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Terça-Feira, 11 de Dezembro de 2018
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Assuntos da Grande Florianópolis e os temas cotidianos das cidades da Região Metropolitana – incluindo resgates diferenciados da memória histórica –, são acompanhados de perto pelo colunista Carlos Damião, que tem mais de 30 anos de vivência profissional.

Aos 55 anos, UFSC é um patrimônio de Santa Catarina

Universidade passa por grandes transformações, proporcionais ao seu gigantismo e à sua importância no contexto educacional

Carlos Damião

O campus nos tempos pioneiros da ocupação, na década de 1970 - Acervo Agecom/UFSC/ND
O campus nos tempos pioneiros da ocupação, na década de 1970 - Acervo Agecom/UFSC/ND


Longe de ser uma instituição vetusta, arcaica, a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) é um moderno centro de excelência do ensino superior público e gratuito. Seu campus principal, em Florianópolis, é uma cidadela que preserva identidades, afetividades, paixões, encantos. Aos 55 anos, sua história está gravada na própria história da capital catarinense, em especial por ter sido a propulsora do desenvolvimento da cidade. A UFSC sacudiu a cidade a partir dos anos 1960, ainda que não tenha sido de uma só vez, num único lance: foi um processo que demorou mais de 20 anos para se consolidar.

A vinda de “estrangeiros” para fixar residência na cidade começou com a UFSC, um público não só de estudantes, mas também de professores. Seus centros de ensino – como o Tecnológico – dependeram da “importação” de mão de obra qualificada, em especial dos estados mais próximos, Rio Grande do Sul e Paraná. Toda a região da Trindade, Pantanal, Córrego Grande, Itacorubi, Santa Mônica, cresceu em função da presença da UFSC.

Por seu tamanho, com as características singulares que tem – sempre situada entre as melhores do país, também com referências internacionais importantes – a UFSC é um grande patrimônio dos catarinenses e está sendo administrada desde maio deste ano pelo reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo e pela vice-reitora Alacoque Lorenzoni Erdmann.

Reitor Luiz Cancellier, com obras do artista plástico Willy Zumblick, tubaronense como ele - Divulgação/ND
Reitor Luiz Cancellier, com obras do artista plástico Willy Zumblick, tubaronense como ele - Divulgação/ND


ENTREVISTA

Luiz Cancellier, reitor da UFSC

Um dos temas do cotidiano da UFSC são as barulhentas festas realizadas no campus. Como está essa situação?

Conseguimos reduzir as festas, enquadrá-las, controlá-las. Estamos colocando ordem na casa, conversando com os estudantes, para que as festas sejam realizadas obedecendo aos limites legais e de civilidade. Nenhuma festa pode ser realizada após as 21h e tem que ter autorização da universidade. Por isso, não recebemos mais reclamações da comunidade do entorno.

Outro tema do cotidiano: segurança. Houve avanços nos últimos meses?

Reforçamos os trabalhos de segurança, com a constante circulação dos agentes internos. Além disso, temos 1.300 câmeras de videomonitoramento, que auxiliam nos trabalhos de identificação e detenção dos infratores. Os casos mais corriqueiros são de furtos, em especial de bicicletas e celulares. E é certo que, com menos festas – ou com as festas controladas – o índice de violência já se reduziu de forma considerável.

A questão do Hospital Universitário está bem encaminhada?

O presidente da Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares), Kleber de Melo Morais, esteve no campus para dar posse à superintendente do HU, Maria de Lourdes Rovaris. Vamos ter um concurso público no fim do ano para a contratação de 400 profissionais e, em 2017, o comando integral do HU passa para a Ebserh. A instituição vai reassumir seu papel de protagonismo, como hospital-escola. Já com a nova administração vamos reabrir no próximo ano a ala de queimados.

E a questão financeira nestes tempos difíceis?

Está tudo dentro da normalidade. Até dezembro teremos a execução plena do orçamento de 2016, o Ministério da Educação está repassando os recursos e vamos chegar equilibrados ao fim do ano. Temos despesas anuais, globais, de cerca de R$ 200 milhões (excluindo a folha de pagamento, que é atribuição direta do MEC).

As quadras esportivas serão recuperadas?

A nossa Secretaria de Esportes está cuidando disso. Vamos restaurar todo o parque esportivo – 11 quadras, o ginásio e a piscina – com aporte de recursos federais. O projeto já está sendo elaborado.

A UFSC pensa em utilizar novas tecnologias para valorizar a memória?

Está no nosso horizonte de trabalho, estamos pensando. A ideia é aproveitar a parceria já firmada com a ACI (Associação Catarinense de Imprensa), visando à implantação do Museu da Comunicação de Santa Catarina. Por meio dessa parceria vamos tentar viabilizar a modernização do sistema de memória, algo interativo, provocativo, como o Museu da Língua Portuguesa ou o Museu do Futebol. Lembrando que a nossa memória está muito bem preservada, com documentos e imagens originais, além do serviço de microfilmagem que foi realizado ao longo do tempo.

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Uma história de gigantismo sem paralelo em SC

A UFSC se expandiu nos últimos anos para muito além de Florianópolis, com campi instalados em Araranguá, Blumenau, Curitibanos e Joinville. Tem 11 centros de ensino na Capital, concentra uma comunidade com quase 30 mil estudantes de graduação matriculados, quase 8 mil de especialização, cerca de 5 mil de mestrado, mais de 3,5 mil de doutorado e mais de 1.200 alunos em seus colégios, 2.170 professores (85% com doutorado) e quase 3.200 servidores técnico-administrativos. Somando-se todos os níveis de ensino, inclusive a distância, chega-se a mais de 45 mil alunos.

SAIBA MAIS

  • A UFSC foi criada por decreto do presidente Juscelino Kubitscheck de Oliveira em 18 de dezembro de 1960. Inicialmente unificou as faculdades isoladas de Direito, Medicina, Farmácia, Odontologia, Filosofia, Ciências Sociais, Engenharia Industrial e Serviço Social.
  • Seu primeiro reitor foi um dos fundadores, o professor João David Ferreira Lima, que ficou no cargo por 10 anos.
  • Ao longo das décadas de 1960 e 1970 todas as estruturas espalhadas pela cidade foram transferidas para o campus da Trindade, a antiga Fazenda Assis Brasil.
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