Com repertório afetivo, Ney Matogrosso volta a Florianópolis neste fim de semana

“Bloco na rua” tem músicas de Raul Seixas,  Secos e Molhados e de Sérgio Sampaio, entre outros - Divulgação/ND
“Bloco na rua” tem músicas de Raul Seixas, Secos e Molhados e de Sérgio Sampaio, entre outros – Márcia Haack/Divulgação/ND

Há dois anos, de forma despreocupada, Ney Matogrosso escolhe as canções do seu novo show. Ouve músicas, acrescenta uma, retira outra, revisa, se depara com uma faixa na rádio, gosta e inclui e exclui outra. Depois de seis roteiros – prefere o termo roteiro e não repertório, porque tudo para ele é texto – formou o corpus de “Bloco na rua”, show que chega a Florianópolis neste sábado e domingo.

A turnê estava prevista para começar pela capital catarinense, em dezembro, mas atrasou e acabou estreando no Rio de Janeiro em 11 de janeiro. Ney considera a seleção totalmente afetiva. “Só canto o que gosto. É um roteiro conhecido por mim, inclusive que já cantei, só tem uma música inédita realmente”, conta.

“Eu quero é botar meu bloco na rua” (Sergio Sampaio) deu o mote para o título da turnê. “Até umas semanas atrás não tinha nome, daí lembrei da música do Sérgio, pois indica um movimento”, diz. A esta, considerado um hino da resistência, mas que o cantor foge do rótulo de um show político, soma-se outras preciosidades escavadas de um repertório brasileiro que se harmoniza na interpretação de Ney, como “A Maçã” (Raul Seixas), “Álcool (Bolero Filosófico)”, da trilha do filme “Tatuagem” (DJ Dolores) ,“O Beco”, gravada por Ney nos final dos anos 1980 (Herbert Vianna/Bi Ribeiro) e “Mulher Barriguda”, do primeiro álbum dos Secos e Molhados, de 1973 (Solano Trindade/João Ricardo).

 Duas canções foram pescadas do compacto duplo Ney Matogrosso e Fagner, lançado em 1975: “Postal do Amor”(Fagner/Fausto Nilo/Ricardo Bezerra) e “Ponta do Lápis” (Clodô/Rodger Rogerio). “Como 2 e 2” (Caetano Veloso) e “Feira Moderna”( Beto Guedes/Lô Borges/Fernando Brant), fecham a seleção.

O figurino é do estilista Lino Villaventura –  depois da morte de Ocimar Versolato, que o acompanhou por anos. O cenário é de Luiz Stein e Juarez Farinon assina a luz do espetáculo, com supervisão de Ney.

A banda tem Sacha Amback (direção musical e teclado), Marcos Suzano e Felipe Roseno (percussão), Dunga (baixo), Mauricio Negão (guitarra), Aquiles Moraes(trompete) e Everson Moraes (trombone).

Ney adora voltar a Florianópolis, cidade que frequenta desde o tempo que a cidade tinha um ar provinciano e praias desertas. Retorna também ao CIC (Centro Integrado de Cultura), palco que ele gravou o DVD “Ney Matogrosso interpreta Cartola” em 2002. Sempre arrojado, em tempos comedidos, Ney, aos 77 anos, assopra um caminho: não ter medo e expressar o que se pensa. Fica a dica..

Serviço:

O quê: “Ney Matogrosso – Bloco na Rua”
Onde: Teatro Ademir Rosa (CIC), av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 – Agronômica, Florianópolis
Quando: 9/2, 21h e 10/2, 20h
Quanto: 9/2, a partir de R$ 319 (inteira); 10/2, a partir de R$ 159,50 (meia, estudante), R$ 319 (inteira), www.diskingressos.com.br

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