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Sábado, 20 de Outubro de 2018
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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Edificação histórica no Centro precisa de cuidados

Marco da implantação do sistema de esgotos, castelinho que abrigou o Museu do Saneamento está abandonado. Recuperação depende de autorizações da FCC e do Ipuf

Carlos Damião

O castelinho, em registro de 29 de abril de 2005: estado de conservação era excelente - Carlos Damião
O castelinho, em registro de 29 de abril de 2005: estado de conservação era excelente - Carlos Damião


“Florianópolis é a terra do já teve”. O bordão é antigo, de mais de 40 anos, mas é fato que a cidade já teve porto, Base Aérea (a que existe hoje é só um destacamento), foi a sede do 5º Distrito Naval, teve o Miramar, o mar chegando à região central, praias sem poluição, entre tantas outras lembranças. Já teve também um Museu do Saneamento, inaugurado em 1985, pela Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), contendo ferramentas, equipamentos, plantas, mapas, fotos e outras relíquias. Sua sede era o castelinho da antiga Estação de Elevação Mecânica, na esquina da Rua Antônio Luz com a Praça Fernando Machado.

Durante muito tempo o pequeno prédio “fez par” com o Miramar, demolido pelo governo do Estado durante a implantação do Aterro da Baía Sul (1972-1975). O castelinho, junto com o Forte Santa Bárbara, o prédio da Alfândega e o Mercado Público, é um dos remanescentes importantes da antiga área marinha do Centro.

O nome ainda está lá, em uma vistosa placa com os dizeres:

“Museu do Saneamento – Estação elevatória de esgotos (estação de elevação mecânica e antigo mictório público) construída em 1916, como parte do sistema de esgotos sanitários de Florianópolis, pela firma Brando & Cia. Obra dos governos Vidal José de Oliveira Ramos e Felipe Schmidt. Foi restaurada e instalado o Museu em 1985, pela Casan, no governo Esperidião Amin-Victor Fontana".

O mais impressionante é que o museu consta dos guias turísticos de Florianópolis como atração a ser visitada, além de estar devidamente localizado no Google Maps, mapa digital de fácil acesso para qualquer usuário da internet.

Remendos para proteção

Há dúvidas sobre quanto tempo o Museu do Saneamento chegou a funcionar de fato, é provável que apenas nos primeiros dez anos. Passados 32 anos da reforma total do castelinho, o que resta são portas remendadas com pedaços de tábuas, para evitar a invasão por parte de moradores de rua e camelôs. Há alguns anos os ambulantes arrombavam as portas para utilizar o espaço interno como depósito de mercadorias, em especial cigarros, DVDs, CDs e óculos contrabandeados do Paraguai.

A decadência da edificação acompanhou a depreciação geral do setor Leste da Praça 15 de Novembro, depois que o Terminal Cidade de Florianópolis perdeu as principais linhas urbanas para o Ticen (Terminal Integrado Central), localizado a 500 metros. Toda a movimentação humana migrou para a região do Ticen, desvalorizando o comércio situado nas ruas Antônio Luz, João Pinto, Tiradentes e Victor Meirelles.

Antes do aterro, o castelinho “fazia” par com o Miramar, à direita - Acervo Carlos Damião
Antes do aterro, o castelinho “fazia” par com o Miramar, à direita - Acervo Carlos Damião


Sistema integrado

O castelinho onde foi instalado o Museu do Saneamento integrou um sistema pioneiro de tratamento de esgotos em Florianópolis, implantado nos governos de Vidal Ramos (1910-1914) e Felipe Schmidt (1914-1918). Outros dois castelinhos da época foram restaurados e ficam na Praça dos Namorados, em frente ao Largo São Sebastião, e na Praça Celso Ramos. Estão em ótimo estado de conservação.

Bica original preservada, mas atualmente sem qualquer utilidade - Carlos Damião
Bica original preservada, mas atualmente sem qualquer utilidade - Carlos Damião


Casan esclarece

Por meio de nota, a assessoria de comunicação da Casan informou que a empresa depende de autorizações oficiais para recuperar a estrutura degradada do castelinho central. A nota, na íntegra:

“No ano passado a Casan realizou um levantamento de campo que demonstrou que, em função de vazamentos e infiltrações, o castelinho depende de uma reforma estrutural.

Como se trata de construção histórica, a Casan realizou uma consulta ao Ipuf e à Fundação Catarinense de Cultura, para desenvolvimento de um projeto de recuperação pela Gerência de Projetos da Companhia.

Porém, até mesmo em limpezas emergenciais e colocação de tapumes para segurança, que a Casan tem providenciado periodicamente, há necessidade de que todo cuidado seja tomado, para que não ocorram descaracterizações da fachada.

No Centro de Florianópolis são constantes as ações de vandalismo, o uso de espaços públicos como dormitório e mictório, e uma nova limpeza será providenciada no local, assim como a troca de tapumes.

A Casan reconhece a importância dos castelinhos para Florianópolis e está tomando providências para que o projeto de recuperação siga todas as exigências decorrentes da recuperação de construções históricas”.

 A placa de 1985 perdeu sua finalidade, mas o museu está nos guias turísticos    - Carlos Damião
A placa de 1985 perdeu sua finalidade, mas o museu está nos guias turísticos   - Carlos Damião



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