“Fevereiros” e “Todos já sabem” são estreias da semana

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Nesta quinta-feira (14) estreiam o documentário “Fevereiros” e o filme “Todos já sabem” no Paradigma Cine Arte, em Florianópolis. O primeiro mostra a homenagem feita 2016 pela escola de samba Mangueira a cantora Maria Bethânia. O longa tem sessões às 21h45.

O drama “Todos já sabem” é dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi. A história une um assassinato ao drama familiar vivido por Laura, interpretada por Penélope Cruz. A exibição acontece às 19h30.

Fevereiros

“Fevereiros” recebeu o prêmio de Melhor Filme no 10º IN-Edit Brasil – Reprodução/ND

O longa, que acompanhou Maria Bethânia do Rio de Janeiro, com o vitorioso desfile da Mangueira em sua homenagem, até Santo Amaro, sua cidade natal, já rodou 29 festivais de cinema pelo mundo, passando por países como Canadá, França, Rússia, Suíça, Espanha, Itália, Chile, Uruguai, Congo e Senegal.

O documentário acompanhou a construção do carnaval da Mangueira em 2016 – desde os desenhos das primeiras alegorias aos desfiles na avenida. “O que me interessou desde o início, independente do resultado que o carnaval viria a ter, foi o recorte que a Mangueira escolheu para o enredo. Entre as inúmeras possibilidades de se homenagear Maria Bethânia, a escola escolheu tratar da sua devoção religiosa, do seu sincretismo pessoal que junta o candomblé, devoção católica e sabedorias herdadas dos índios”, lembra o diretor Marcio Debellian.

O filme viajou com Maria Bethânia para o Recôncavo baiano, participando de seu ambiente familiar, religioso e das festas da sua cidade natal, Santo Amaro da Purificação, conhecendo o universo que inspirou o enredo. Neste trânsito entre o Rio de Janeiro e a Bahia, “Fevereiros” depara-se com questões históricas como o surgimento do samba, tolerância religiosa e racismo.

“O Recôncavo baiano, região onde Bethânia nasceu, tem a particularidade de ter sido o lugar no Brasil que mais recebeu negros escravizados trazidos da África. A Bahia soube misturar as tradições africanas, indígenas e portuguesas e transformá-las em expressões originais brasileiras em relação à música, religião e festas populares. Esses aspectos vão sendo apresentados no filme conforme nos aproximamos de Santo Amaro e acompanhamos a construção do carnaval da Mangueira”, explica Debellian.

Todos já sabem 

O filme “Todos já sabem” é o quarto trabalho que Javier Bardem e Penélope Cruz, casados desde 2010, realizam juntos – Reprodução/ND

O novo longa do premiado diretor iraniano Asghar Farhadi tem no elenco nomes como Penélope Cruz, Javier Bardem e o argentino Ricardo Darín. Pela primeira vez, o cineasta dedica-se a uma narrativa que foge totalmente do seu país ou de questões tipicamente de seus conterrâneos. Gravado em espanhol, o filme entrelaça suspense psicológico e drama familiar.

O enredo destaca a família de Laura, vivida por Penélope Cruz, uma espanhola que há anos vive na Argentina. De volta à sua pequena cidade natal para o casamento da irmã, traz consigo o filho pequeno e a filha adolescente. Seu marido, Alejandro interpretado por Ricardo Darín, fica na América do Sul.

A noite de festa, entretanto, se torna um pesadelo quando uma das convidadas desaparece durante as comemorações. Em meio ao drama e à agonia, ganha destaque o terceiro pilar da história, Paco vivido por Javier Bardem. Antigo funcionário da família e ex-namorado de Laura, o personagem torna-se um dos protagonistas na tentativa de solucionar o caso.

O roteiro do novo filme do diretor de “O apartamento” e “A separação” é repleto de reviravoltas. A crítica internacional não economizou elogios ao fato de os personagens não serem lineares — todos podem ser mocinhos e vilões. Em meio ao suspense, Asghar Farhadi aborda religião, patriarcalismo, poder financeiro e honra. Tudo isso à maneira latina de construção de personagens e à maneira iraniana de conduzir histórias.

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