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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Há 22 anos, a maior enchente da região metropolitana

Fenômeno semelhante ao registrado em janeiro de 2018 é considerado o pior já vivido pelos moradores da Grande Florianópolis

Carlos Damião
15/01/2018 10h49

Outro aspecto da inundação de 1995 no Sul da Ilha, que voltou a registrar problemas em 2018 - Reprodução Youtube/ND
Aspecto da inundação de 1995 no Sul da Ilha, que voltou a registrar problemas em 2018 - Reprodução Youtube/ND



O agrônomo Ronaldo Coutinho, da Climaterra, lembrou ao SC no AR (RICTV) na quinta-feira (11) que o aguaceiro de 2018 só encontra paralelo histórico com o pior fenômeno do gênero já registrado na Grande Florianópolis, na véspera de Natal de 1995. Naquele dia a precipitação superou 400mm, enquanto entre 10 e 11 de janeiro deste ano chegou a 200mm (média em 24 horas).

Ainda conforme  Coutinho, o fenômeno de 1995 foi o maior de Florianópolis em termos históricos, abrangendo 60 a 70 anos de registros. A intensa precipitação causou graves danos para residências, prédios comerciais, residenciais e públicos, todo o sistema viário e atividades agrícolas. Uma combinação de fatores naturais foi responsável pela catástrofe, pelo menos quanto à questão dos alagamentos: a água ficou represada por causa da maré alta, em especial na noite de 24 de dezembro.

Capital foi a mais atingida

O episódio de 1995 teve consequências dramáticas: alcançou 50 municípios, causando um total de 28 mil desabrigados e dois mortos. Além da região metropolitana da Capital, o Sul do Estado foi bastante afetado pelas enchentes. Florianópolis teve 60% de seu território inundado, sendo mais atingidos os bairros da Trindade, Saco dos Limões, Agronômica e Centro. São José, Palhoça, Biguaçu e Santo Amaro da Imperatriz também tiveram áreas alagadas. No total, mais de mil ruas de Florianópolis foram arrasadas pela força das águas e cerca de 200 casas apresentaram risco de desabamento em áreas de encostas. Quase sete mil pessoas ficaram desabrigadas. Estradas como as SCs 401 e 404 foram totalmente interditadas no período entre Natal e Ano Novo. No Morro da Lagoa o asfalto foi destruído pela força da enxurrada.

Ajuda demorada

O prefeito de Florianópolis, Sérgio Grando (1993-1997), buscou ajuda da União e do governo do Estado para recuperar o sistema viário e garantir a segurança dos moradores das encostas. Mas o governo federal (gestão de Fernando Henrique Cardoso) demorou mais de um ano e meio para liberar as verbas: o dinheiro só veio quando a prefeita Angela Amin assumiu (1997), conforme registrou na quinta-feira (11) o sociólogo Homero Gomes, que foi secretário de Turismo na administração da Frente Popular.

Grando e Angela adotaram soluções técnicas para resolver ou amenizar os riscos dos alagamentos. No Centro, foi feita a retificação do chamado “rio da avenida” (o antigo Rio da Bulha), que corre pelo meio da Avenida Hercílio Luz até a baía Sul. Na Bacia do Itacorubi foram executados serviços de drenagem e desassoreamento. Obras cuja eficácia foi comprovada ao longo de 20 anos. Mas em janeiro de 2018 a bacia do Itacorubi voltou a ser um problema, em razão da inundação causada aos bairros Córrego Grande, Santa Mônica, Trindade e Itacorubi.

Muro da Escola Técnica (hoje IFSC) derrubado pela força das águas que atingiram a região central em 1995 - Acervo Memorial IFSC/ND
Muro da Escola Técnica (hoje IFSC) derrubado pela força das águas que atingiram a região central em 1995 - Acervo Memorial IFSC/ND


IFSC preserva memória

No Memorial do IFSC (Instituto Federal de Santa Catarina) estão preservados objetos e imagens do acervo da instituição relativos às consequências da enchente de 1995, que danificou tanto a parte externa da edificação, quanto as instalações da então Escola Técnica Federal de Santa Catarina. Em 2015 o Memorial realizou uma exposição desse material, inclusive peças que foram guardadas enlameadas.

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