Maratona Cultural fez o público circular por diferentes atrações ao longo do fim de semana

Marco Santiago

A peça “Julia”, de Criciúma, divertiu o público na Praça XV no início da tarde de sábado

Florianópolis — No início da tarde de sábado, uma mulher fazia o marido carregá-la em uma carroça a chicotadas na Praça XV de Novembro. O pequeno Gabriel exclamou: “eu não gosto de chicote!”, e puxou a mãe para dentro do Palácio Cruz e Souza, junto ao pai e ao irmãozinho menor. A família veio de Antônio Carlos e decidiu ficar para ver um pouco da programação da Maratona Cultural de Florianópolis, que durou todo o fim de semana. Foi assim o fim de semana na cidade, com uma surpresa em cada esquina.

Enquanto a peça Júlia, do Cirquinho de Revirado de Criciúma, divertia o público debaixo da figueira, havia samba no Mercado Público, contação de histórias na Beira-Mar Norte, dança de salão no Ribeirão da Ilha, e diversas exposições de arte e fotografia estavam abertas à visitação pela cidade. Só na área central, que pode ser coberta a pé, foram mais de 20 atividades tanto no sábado quanto no domingo, e o público saía de uma peça para outra, com uma exposição no intervalo e um show logo em seguida.

Esse vai e vem de pessoas era uma garantia de vários encontros, quem se viu em uma apresentação estava fadado a se encontrar em mais alguma. Neusa Borges e Márcia Cattoi, por exemplo, fizeram uma rota de teatro: começaram de manhã com “Livres e Iguais”, no TAC, passaram por “Júlia”, depois foram ver “EU. VOCÊ. ELA. A MÃE”, da Irreal Produções, no Sesc e então voltaram à Praça XV para a peça dos grupos Teatro em Trâmite e Trupe Popular Parrua, no fim da tarde.

“É uma grande chance para os artistas daqui, e do estado, e para a formação de público também”, considera Márcia. “A entrada livre é algo muito bom, tem coisas que eu queria ver antes mas era caro, agora tenho a oportunidade”, complementa Neusa. Por volta das 20h, era possível vê-la chegando no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho) para se unir à fila de distribuição de ingressos para “O Incrível Ladrão de Calcinhas”, da Trip Teatro de Animação, de Rio do Sul. O dia foi longo.

Atrações disputadas lotaram os teatros

Às 16h de sábado, a fila para assistir ao stand-up “#RiAlto: Get up, Stand up… Night” (Ou afternoon, tarde em inglês, como brincou Grazi Meyer na abertura do show) dava volta no TAC. Segundo a organização, eram 200 pessoas que aguardavam uma chance de entrar, já que os 365 ingressos disponíveis já haviam sido entregues uma hora antes — horário padrão de distribuição de ingressos para os espaços fechados da Maratona.

Na noite de sexta-feira, o espetáculo Gala Bolshoi teve os ingressos esgotados quase que instantaneamente. A fonoaudióloga Janice Brites diz que chegou às 20h, quando estava marcado o início da distribuição, e mesmo assim não conseguiu entrar. “Começamos a distribuir antes porque estava chovendo e havia muita gente para fora”, argumenta o coordenador da Maratona, Heitor Lins. Segundo ele, havia pessoas esperando desde 17h para conseguir ingressos, e no fim cerca de 400 pessoas ficaram sem entrar.

“Não podemos colocar mais gente do que cabe no espaço”, disse Lins. Mas ele vê a lotação dos eventos como uma coisa positiva. “Isso mostra que as pessoas querem consumir produtos culturais e estão dispostas a prestigiar o evento”, considera. Já quem foi persistente e aguardou na fila do TAC mesmo após avisos de que o teatro estava lotado, teve sua recompensa. De dez em dez, no fim todos entraram, inclusive Janice.

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