Publicidade
Sábado, 17 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 21º C

Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Intolerância do Escola Sem Partido se expande em SC

Nas redes sociais, professores, intelectuais e estudantes reagem à estupidez da extrema-direita com o mote "Escola Sem Mordaça"

Carlos Damião

Na linha geral do retrocesso político que vive o Brasil desde 2016, certo movimento Escola Sem Partido - cujos integrantes não enchem uma Kombi - pretende aprovar na Câmara de Florianópolis um projeto de lei que implanta a censura e a perseguição a professores da rede municipal. Há um projeto semelhante em análise na Assembleia Legislativa com o mesmo objetivo. Lamentavelmente, parlamentares que deveriam zelar pela liberdade dos cidadãos se empenham em acolher iniciativas do gênero, que põem em risco o próprio conceito de educação. 

Marlene de Fáveri, doutora e professora de história na Udesc, já foi vítima da intolerância de uma aluna, que se indignou por receber aulas sobre feminismo (quando a professora se dedica justamente a pesquisas sobre gênero), ingressando com uma ação judicial. A questão é que ações desse tipo revelam o lado cada vez mais obscuro e perverso de facções de extrema-direita, respaldadas por alguns partidos políticos e seguidores de personagens obtusos, como o deputado federal Jair Bolsonaro. Na entrega da reivindicação política à Câmara de Florianópolis, um dos integrantes do Escola Sem Partido exibia o nome de Bolsonaro na camiseta que vestia.

Essa minora de fanáticos não encontra qualquer respaldo popular. Eles usam e abusam das redes sociais para disseminar ideias equivocadas e mentiras sobre o papel do educador em sala de aula ou em atividades de pesquisa e extensão. São os mesmos tipos que, durante períodos da história, invadiram livrarias e queimaram livros (houve um caso em Florianópolis, em 1964; como houve também histórias semelhantes na Alemanha, durante o nazismo, Itália e Espanha, durante o fascismo). À falta do que fazer para melhorar o país, esse grupo dedica-se a perturbar as instituições de ensino e os professores, como já fez, na prática, o vereador Fernando Holiday, em São Paulo, invadindo escolas para "fiscalizar" o que chamou de "doutrinação ideológica". Recentemente, numa universidade de São Paulo, policiais militares invadiram uma reunião acadêmica com o mesmo objetivo: intimidar os professores e ameaçar a liberdade de cátedra.

Não há nada mais estúpido do que isso. Tão estúpido que já surgem movimentos de contraposição à intolerância do Escola Sem Partido e do Movimento Brasil Livre. Nas redes sociais, por exemplo, espalha-se o avatar "Escola Sem Mordaça", como resposta à escalada fascistóide.

Publicidade

38 Comentários

Publicidade
Publicidade