquitetura brasileira do século 20.

Desafio

“Registre antes que desapareça”. Esse é o mote do concurso de fotografias lançado pela Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis), cujas inscrições serão abertas nesta segunda-feira, 11. Podem participar fotógrafos amadores e profissionais, com registros do patrimônio histórico e arquitetônico de Florianópolis. Prêmios em dinheiro, específicos para cada categoria. Informações no www.acif.org.br

Sem ônus

Desolação. É como a maior parte das pessoas reagiu à informação, divulgada pela coluna na edição de sexta-feira, 8, que todos os pontos de coleta da praia de Canasvieiras estão impróprios para o banho de mar, conforme pesquisa da Fatma (Fundação do Meio Ambiente de Santa Catarina). Uma empresária local contou à coluna: “Há poucos dias, todos os bueiros de águas pluviais estouraram, espalhando m* in natura pelas ruas e pela praia”. Quem despeja esgoto nos rios e na rede pluvial não gosta de Florianópolis. Ou só quer o bônus.

O que falta

É fato que o poder público é lento nas suas decisões e na própria fiscalização. Mas a situação ambiental em Canasvieiras e outras praias tem uma explicação muito prosaica. “O problema é bem simples de ser resolvido”, escreveu Lourival Amorim para a coluna. “É só moradores, comerciantes, turistas e banhistas exerceram aquela coisinha que deveriam ter aprendido com seus pais/cidadãos quando bem pequenos... Educação!”.

Sem consciência

“Os culpados devem ser multados exemplarmente. Ignorância desse povo que mata a galinha dos ovos de ouro. Falta de consciência e estamos em 2016...”. Maria Augusta Orofino, comentando a coluna de sexta-feira, 8, sobre o desastre ambiental em Canasvieiras.

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