Peça teatral do compositor Erik Satie tem tradução inédita de doutoranda da UFSC

Atualizado

A faceta menos conhecida do grande compositor e pianista do modernismo, Erik Satie, acaba de ficar mais acessível ao público brasileiro. Nesta quarta-feira (28), às 20h30, a Rafael Copetti Editor vai lançar o livro da peça teatral “A armadilha de Medusa”, em edição bilíngue francês-português. A obra tem posfácio e tradução de Marina Bento Veshagen e apresentação da professora de Dirce Waltrick do Amarante. O lançamento, em Florianópolis, tem início com a leitura dramática encenada, com figurinos e piano ao vivo, pela Elefants Companhia de Teatro, seguido de sessão de autógrafos.

Texto já teve montagem na Capital e no lançamento ganha leitura dramática - Divulgação/ND
Texto já teve montagem na Capital e no lançamento ganha leitura dramática – Divulgação/ND

Satie escreveu sua única peça de teatro, que marcou o século 20, em 1913. “A armadilha de Medusa” foi citada como precursora do teatro dadaísta e do teatro do absurdo, bem como portadora da verdadeira música do surrealismo. A peça é uma “comédia lírica em um ato”, cujas cenas são intercaladas pela música do autor, que deve ser dançada pelo macaco mecânico Jonas. A trama da peça inclui mais quatro “personalidades”. O personagem central, o barão Medusa, é um rico burguês que conhece Astolfo, pretendente de sua filha Frisette. Medusa, sujeito desconfiado e um tanto paranoico, logo anuncia que testará a lealdade de Astolfo com uma grande armadilha.

Enquanto isso, revela sua controversa relação com Policarpo, o doméstico rebelde. A peça expõe a futilidade dos valores burgueses, aposta no humor e na ironia e apresenta caraterísticas do grotesco e da commedia dell’arte. Sua característica central é a profusão de armadilhas a cada página, com uma linguagem nonsense desconcertante.

Lente de aumento de Satie

Por Dirce Waltrick do Amarante*

“A armadilha de Medusa” (1913), única peça do artista francês Erik Satie, famoso por suas composições para piano, como as “Gymnopédies” (1888) e as “Gnossiennes” (1890), acaba de ganhar uma primeira tradução para o português assinada por Marina Bento Veshagem, doutoranda do Programa de Pós-graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina, e publicada pela Rafael Copetti Editor.

A peça é uma comédia lírica em um ato, cujas cenas são intercaladas por música do autor e dança de um macaco empalhado. Vindo de Satie, não se poderia imaginar uma peça sem música, muito menos se poderia pensar numa música comum dançada por um personagem qualquer.

Como Ubu Rei (1896), de Alfred Jarry, “A armadilha de Medusa” é considerada uma das precursoras do que viria a se chamar, nos anos 1960, “teatro do absurdo”.
Não é difícil encontrar paralelos entre as antipeças do absurdista Eugène Ionesco e a peça de Satie: elas retratam um mundo burguês cercado de platitudes e lugares-comuns, cujos diálogos, longe de contar uma história com enredo bem montado, destacam a banalidade do cotidiano dos personagens.

“A armadilha de Medusa” mostra, portanto, com lente de aumento, o cotidiano de uma família burguesa, alheia ao mundo à sua volta, com preocupações banais que não extrapolam suas relações. Há, contudo, uma personagem que não aparece, mas perturba as demais: o general Póstumo. Não é de hoje que os generais são assustadores.

*Professora do Curso de Artes Cênicas da UFSC

 

SERVIÇO:

O quê: Leitura dramática e lançamento do livro “A armadilha de Medusa”
Quando: 28/11, 20h30.

Onde: Espaço Caixa Preta, bloco D do CCE da UFSC.
Quanto: R$ 30,32 até 30/11, pelo site https://www.rafaelcopettieditor.com.br/loja/rce/a-armadilha-de-medusa/

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