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Dona Uda Gonzaga: uma história dedicada à Copa Lord e ao Carnaval da cidade

Entre a educação e o samba, Dona Uda ajuda a valorizar o Mont Serrat, berço da escola de samba Copa Lord

Felipe Alves
12/01/2018 15h33

Nascida e criada no Mont Serrat, Dona Uda Gonzaga faz parte da história da escola de samba Copa Lord e é um dos maiores nomes vivos do Carnaval da cidade. Professora por décadas, ela faz dos moradores da comunidade seus filhos e carrega consigo um bom pedaço da história da agremiação. Em 2014, sua dedicação à escola de samba e à comunidade foram exaltadas pela Copa Lord com o enredo “Quem você pensa que é sem a força da mulher?”.

Dona Uda Gonzaga: uma história de amor com a Copa Lord - Daniel Queiroz/ND
Dona Uda Gonzaga: uma história de amor com a Copa Lord - Daniel Queiroz/ND

Prestes a completar 80 anos, Maria da Costa Lourdes Gonzaga só foi se interessar pelo Carnaval depois que começou a namorar com Armandinho Gonzaga. Vindo da Protegidos da Princesa, Armandinho era um apaixonado por Carnaval e foi fundamental para a história da Copa Lord, fundada 1955. Dez anos após a criação da escola, a sede da agremiação foi inaugurada com a ajuda de vários diretores. “Eram 15 diretores. Eles juntaram o dinheiro do mês de cada um pra comprar o terreno. Foi a glória! Por isso que eu digo que a Copa Lord foi criada com sacrifício e, principalmente, com amor”, afirma ela.

Nos 18 anos em que o marido presidiu a escola, Dona Uda sempre esteve junto ao marido para ajudá-lo, mas jamais imaginaria ser ela a comandante da Copa Lord um dia. Após a morte de Armandinho em 1978, Dona Uda foi convidada para ser presidente, mas só aceitou mesmo depois de uma votação entre os moradores do morro. “Eu dirigia o grupo de jovens, a catequese, era diretora de escola... Como ia dirigir também uma escola de samba? Mas ganhei”, relembra ela.

Desde então, Dona Uda já fez de tudo para fazer a Copa Lord funcionar: foi presidente, secretária, membro do conselho deliberativo e do conselho fiscal. Na avenida, chegou a ser rainha da escola em 1958, saiu na ala das baianas na década de 1980 e, há 30 anos, coordena e incentiva a valorização da ala das baianas, além de comandar também a ala da juventude. Para ela, não exista Mont Serrat sem Copa Lord. “O morro sem a escola de samba é silêncio”, afirma.

Armandinho Gonzaga, ex-presidente da Copa Lord - Arquivo Pessoal/ND
Armandinho Gonzaga, ex-presidente da Copa Lord - Arquivo Pessoal/ND

História da Copa

Segunda escola mais antiga de Florianópolis, a Embaixada Copa Lord surgiu oficialmente em 1955, sete anos após o início de Os Protegidos da Princesa. Nos dois primeiros anos de desfiles, a Copa Lord já começou faturando o título de campeã, criando uma disputa que durou décadas entre as duas agremiações. Seus fundadores ajudam a contar também a história do Carnaval na cidade: Juventino João Machado (o Nego Querido), Abelardo Henrique Blumemberg (o Avez-vous),  Jorge Fermiano Costa e Valdomiro José da Silva.

Tiradentes, a Família Real, a Ponte Hercílio Luz e a história do cinema foram alguns dos enredos memoráveis da história da escola. Em 62 anos, a Copa Lord já levou 19 taças para casa e busca, desde 2010, reconquistar o título de campeã.

 

>> Confira a entrevista em vídeo com a Dona Uda Gonzaga

>> Confira a área especial com todas as informações do Carnaval 2018 

Ficha técnica

Localidade: Mont Serrat (Morro da Caixa), Florianópolis

Fundação: 25 de fevereiro de 1955

Cores: amarelo, vermelho e branco

Títulos: 19 títulos no Grupo Especial

Ensaios: ainda não foram divulgados

Enredo 2018: “Manjericão, um banho de fé” – Em tempos de intolerância religiosa, o manjericão une diferentes culturas. Com o tempo, seu uso se transformou. Mas uma essência se manteve intacta: a ligação do manjericão com a fé e a renovação espiritual. A Copa Lord vai contar a história desta planta que envolve reis, santos, mitos e crenças.

 

Samba-enredo

Compositores: Barão, Fred Inspiração, Jean Leiria, Nellipe e Willian Tadeu

Do imenso oceano de leite

Insano deleite ao paladar

Entrelaçado em madeixas, se fez a magia

Aroma que deixa um quê de poesia na cultura milenar

Desperta o sonho da eternidade

Com seu poder de majestade

Simboliza o ódio e o amor

Sagrado destino

Guiou seu caminho aos pés do Senhor

 

Ê manjericão, velho feiticeiro

O sabor do teu tempero deu o que falar

Levanta essa taça pra dar a resposta

Voar "do jeito que a bruxa gosta"

 

Um cheiro tão bom na brisa do mar

Leva meu samba a navegar

Perfuma a canção, dói no coração

Viola é que me faz chorar

 

Pra vencer todos os prantos, clareia!

Feito o gosto da paixão, incendeia!

Firma o ponto, mandingueiro

Lava a alma no terreiro

Como manda a “guerreira”

 

Ôôô... baiana e porta-bandeira

Ôôô... mãe de santo e rezadeira

Girando em um mesmo ritual

Derramando axé no Carnaval

 

Dando um banho de fé, eu levanto poeira

Meu Morro da Caixa não é brincadeira

Dando um banho de amor, a avenida sacode

É Copa Lord, é! É Copa Lord!

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